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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 789 / 2014

24/09/2014 - 07:22:00

JORGE OLIVEIRA

O abraço de Lula à caverna do Ali Babá

Brasília - Quem assistiu a cena patética ficou impressionado com o comportamento do ex-presidente Lula tentando abraçar a Petrobrás, no Rio, o prédio que os seus companheiros transformaram na caverna do Ali Babá. A pobreza política de Lula deixa pasmo milhões de pessoas que por duas vezes o premiaram com a presidência da república.

Vestindo um casaquinho alaranjado e acompanhado de um monte de pelegos sindicais, muitos deles da própria Petrobrás, o ex-presidente esgoelou em vão para chamar atenção de quem passava pelo local. Os berros foram inúteis, como foram inúteis também os apelos à proteção da Petrobrás que a petezada transformou em um covil de corruptos.A intenção do Lula era combater a Marina que já disse defender a energia alternativa a exploração do pré-sal.

Não deixa de ser uma boa ideia já que esses recursos minerais são esgotáveis. É para manter a gigante reserva de petróleo intocável em seu território que os Estados Unidos vivem em conflito permanente com os países árabes de quem compra o produto barato para abastecer o país, sem precisar mexer no seu estoque estratégico de óleo. Mas é claro que a Marina defendia a energia alternativa como forma de não alterar as nossas jazidas naturais, uma maneira boazinha de fazer política com o seu víeis ambientalista, um romantismo que beira ao sonhático para quem quer ser presidente.

 Lula viu nessa declaração de Marina motivos mais que suficientes para juntar um monte de companheiros, mamadores das estatais, para fazer um gesto político em defesa do patrimônio brasileiro. É de se perguntar por que o ex-presidente não tomou essa iniciativa quando os gangsteres ocuparam a diretoria da Petrobrás no seu governo para saquear a empresa e distribuir seus “dividendos” com políticos de vários partidos e empresários desonestos.

Essa, sim, seria uma iniciativa nobre do companheiro Lula que agora se transformou em agitador, uma coisa démodé para quem exerceu por duas vezes à presidência.Na verdade, Lula é um homem obcecado pelo poder.

Descobriu que, pela política e não pelo trabalho, pode alcançar o inalcançável. Quer manter a todo custo o status político, mesmo que para isso jogue a honra no lixo e mande os “escrúpulos às favas”, como disse Jarbas Passarinho ao aderir o AI 5 que mergulhou o Brasil numa sangrenta ditadura.

Lula não tem limites. Faz aliança com bicheiros, políticos e empresários corruptos, com a direita, com esquerda festiva, enfim, com quem pode contribuir para que ele e seu grupo se mantenham no poder.

 Como tem algumas aposentadorias conquistadas com a política, o ex-presidente pode se dar ao luxo de percorrer o país, as vezes em jatinhos de empresários, endividados com o BNDES, para cabalar votos para Dilma, a presidente que está levando o Brasil a recessão, que manteve os saqueadores  do dinheiro público dentro dos ministérios em nome da falsa governabilidade. É assim, que mais uma vez, a petezada vai tentar se manter no poder. Com o seu voto, claro!

Queda

Esse comportamento inadequado do Lula pode estar levando a Dilma a perder uns pontinhos nas pesquisas. Dos 39%, ela desabou para 36% e voltou ao ponto de partida, uma tragédia para quem tem mais de dez minutos de televisão e conta com a máquina do governo. Marina estacionou e Aécio cresceu cinco pontos que devem ser festejados com foguetório. 

Indefinido

O quadro presidencial, portanto, continua indefinido já que Aécio se aproximou da Dilma na disputa do segundo turno, que ainda tem a Marina na dianteira em um empate técnico com a presidente. O que se percebe,  no entanto, é que a Marina parou de crescer depois das críticas ácidas ao seu projeto de governo feitas por Dilma e Aécio. A se manter esse quadro de vai-e-vem, Aécio pode ainda embolar a disputa presidencial.


Erro

Insisto que os marqueteiros da Dilma continuam errando ao expor a candidata exaustivamente no programa eleitoral. Com uma rejeição beirando os 50% em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, é difícil a Dilma ultrapassar a casa dos 40% de aprovação. Além disso, Padilha, o candidato a governador do PT em São Paulo não mostra nenhum apetite para crescer e levar Dilma junto com ele.


Debates

Aécio decidiu expor as vísceras do PT nos debates. Começou batendo leve, mas agora aumentou o tom das críticas. Está indo para o tudo ou nada. Questiona a honestidade da Dilma e joga a candidata na defensiva porque tem que reafirmar que seu governo é honesto. Como Marina não tem sido a beneficiada dos votos dos indecisos que deixam a Dilma, Aécio vai continuar batendo para encostar nas duas candidatas e embolar o meio de campo.


Estrutura

A Marina tem contra ela um programa de TV menor e a falta de base que lhe permita voar mais alto. Na última eleição, perdeu no Acre, sua terra. A exemplo da Heloisa Helena, em Alagoas, teria dificuldade para se eleger senadora novamente porque não une partidos em torno dela e nem alianças fortes que possam viabilizar uma eleição majoritária. Resta-lhe, portanto, a candidatura presidencial que, pelo andar da carruagem, começa a escapulir das suas mãos até então festejada com muito otimismo.


Programa

Marina também falhou ao apresentar seu programa de governo, quando teve que recuar do casamento entre homossexuais por imposição da sua Igreja, a evangélica. Mostrou fraqueza e indecisão, coisas imperdoáveis para quem quer dirigir uma Nação. Além disso, retrocedeu da sua opinião por imposição religiosa. Em um país laico como o nosso, um candidato evangélico certamente terá contra ele a oposição de outros segmentos religiosos, o que afeta a candidatura de Marina.


Difícil

Dilma ainda vai atravessar tormentas. O que seria seu grande cabo eleitoral, Lula pode estar estragando a festa da sua candidata quando tenta voltar ao Lula sindicalista. A imagem está distante daquele Lula guerreiro, que ocupava as fábricas e fazia discurso para milhares de operários no ABC paulista e no Brasil. Que tinha a grande virtude de lutar com a “elite branca” e acenar com a bandeira do combate a corrupção. Daquele Lula, nada resta. O de hoje vive nos noticiários envolvidos em escândalos, mensalão, e CPIs no parlamento. Tem contra ele depoimentos de Marcos Valério e de outros intermediários engaiolados pela Polícia Federal.

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