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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 788 / 2014

17/09/2014 - 08:20:00

O poder das palavras

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Os programas eleitorais são inevitáveis torturas. Mesmo assim pensando, imponho-me assisti-los com o fito de exercitar a crítica que me levará ao voto consciente. Divirto-me às vezes com as diatribes dos candidatos, aqueles que sei estarem mentindo, ou com outros singularmente histriônicos, seja no falar ou no gesticular.Movido por esse espírito crítico, dediquei-me, desde segunda-feira a assistir as entrevistas de três candidatos a governador à TV-Pajuçara.

Ainda não assisti aos demais, porquanto o prazo para fechamento do jornal não permite maior dilação. Assim, esta crônica tem como mote as entrevistas dos três primeiros candidatos.RENAN FILHO (08/09) – a despeito de ser jovem bem articulado não consegue, ao meu ver, transmitir segurança no que afirma.

Peca por exacerbado narcisismo adolescente, parecendo esperar aplausos a cada fala sua, que certamente considera genial. Não o é, findando por produzir um discurso vazio, sem profundidade alguma. Confrontado com o fato de que empresa enrolada no mais recente escândalo da Petrobrás houvera contribuído para sua campanha, não conseguiu superar o lugar comum do uma coisa nada tem a ver com a outra. Fico a imaginar se lhe tivessem, os jornalistas, indagado sobre o interesse de tal empresa em financiar campanha política em Alagoas, Estado onde ela não existe.

A mesma velha prática usou quando inquirido sobre a inclusão do nome de seu ilustre pai em malfeitos da Petrobrás: seriam apenas alegações de um preso, sem provas, e que, ao final, serão desconstituídas. No plano dos feitos e do que vai fazer, revelou com evidente vibração, ter construído um centro hospitalar e um centro profissionalizante, obras que parecem ter preenchido todos os seus oito anos como prefeito de Murici, reduto familiar.

Eleito, expandirá a ideia do centro hospitalar, construindo mais dois em regiões do Estado. Resolver os prementes problemas de Alagoas? Disse confiar no seu “papo”, que considera envolvente, para convencer o governo federal a investir aqui, assim como tem convencido, disse, o eleitorado.

JULIO CESAR (09/09) – surpreendeu-me o candidato do PSDB solitário.Jovem também muito articulado, foi bastante objetivo, seja na crítica aos problemas do Estado, ou na proposta de realizações, caso chegue ao governo. Não enveredou pelo lugar comum de produzir promessas mirabolantes, bem como usou retórica mais “pé no chão”. Pena que lhe faltam apoios eleitoralmente significativos.BENEDITO (BIU) DE LIRA (10/09) – o experiente político consumiu três dos seus dez minutos a reagir às agressões que diz vir sofrendo do adversário pemedebista.

Nesse particular difícil é saber quem agride quem dentre os dois. Contraditoriamente, a revolta demonstrada pelo candidato pode ter calado no espírito do eleitor como sentimento sincero. Lembremo-nos que a média dos eleitores aprecia candidato agressivo. Quanto ao item propostas de governança, a sensação é que lhe faltam ideias inéditas, assim como também aos demais concorrentes. Ouvindo-os, parece que combinaram o discurso.

Isso, porém, não é a falha principal das campanhas postas, mas a falta de sinceridade de alguns ao analisar as agruras sofridas pelos alagoanos, porquanto as soluções básicas serão as mesmas: aparelhar a segurança, a saúde e a educação. O que se pergunta ao BIIU e aos demais, é o que pretendem implementar de novo para o desenvolvimento do Estado.Bem, pelo andar da carruagem eleitoral, estamos fadados a votar no menos ruim. E aí a dificuldade final apresenta-se: quem é o felizardo?    

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