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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 789 / 2014

24/09/2014 - 18:54:00

Pesquisas esfriam campanha em Alagoas e mostram favoritismo de Renan e Collor

A duas semanas do fim da eleição, acordo entre Renan-pai e Vilela dá certo e comitês preparam disputas em 2016

Odilon Rios Repórter

Distantes duas semanas do dia da eleição, pode-se dizer que, em Alagoas, há uma definição nas disputas majoritárias. As três pesquisas recentes – Ibope, Exatta e Vozes – apontam para o mesmo resultado. O deputado federal Renan Filho (PMDB) tem chances de ser o novo governador, derrotando o senador Benedito de Lira (PP) com mais de dez pontos percentuais.

Ao Senado Federal, o titular da vaga,  Fernando Collor (PTB), deverá ser reeleito também com mais de dez pontos à frente da vereadora Heloísa Helena (PSOL). Sem uma disputa mais equilibrada e o crescimento das outras candidaturas, o segundo turno já está sendo disputado no primeiro.

E, talvez por este motivo, a campanha continua apagada, sem participação popular ou mesmo cobertura animada dos meios de comunicação. É o empenho dos candidatos proporcionais – estaduais e federais - que buscam votos junto ao eleitorado alagoano “gastando a sola sapato”, que ainda dá um aspecto de movimento a uma campanha onde fica claro o desinteresse da maioria da população- conforme mostram as pesquisas.

Os programas eleitorais gratuitos parecem não ter o mesmo impacto das disputas anteriores e não conseguem alterar os resultados que já vinham sendo anunciados desde antes das convenções, no mês de junho.

A única novidade nas pesquisas em Alagoas é a subida da presidenciável Marina Silva (PSB), que abocanhou quase todos os votos do senador  Aécio Neves (PSDB/MG) e dos eleitores indecisos, diminuindo a diferença em relação à presidente Dilma Roussef, chegando a empatar na capital alagoana.


Candidato do Governo

O vereador de Palmeira dos Índios, Julio Cézar (PSDB) segue na defesa do Governo Estadual, depois do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ter descartado seu vice, José Thomaz Nonô (DEM), o presidente municipal do PSDB, Marco Firemann, o ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes e o procurador de Justiça, Eduardo Tavares. Isolado na sua tarefa, sem candidato oficial ao Senado, Cézar não conta com aliados e nem mesmo com os mais importantes quadros eleitorais do PSDB.

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), assumiu a campanha de Biu de Lira; o sobrinho do governador e presidente estadual do PSDB (hoje licenciado), Pedro Vilela, está nas caravanas de Renan Filho. Nos cartazes, Pedro aparece apenas ao lado de Aécio Neves- apesar de Júlio ter o compromisso de votar no sobrinho do governador.

Mas, o pior estava por vir esta semana. Todo empenho do Palácio dos Martírios no processo de articulação, desde maio, foi para fechar uma chapa que viabilizasse o nome de Pedro. O governador tucano não se esforçou para apresentar uma chapa majoritária competitiva e elaborou uma estranha teoria da “solidão virtuosa”.

Os palacianos sempre negavam um acordo entre Téo e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), mas, agora, é Pedro Vilela quem pede votos para Renan Filho em localidades onde há conveniência eleitoral.Sem contar com aliados ou mesmo com os proporcionais de sua própria coligação, a participação de Julio Cézar resume-se ao horário gratuito e aos debates onde sua presença é simpática, mas não lhe rende votos.

 Por isso, sua campanha virou a capitalização da Prefeitura de Palmeira, em 2016.Com índices mínimos, o tucano disputa a terceira vaga com o engenheiro agrônomo, Mário Agra (PSOL). Sua tarefa de defender Téo é praticamente impossível de cumprir. As críticas levantadas ao governo do PSDB deveriam ter sido respondidas em seu devido tempo, mas não houve reação governamental ao desmonte promovido, principalmente, pela oposição liderada por Collor.

No horário gratuito, as críticas vêm de todos os lados, até mesmo de candidatos governistas que denunciam o caos na educação, saúde e segurança.

A defesa do Governo, feita por Júlio Cézar em plena campanha, tem parecido artificial. Com rejeição de metade do eleitorado, o governador tucano é um empecilho para que o candidato do PSDB possa alçar um voo mínimo. O marqueteiro do PSDB, vitorioso nas três últimas eleições, Einhart Jácome Paz, não consegue fazê-lo sair do chão. Falta-lhe partido, aliados, recursos e apoio político. 


A candidatura de Biu de Lira

Nesta eleição, Biu de Lira criou mais expectativas do que pôde realizar. Vitorioso em 2010, o senador do PP acreditou que poderia repetir a façanha de derrotar uma adversária, Heloísa Helena, que partia à frente nas pesquisas, com o bom uso do tempo de rádio e televisão no horário eleitoral e ainda superar a votação de Renan Calheiros. 

A agressividade deste ano difere do bom humor da última campanha. Em vez de “desconstruir” o oponente, como fez com Heloísa na eleição passada, é Biu quem está sendo desmontado no horário gratuito e nos debates. Exímio dançarino de forró e bem humorado populista, como fazia Jânio Quadros e sua eterna vassourinha, Biu deu lugar a uma campanha tensa e sem muito apelo midiático. 

Outro problema nesta disputa é que Biu também não tem apresentado um volume de campanha nos bairros e no interior capaz de enfrentar o PMDB e seus quinze aliados. Os mais de 50 anos de estrada política perderam espaço para um jovem Renan, incentivado pelo pai.No primeiro confronto entre todos os candidatos, promovido pela TV Alagoas, Biu foi castigado pelo representante do PSOL.

Mário Agra deu um troco, que esperava desde a última eleição, e fez uma série de acusações a Biu que não conseguiu responder a contento. No debate, o senador do PP via, ao seu lado, um bom desempenho do candidato tucano Júlio Cézar que se esforçava para defender o legado do PSDB e, principalmente, de Renan Filho que se destacava na defesa de um programa para Alagoas e era ajudado por alguns candidatos nanicos que dirigiam perguntas para facilitar suas respostas. 

Tão ruim a presença de Biu que membros de sua assessoria achavam “melhor não ter ido ao debate”. Internamente, dizia-se que o senador estava gripado e não iria ao confronto. “Foi, porque senão a imprensa castigaria, sem pena”, disse um lirista. Antes do debate, Biu mostrava tensão.

Sem poder aparecer como oposicionista, na medida em que tem o apoio indireto do Palácio dos Martírios, e sem querer assumir o desgaste de defender o Governo tucano, no qual teve presença importante, o senador do PP deve estar repensando sua estratégia para os próximos dois debates programados nos dois canais de maior audiência no estado: TVs Gazeta e Pajuçara.

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