Acompanhe nas redes sociais:

22 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 788 / 2014

17/09/2014 - 08:43:00

Médico diz que morte do filho no HGE foi negligência médica

Paulo Oliveira afirma que vai processar o Estado; formando em Direito, Hélio Oliveira tinha 28 anos e morreu devido à demora no atendimento pela unidade

Geovan Benjoino [email protected]

O médico clínico geral Paulo Oliveira disse que está contratando um advogado para processar o Estado por ter negligenciado assistência médica levando à morte o seu filho, o sociólogo, formando em Direito e estagiário da Advocacia Geral da União (AGU) Hélio Oliveira, de 28 anos, que foi levado recentemente ao Hospital Geral do Estado (HGE), com problemas cardíacos.

“Sei que o meu filho não volta mais ao nosso convívio físico, mas eu não devo me omitir diante do descaso que o levou à morte”, disse emocionado e indignado Paulo Oliveira, que trabalha no Estado há mais de 30 anos. “Sou médico concursado.

Há mais de três décadas que eu me dedico ao Estado e no momento que eu precisei dele para salvar a vida do meu filho, esse direito me foi negado. Isso dói fundo na alma e no espírito”, enfatiza.De acordo com Paulo Oliveira, a negligência médica começou no Ambulatório 24 horas Noélia Lessa, no bairro Levada, em Maceió, quando o filho (que morava nas proximidades) foi conduzido até a referida unidade de saúde, cujo médico plantonista estava ausente.

Após duas horas e trinta minutos de espera, apareceu uma enfermeira falando que precisava de um médico para preencher o encaminhamento do formando em Direito, mas que no momento o Ambulatório não dispunha. “Foi quando eu me apresentei como médico me propondo a preencher o encaminhamento, mas ela me disse que era impossível”, ressalta Paulo Oliveira.

A enfermeira revelou que a assistente social poderia fazer o procedimento, mas também estava ausente. Em seguida, a profissional de enfermagem retirou-se do local. Ao presenciar o fato, o segurança disse que liberaria a ambulância para transferir Hélio Oliveira para o HGE.

Ao chegar ao Hospital Geral, e realizada duas triagens, Hélio Oliveira recebeu a pulseira amarela (indicando que seu estado de saúde era grave) e foi encaminhado ao setor cardíaco. Lá, o formando em Direito permaneceu aproxidamente duas horas e trinta minutos aguardando a requisição para realização de Raios-X e coleta de sangue, segundo Paulo Oliveira.

Realizados os dois exames, o cardiologista do HGE prescreveu “Digoxina” e “Furosemida” e em seguida liberou Hélio Oliveira. Dois dias após a liberação, que não deveria ter acontecido, o sociólogo foi reconduzido ao HGE em estado de saúde gravíssimo.

Ao chegar à portaria do Hospital Geral o serviço de segurança tentou impedir a entrada do jovem, exigindo a ficha de triagem, gerando rápida discussão com o médico Paulo Oliveira, que, desesperado tentou agilizar o atendimento para o filho. Depois de alguns minutos, Hélio Oliveira foi para levado o interior do HGE. Horas após, um médico revelou o falecimento do jovem Hélio Oliveira, vítima de uma parada cardíaca provocada pela demora no atendimento, admitida pelo médico do HGE.

“Isso é revoltante. Eu não vou me conformar nunca. O mesmo Estado que revela que a morte do meu filho foi causada pela demora, é o mesmo que negligencia o atendimento médico”, ressalta Paulo Oliveira, invocando a Constituição Federal, que em seu artigo 196, afirma que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”, e o seu acesso é universal e igualitário, O médico destaca ainda o artigo 37 da Carta Magna, que, entre outras funções, ressalta os princípios da impessoalidade e eficiência no serviço público de qualquer esfera, o que não aconteceu no caso que vitimou o jovem. 


Racismo velado

Paulo Oliveira, além de ter perdido o filho, também sofreu racismo velado. O médico confidenciou que, tanto no Ambulatório 24 horas Noélia Rosa como no HGE, foi vítima de racismo disfarçado ao se apresentar como médico tentando desesperadamente ajudar o seu filho numa situação emergencial.

Os servidores do Estado o trataram com desdém. “Em algumas ocasiões eu me apresentei como médico não para exigir tratamento privilegiado, mas igualdade de direitos, como qualquer outro cidadão brasileiro, que paga os seus impostos e que na realidade, é quem sustenta esse país”, ressalta.“Se o HGE recebesse o filho do governador, de um senador da República ou de um deputado, trataria da mesma forma que tratou o meu filho?”, pergunta indignado Paulo Oliveira.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia