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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 789 / 2014

24/09/2014 - 07:46:00

A Unimed e o SUS

JORGE MORAIS Jornalista

O tempo passa e, cada vez mais, o atendimento na Emergência do Hospital da Unimed, em Maceió, vai piorando. No último feriadão, precisei dos serviços daquela unidade e senti na pele o que é ser atendido pelo SUS – Sistema Único de Saúde. Na verdade, não sei o que é pior se a Unimed ou o SUS nessas horas. Entre as muitas reclamações em relação ao Plano de Saúde, por sinal um dos mais caros do estado, um deles é à demora no serviço de emergência do hospital.

Logo na chegada a recepção, você se depara com um banner gigantesco detalhando o Protocolo de Manchester. Vamos às explicações: “O Manchester classifica, após uma triagem baseada nos sintomas, os doentes por cores, que representam o grau de gravidade e o tempo de espera recomendado para atendimento.

Aos doentes com patologias mais graves é atribuída à cor vermelha, atendimento imediato; os casos muito urgentes recebem a cor laranja, com um tempo de espera recomendado de dez minutos; os casos urgentes, com a cor amarela, têm um tempo de espera recomendado de 60 minutos”.

“Os doentes que recebem a cor verde e azul são casos de menor gravidade (pouco ou não urgentes) que, como tal, devem ser atendidos no espaço de duas e quatro horas, respectivamente. O programa recebeu este nome porque foi aplicado pela primeira vez em 1997, na cidade britânica de Manchester.

Esta triagem foi rapidamente inserida em vários hospitais do Reino Unido, depois se espalhando pela Europa até chegar a outros continentes, entre eles, o Brasil”.Voltemos, então, ao tema central: a Unimed. Na segunda-feira (15) acompanhei a minha mulher para atendimento. Chegamos por volta das 9h e, depois de um rápido atendimento na recepção – nem tudo está perdido – veio uma pessoa da área médica saber o que cada um estava sentindo, para depois distribuir a tal da pulseira colorida, seguindo o Protocolo de Manchester. A moça nos entregou a pulseira verde, ou seja, até duas horas para o atendimento.Por vota das 10h20, procuramos saber quantas pessoas ainda estavam na frente pelo atendimento.

A resposta foi que ainda faltavam dois pacientes. As 10h40 fizemos a mesma pergunta, e a resposta que nos surpreendeu foi de que ainda faltavam três pessoas. Questionamos os números e eles disseram que, necessariamente, a ordem e o tempo não são obedecidos porque, a qualquer momento pode chegar um idoso e que pela lei tem prioridade.Bem pertinho de se expirar o prazo do Protocolo de Manchester, ou seja, duas horas de espera para a pulseira verde, ainda estavam na nossa frente dois pacientes.

Chegamos à seguinte conclusão: Nem sempre o que dá certo na cidade britânica de Manchester, pode ser aplicado com sucesso aqui em Maceió. Aquilo ali é uma verdadeira enganação e o melhor seria retirar o banner e aplicar no atendimento o jeitinho brasileiro mesmo, de sair empurrando com a barriga.

O grande problema é que, para aplicar o Protocolo de Manchester, a Unimed precisa é aumentar o número de médicos, de enfermeiros e de salas de atendimento para seus pacientes conveniados ao plano.

São poucos ambulatórios; pequenos espaços para triagem e observação; ambientes apertados; exames entregues com atraso; funcionários estressados, etc. etc. e etc.

Além do sofrimento pelo que você está sentindo, a Unimed ainda presta um serviço muito ruim na sua sede central; as autorizações médicas em consultório e laboratórios quase sempre dão problemas na autorização informatizada; a maioria dos médicos está se desligando do plano; e a empresa deveria receber o prêmio como a que mais dificulta o atendimento ao seu usuário. Este ano, fui indicado pelo oftalmologista a fazer uma cirurgia de catarata nos dois olhos.

Pois bem, mesmo com a indicação dos dois olhos, a Unimed só autorizou um de cada vez, e para o mesmo procedimento tive que me deslocar; enfrentar fila; esperar autorização e perder tempo por duas vezes, num espaço de uma semana entre uma cirurgia e outra.Essa é a nossa Unimed de cada dia...  

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