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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 788 / 2014

17/09/2014 - 08:33:00

Benedito de Lira: “Alagoas não merece mais ser enganada”

Candidato ao governo diz que acusações contra o filho, Arthur Lira, é feito pela “política pequena”

João Mousinho [email protected]

Segundo colocado na corrida ao governo do Estado, o senador Benedito de Lira (PP), o Biu, fala em entrevista ao jornal EXTRA sobre seus projetos para Alagoas, caso seja eleito, das polêmicas envolvendo seu filho, o deputado federal Arthur Lira, sobre gastos milionários de campanha e outros temas. Leia na íntegra a entrevista com Biu:


EXTRA - Qual o principal problema de Alagoas e como resolver?

Benedito de Lira – Alagoas é o melhor pedaço do Nordeste, lindo, cheio de belezas naturais e potencialidades, mas que não oferece as oportunidades que deveria ao nosso povo. Vou dinamizar Alagoas. E isso nós vamos fazer priorizando as áreas da educação, da segurança, da saúde e a geração de emprego e renda.

Educação será prioridade do meu governo porque tenho uma história muito ligada à Educação. Vim de origem humilde em Junqueiro e passei por muitas dificuldades para poder realizar meu sonho de estudar e me tornar advogado. Foi a educação que mudou minha vida. Por isso, vou priorizar as escolas em tempo integral, e também a informatização.

No horário depois da aula, vamos também inserir música, cultura, esporte e lazer na vida de crianças e jovens alagoanos. Queremos também investir em educação técnica para a juventude se profissionalizar e atender a demanda por mão de obra qualificada, pois vamos trazer para Alagoas novas indústrias, incentivando o turismo, desenvolvendo a agricultura, entre outros setores. Tenho certeza de que com a expansão da educação de qualidade, realizada por profissionais dedicados, vamos contribuir muito com a redução dos índices de criminalidade em nosso estado.

EXTRA - A segurança pública é outro aspecto negativo crônico em Alagoas. Como combater esse câncer social?

Benedito de Lira – Tenho dito e repetido: vamos inverter a ordem que existe hoje nas ruas, para que o cidadão recupere confiança e o bandido seja isolado. A segurança em Alagoas atingiu os piores patamares do país e não é possível continuar achando que o crime compensa. Temos que fortalecer a inteligência policial-militar e integrar todos os órgãos de segurança, Polícia Civil, Militar, guardas municipais, sistema penitenciário e Corpo de Bombeiros.

Tudo isso contando com o apoio do governo federal, não só com a Força Nacional, mas com um plano global de paz no país. Além disso, temos que combater, como estratégia, o crime organizado, fortalecendo instituições como o Conselho de Segurança, o GECOC, a 17ª Vara e outras iniciativas. Sou um candidato que não responde a nenhum processo. Assim, não tenho nenhum compromisso com a criminalidade, com a corrupção, nem vou ter.

Para isso, claro, teremos que mudar as formas gastas de combate ao crime, aumentar o efetivo repressivo e de polícia técnica, implantar uma política salarial compatível e garantir as condições de trabalho para a polícia. Precisamos desmanchar os ninhos de traficantes, que desovam filhotes para um comércio criminoso de drogas, que destroem famílias, homens, jovens, crianças, e criam verdadeiros enclaves sem lei, onde impera a violência mais brutal.

A repressão não pode ser cega, mas dispor de inteligência, pois se atingirmos os cabeças neutralizaremos os peixes pequenos. As polícias têm que proteger os cidadãos e cidadãs, e conquistar seu apoio nos bairros. Não é normal, repito, o cidadão ter que ficar preso em casa, com medo de sair às ruas. Quem tem que estar preso é o bandido. Mas, claro, não basta investir só na repressão, por isso no meu governo a educação será prioridade.

E vamos ter um cuidado especial com os jovens, para que não se repita a cena vergonhosa de ficarem enjaulados, como denunciou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, quando esteve em Maceió. Precisamos prevenir, com educação, trabalho e esporte para a juventude. E recuperar, para que não voltem às ruas e se transformem em ameaça permanente à sociedade. As escolas técnicas darão oportunidade aos adolescentes para se capacitarem e conquistarem vagas de empregos, que também irão crescer no meu governo.

EXTRA - Como o senhor avalia a saúde de Alagoas e qual seu projeto para a pasta?

Benedito de Lira - A saúde de Alagoas precisa, em primeiro lugar, de administração, aproveitar cada centavo para cuidar das pessoas, sem nenhum desperdício. O governador tem que acompanhar pessoalmente os programas e ações, pois se trata da defesa da vida. Aí, temos que descentralizar, para que o atendimento de base seja feito nos bairros e nos municípios. Depois, teremos centros regionais de média complexidade, para que só os casos mais graves, que necessitem de atendimento especializado, de alta complexidade, cheguem a Maceió e Arapiraca, por exemplo.

Nossa meta é ser referência em saúde no país. Daremos, também, atenção preventiva a crianças, adolescentes, idosos, mulheres, homens, gestantes e pessoas com deficiências, inclusive através de convênios com entidades filantrópicas. Temos que dinamizar o Programa Saúde da Família, além de colocar em funcionamento unidades móveis, para atender em bairros. Junto com os prefeitos, vamos encontrar uma solução para o financiamento das UPAS e construir as que não saíram do papel.

Ampliaremos os leitos, aproveitando a capacidade instalada, construindo novos hospitais e reformando os já existentes. Não teremos nenhuma dificuldade para trabalhar, também, com a rede privada de saúde. E vou controlar pessoalmente para que não faltem medicamentos. Isso sem contar o projeto de construir o Hospital da Mulher. Tudo isso será acompanhado de diálogo e uma política de valorização salarial para os profissionais da saúde, o que implica a contratação, principalmente, de mais médicos e enfermeiros.

EXTRA – O senhor tem um plano de governo. Caso eleito, quais suas principais metas?

Benedito de Lira - Temos uma plataforma de governo que está sendo amplamente debatida com prefeitos, Câmaras de Vereadores, bancadas de deputados estaduais e federais e com organizações empresariais, sociais e sindicais. Também vou abrir o Palácio de Governo e as secretarias para a sociedade e dar a vitalidade e o dinamismo de ma gestão popular.

Não quero um plano para ilustrar prateleira. Depois de selecionados os programas, projetos e ações, eles passarão a fazer parte do Plano Plurianual. Vou fazer um governo responsável, sem desperdícios. Não podemos perder trabalhos positivos como os que foram realizados pela Secretaria de Infraestrutura, por exemplo. Por isso, concluiremos as obras, programas, projetos e ações importantes que estão em desenvolvimento, inclusive aproveitando todo o pessoal possível, já capacitado para a atividade.

Mas é preciso também mudar o que está devagar ou não está dando certo. Vou trabalhar para levar desenvolvimento ao interior, porque é preciso descentralizar a renda, hoje concentrada na capital. Vamos criar polos de desenvolvimento regional, vamos potencializar o turismo, utilizar aquela maravilha que é o Canal do Sertão como ele precisa ser usado, levando água para beber e irrigar as terras dos agricultores para produzir alimentos.

EXTRA – O senhor estipulou gastos de milhões durante a campanha.  O senhor é a favor desses gastos, inclusive em outras candidaturas, sendo Alagoas um dos estados mais pobres da federação?

Benedito de Lira – O orçamento informado previamente ao TRE é apenas uma estimativa, não representa necessariamente o que será gasto. Estamos fazendo uma campanha franciscana, sem desperdícios, mas seria hipócrita dizer que as campanhas são baratas hoje no Brasil. Não é só em Alagoas, é em todo o país. Somente os gastos com comunicação e assessoria jurídica já somam milhões. Essa é a realidade em todo o país.

EXTRA – O senhor foi prefeito, vereador, deputado, portanto sabe das dificuldades financeiras enfrentas pelos municípios. Como governador é possível sanar o caos social nas regiões periféricas do interior?

Benedito de Lira – Como governador vou apoiar os municípios de forma permanente, para que o desenvolvimento alcance todas as regiões de Alagoas. Eu não quero saber de que partidos são os prefeitos, se votaram ou deixaramo de votar em mim. No meu governo, Alagoas será um estado só, unido pelo desenvolvimento.

Não vou permitir que nenhum hospital feche as portas por falta de recursos e vou levar educação em tempo integral para todas as escolas. Além disso, vamos criar escolas técnicas em todas as regiões, desenvolver o turismo e interiorizar a industrialização, gerando emprego e renda do litoral ao Sertão de Alagoas.

O governo tem que cobrar as responsabilidades dos municípios, mas também tem que estar presente, tratando todos de forma isonômica e garantindo os meios para que as regiões cresçam e se desenvolvam independentes da capital.

EXTRA - Muito tem se falado que os partidos menores estariam sendo utilizados como “laranjas” para atacar “A” ou “B”.  Como o senhor avalia essas colocações?

Benedito de Lira - Não cabe a mim falar sobre outras candidaturas, não importa se são duas, três ou dez. Tenho que me preocupar com a minha campanha e como as pessoas estão recebendo meu trabalho. Acho que por isso fui o senador mais votado de Alagoas na última eleição, porque minha principal preocupação sempre foi com as pessoas. Elas sentem os resultados dos meus serviços e retribuem com apoio à minha campanha para governador. Se há laranjas é porque alguém os contrata para fraudar a eleição. Esse nunca foi o meu caso. Ganho eleição pedindo voto, mostrando meu trabalho.

EXTRA – O setor sucroalcooleiro representou há décadas uma fatia importante na economia alagoana e hoje está em crise. O senhor pretende ajudar a reverter esse quadro? Como?

Benedito de Lira – O meu governo vai desenvolver e fortalecer a agricultura familiar em Alagoas, reciclando e profissionalizando a mão de obra, além de atrair novas indústrias e criar polos regionais de desenvolvimento.

Vou dinamizar a economia alagoana, descentralizando o PIB, que hoje está concentrado na capital. Com relação à agroindústria sucroalcooleira, será criado um grupo de trabalho multiparticipativo, que estude e pesquise objetivamente a situação atualmente vivenciada por esta atividade econômica, com foco no estado de Alagoas, cada vez mais prejudicado pela indefinição de uma política nacional, que está resultando na estagnação e diminuição do setor.

Há propostas de transformar o setor em sucroenergético, de aproveitar melhor a produção do etanol, combustível renovável cobiçado em todo o mundo. Vamos estudar as várias hipóteses, porque o governo do Estado não pode fingir que o problema não existe. Mas ao mesmo tempo, vamos dinamizar a economia, para que esta crise não impeça a geração de emprego e renda para os alagoanos.

Outro setor que tem grande espaço para se desenvolver com a mão de obra do setor sucroalcooleiro é a piscicultura, principalmente com a utilização do Canal do Sertão, no trecho que já está em operação, para, além de abastecimento para consumo humano, servir para irrigação das atividades econômicas da agricultura, pecuária e piscicultura, criando e implantando polos de irrigação e piscicultura. Ações como essas resultarão no fortalecimento da economia, geração de emprego e renda, fortalecimento da receita própria e melhoria da prestação dos serviços públicos. 

EXTRA – O vice-candidato ao governo na sua chapa é Alexandre Toledo, que foi secretário de Saúde na gestão Vilela. Muito tem se falado da continuidade na forma tucana de fazer política com seu grupo sagrando-se vencedor. O senhor representa o continuísmo?

Benedito de Lira – O PSDB tem candidato, vou continuar o quê? Alagoas não merece ser mais enganada. Todo mundo sabe que existe uma grande diferença entre indicar um gestor e controlar sua administração. Quem disser o contrário está tentando enganar o povo. Nunca houve ingerência minha nas decisões das pastas para as quais indiquei gestores.

Eu nunca tive a caneta na mão para decidir o que seria feito ou não no governo. Porque quando eu tiver, quando eu for governador, os secretários que não cumprirem o plano de governo não vão permanecer nos seus cargos. No caso do Alexandre, ele mesmo pediu para deixar o cargo quando percebeu que as decisões para fazer o que precisava ser feito pela Saúde estavam acima dele e não eram tomadas.

Quero ser candidato para melhorar Alagoas, porque estou preparado para isso. Sempre assumi e cumpri meus compromissos. O povo, que conhece a minha trajetória de vida, sabe disso, e grita nas ruas “Biu Governador”, “Biu, você tem o meu apoio”, “Biu, você tem meu voto”, “Biu resolve”. Isso é confiança em um trabalho sem manchas, ficha limpa.

Onde vou tenho sido bem recebido e fico feliz de receber o agradecimento pelo resultado de minha dedicação para superar crises. O que fiz como vereador, deputado estadual e federal e como senador é reconhecido pelas pessoas, tanto na capital como no interior. No meu governo, vou melhorar educação, saúde, segurança. Vou gerar emprego.

Estou preparado para começar a trabalhar muito antes de tomar posse. Mas uma coisa quero deixar claro: não vou abandonar nenhuma obra iniciada que contribua para o desenvolvimento de Alagoas.

EXTRA – O seu principal oponente lidera as pesquisas com ampla vantagem, segundo a última pesquisa. O senhor acredita numa reviravolta nessa reta final?

Benedito de Lira – Os números apresentados pelas pesquisas já eram esperados, mas já houve mudança no comportamento do eleitor após o início do guia eleitoral de rádio e TV, pois a população está tendo a oportunidade de realmente conhecer os candidatos e seu histórico de trabalho, fazendo as devidas comparações e escolhendo de fato o seu futuro governante.

Agora o povo pode ver quem apenas fala e quem já fez e continua fazendo. Nas ruas, já faz tempo que sentimos a evolução desse cenário, com o apoio maciço da população em caminhadas e carreatas, tanto na capital como no interior do estado. É nas ruas que vejo o resultado do meu trabalho ao longo de mais de 50 anos, vejo o reconhecimento da população. Esta será a eleição do povo, vamos ganhar a eleição com a força do povo alagoano.

EXTRA – Seu filho Arthur Lira, que é deputado federal, é acusado de uma série de ilícitos. O senhor acredita que isso tem prejudicado seu desempenho eleitoral?

Benedito de Lira – São acusações da política pequena. Para começar, não existe prejuízo. Primeiro, porque Arthur é um candidato legítimo, com atuação reconhecida como deputado federal. Depois, porque o que o povo reconhece nas ruas é o meu trabalho, o que fiz ao longo da minha vida pessoal e política.

Como senador, assim como deputado e como vereador, sempre pautei minhas ações para melhorar a vida dos alagoanos, principalmente daqueles que mais precisam. Sou ficha limpa. Não respondo a nenhum processo. De Brasília, trouxe mais de R$ 1 bilhão de recursos para o governo e para os municípios.

Até os meus adversários reconhecem isso. Contribui para melhorar a mobilidade urbana na capital, quando trouxe recursos para implantar o VLT, que hoje vai do Centro a Rio Largo, além de estar lutando por recursos para o VLT da Fernandes Lima, que irá do aeroporto ao shopping Maceió, passando pela UFAL.

Ajudei a construir milhares de casas em Alagoas, mudando a vida de famílias de todas as regiões. Trouxe para Alagoas também recursos para diversas obras de saneamento, inclusive em Maceió, onde a região do Vergel foi amplamente atendida, reduzindo a poluição na Lagoa Mundaú.

Quando fui presidente da Assembleia e da Câmara de Maceió, criei Planos de Cargos e Salários para os servidores, porque nenhum órgão público funciona sem servidores motivados. Também ajudei a fundar escolas, hospitais, e desenvolvi projetos para trazer desenvolvimento e melhorar a vida de homens, mulheres, pessoas com deficiências, crianças, idosos e jovens de todas as regiões, idades e segmentos da sociedade.

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