Acompanhe nas redes sociais:

20 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 789 / 2014

24/09/2014 - 15:11:00

Reconstrução em Alagoas consome R$ 1,25 bilhão sem concluir obras

Quatro anos depois da enchente, reportagem do Fantástico flagra irregularidades com dinheiro que deveria amparar desabrigados

DA REDAÇÃO

Em junho de 2010, chuvas torrenciais devastaram 19 municípios de Alagoas. A memória coletiva alagoana jamais esquecerá a tragédia, documentada em imagens dramáticas.

 

Cidades inteiras foram quase varridas do mapa. Dezenas de milhares de famílias perderam todo o pouco que tinham. A fúria das águas dos rios Mundaú e Paraíba arrastou casas, escolas, hospitais, postos de saúde, prédios, veículos, transformou bairros inteiros em destroços, derrubou pontes e arrasou estradas.Depois que a chuva passou, o cenário era desolador. Mais de 70 mil pessoas estavam desabrigadas e sem nada de seu. Pelo menos 30 morreram. Um cenário de destruição dominava grandes extensões do território alagoano.  

 

O país inteiro, comovido, se mobilizou para ajudar os desabrigados em Alagoas. O governo federal pediu pressa nos projetos de reconstrução, dando prioridade às habitações populares perdidas.

 

Os governos Lula e Dilma mandaram para cá um volume considerável de recursos. Ao todo, R$ 1 bilhão 254 milhões foram transferidos de Brasília para o Estado, dentro do chamado Programa de Reconstrução. Passados quatro anos do desastre, o que foi feito com essa fábula de dinheiro?Mais importante ainda: o que não foi feito, e por quê?No último domingo (14), o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre o destino dos recursos para a reconstrução das 19 cidades alagoanas e de outras 68 em Pernambuco também atingidas pela enchente.

 

O que apareceu na tela da TV mostra, em relação a Alagoas, diversas irregularidades.Em Santana do Mundaú, perto da divisa com Pernambuco, ainda podem ser vistas, quatro anos depois da inundação, crianças estudando à beira do rio, na mesma escola que deveria ter sido desativada porque está em local de risco.

 

Motivo: a escola que foi reconstruída em outro local, simplesmente desabou.O caso de Santana do Mundaú é apenas um dos vários flagrados pela reportagem do Fantástico. Há postos de saúde em ruínas, casas do Programa de Reconstrução cuja construção, já paga, ainda não foi concluída e outros malfeitos constatados.

 

Em União dos Palmares, por exemplo, uma das notas fiscais emitidas pela prefeitura indica a utilização de um veículo que teria sido usado para transportar alunos de União até Recife, em Pernambuco. Além do despropósito do itinerário, acontece que o veículo em questão é um reboque usado no corte de cana-de-açúcar.

 

A reportagem afirma ter constatado diversos outros casos de notas fiscais emitidas – e pagas – por serviços que nunca foram prestados. Ou seja, roubo de verba pública, na forma mais rudimentar.

 

Outras notas, ainda mais absurdas, cobram pelo transporte de professores em municípios alagoanos. Quando a reportagem foi verificar a procedência dos veículos “utilizados” no transporte, constatou que eles estavam em cidades do interior de Minas Gerais e do Ceará, e de lá nunca saíram, muito menos para Alagoas, segundo depoimentos de seus proprietários à reportagem.

 

Nesse caso, o prefeito de União dos Palmares, Beto Baía, entrevistado pelo Fantástico, afirmou que não tinha conhecimento de nenhuma das fraudes mostradas pela reportagem e disse que os culpados devem ser punidos. “Vamos apurar isso”, garantiu o prefeito.

 

Ainda há 2 mil famílias desabrigadas Do total de R$ 1 bilhão 254 milhões liberados pelo governo federal para a Reconstrução em Alagoas, a maior fatia, segundo a reportagem, foi para a construção de moradias para as famílias atingidas pela enchente. Foram R$ 713 milhões 291 mil 447,83, em números exatos. Outra bolada, de R$ 540 milhões 684 mil, foi destinada à recuperação de estradas, pontes, infraestrutura, prédios públicos, escolas, hospitais e outras obras consideradas urgentes.

 

Segundo dados oficiais, até três meses atrás (18 de junho, data do último levantamento), nada menos que 2 mil famílias ainda aguardavam suas casas da Reconstrução.O coordenador da Reconstrução em Alagoas, Hebert Motta, alega que o governo do Estado “enfrentou uma série de problemas” para a conclusão das obras, mas está “empenhado” em regularizar a questão. Prometeu que “até o fim do ano” (fim do governo também) as obras sejam todas entregues.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia