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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 789 / 2014

24/09/2014 - 18:50:00

Nanicos não decolam; Biu tem fraca atuação

Odilon Rios Repórter

A fraqueza das candidaturas nanicas e a atuação pouco eficiente de Biu de Lira no programa gratuito eleitoral e nos debates tem ajudado Renan Filho em sua tentativa de ocupar a cadeira de Téo Vilela. Orientado pelas pesquisas qualitativas e por um esquema de marketing, Renan Filho afastou-se no que podia dos dois temas que seriam os “calos” de sua campanha: a gestão dos Calheiros em Murici e o fato de ser filho do senador Renan.

Primeiro, orientado pelo próprio pai, se demarcou do grupo de parlamentares envolvidos com crimes em Alagoas, apesar deles, discretamente, fazerem campanha para Renan Filho. Como é o caso do deputado estadual João Beltrão (PRTB)- pai do ex-prefeito de Coruripe, Marx Beltrão (PMDB).O afastamento - pelo menos oficialmente - de alguns nomes do PRTB ajudou na imagem do candidato do PMDB junto a setores de classe média.

Cercado pelo grupo de peemedebistas de prestígio, liderado pelos médicos José Wanderley e Fábio Farias, Renan escolheu o ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), para vice de sua chapa, atraindo as simpatias de setores da opinião pública que vêm com bons olhos a presença, na chapa majoritária, de um reconhecido político, mas com capacidade técnica. É tratado como um “gerentão”, aquele que levará adiante o dia a dia das secretarias, se Renan Filho for mesmo o governador.

Os bons resultados nas pesquisas, desde o início da campanha, têm facilitado a convivência de muitos inimigos e ex-adversários, hoje aliados, acomodando os mais diferentes interesses dentro dessa frente de 16 partidos. O tempo gratuito de rádio e televisão, o maior entre as candidaturas, permite uma exposição demorada de suas ideias.

A possibilidade de eleger quatro ou mesmo cinco federais e de doze ou mais deputados estaduais acalma as disputas na chapa proporcional e aos pequenos partidos que apoiam o PMDB. Nesta situação confortável, o candidato peemedebista trabalha para vencer no primeiro turno.


A disputa para o Senado

A vaga para o Senado está quase definida. A força e o poderio da campanha de Fernando Collor contrastam com a fragilidade estrutural da campanha de Heloísa Helena, de poucos recursos materiais e tempo limitado no horário eleitoral. Coloridos apontam que Heloísa é uma adversária à altura, mas tem problemas por faltarem alianças com outros partidos.

Collor conta com mais tempo de rádio e televisão, com mais recursos financeiros, fortes aliados em todos os municípios e máquina de propaganda que lhe permite ter bons programas. O maior adversário de Collor tem sido o governador de Alagoas; mas, as tentativas de Téo Vilela em apoiar o ex-presidente da OAB, Omar Coelho de Mello (DEM) ou mesmo Heloísa Helena para atacar Collor não têm obtido bons resultados. 

As denúncias contra o senador do PTB são requentadas ou recentes, mas de pouco efeito na opinião pública- conforme as pesquisas dos três institutos vêm mostrando. Também esperava-se a nacionalização da disputa alagoana, com Collor sendo atacado por grandes veículos de comunicação. E isso não aconteceu- salvo a associação de Collor com o doleiro Alberto Yousseff, que não mudam os números dos institutos de pesquisa.

Heloísa Helena, o nome que polariza com Collor, cometeu um equívoco eleitoral ao abraçar publicamente o candidato do PSDB num ato em Palmeira dos Índios. O apoio direto ou indireto de tucanos ou políticos conservadores cria problemas à candidatura do PSOL. A marca registrada de Heloísa é a recusa de apoios e acordos eleitorais sem identidades políticas, programáticas ou mesmo ideológicas.

A ida da candidata do PSOL a Cajueiro num lançamento da família Toledo, coadjuvado por Lucila, a prefeita da cidade, mulher do presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo (PSDB), foi explorada pelos laranjas na campanha. “Ela ganhou 300 votos em Cajueiro, mas perdeu 30 mil em Maceió”, diz um profissional dos bastidores.

Esperava-se que o crescimento de Marina Silva influenciasse o desempenho de Heloísa, mas isso não aconteceu. E a candidata oficial do PSOL para presidente, Luciana Genro, não pontua em Alagoas- apesar de brilhar nos debates presidenciais.Por sua vez, Omar Coelho, candidato do DEM, vem tentando polarizar com Fernando Collor, mas isso lhe rendeu um pequeno crescimento nas pesquisas.


As pesquisas 

Os resultados do Ibope, Exatta e Extra parecem ter esfriado a campanha em Alagoas. Apresentando quase os mesmos números, com poucas variações, desde a primeira pesquisa do Ibope, seguida da Exatta e da Vozes, os índices anunciados desestimulam algumas campanhas, confirmando a vantagem anunciada dos candidatos nas majoritárias – Renan Filho e Collor.

Os números que se movimentam são os dos presidenciáveis, com a subida espetacular de Marina Silva, mais perto de Dilma Roussef que se manteve em primeiro, mas que perdeu alguns pontos, e Aécio Neves que deverá ter um dos piores resultados de sua campanha em Alagoas, um estado governado por um tucano e com o prefeito da capital também do PSDB.

É pouco provável que algo de extraordinário aconteça para mudar esse quadro.  Os pequenos partidos não mostram forças para se pensar numa “terceira via” e ficaram distantes das duas alternativas principais. Com um segundo turno para governador cada vez mais improvável e com a vantagem nítida para ocupar a vaga do Senado, as eleições em Alagoas, este ano, parecem que vão ter os resultados anunciados desde o primeiro semestre, antes e mantidos durante a primeira parte do horário gratuito de rádio e televisão. 

A eleição está tão fria que, em alguns comitês eleitorais e rodas políticas, a discussão é sobre as eleições municipais de 2016, principalmente nas grandes cidades como Maceió e Arapiraca. Parece que o grande acordo entre Renan Calheiros e Téo será realizado. E o suplente de Biu, Givago Tenório, não terá os quatro sonhados anos no Senado, representando as usinas. Os usineiros, aliás, migram para Renan Filho- como a Usina Coruripe.É a velha e tradicional Alagoas, prestes a completar o seu bicentenário de emancipação, que se impõe mais uma vez.

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