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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 788 / 2014

16/09/2014 - 17:16:00

JORGE OLIVEIRA

Brasil à deriva

Vitória - Dilma manda um recado direto aos companheiros petistas quando se afasta de Guido Mantega, o mágico da economia, que deixa o governo com os piores índices econômicos desde o Plano Real, quando Itamar Franco estabilizou a economia do país. Dilma avisa a cúpula do PT de que está disposta a governar no segundo mandato sem a interferência direta dos capas pretas petistas.

Se for eleita, Dilma acena com mudança radical na área econômica. Quer e pretende fazer um segundo governo com a sua marca, livrando-se da muleta do Lula que a sustentou durante os últimos quatro anos.Guido Mantega chegou ao ministério da Fazenda sem um currículo adequado às funções. Credenciou-se para o cargo sem brilhantismo. Apenas por ser o formulador econômico do PT.

Defendeu teses medíocres e afundou o país numa recessão. Assumiu o ministério depois que o doutor Antonio Palocci deixou o cargo acusado de atos de corrupção. No cargo, esforçou-se em defender a indústria automobilística de quem foi um lobista incorrigível.

Defendeu e estimulou o consumo como forma de gerar emprego e estabilizar a economia, mas o que provocou de verdade foi uma inadimplência de 1 trilhão de reais das pessoas físicas. A Dilma, ao lado de Mantega, administrou o país com muita incompetência. Foi conivente com os erros dele e agora, em plena campanha, anuncia a sua saída do ministério.

Como sempre, age com irresponsabilidade porque ganhando ou perdendo, o país fica à deriva durante os quatro meses restantes do ano. Dilma ainda não mediu as consequências do seu ato que é demitir um ministro da Fazenda na trajetória de uma campanha política, no momento em que todos os dados econômicos evidenciam um país indo para o buraco.Mantega é da cota do Lula, a quem se reportava quando tinha que tomar decisões no ministério.

Nos últimos anos, atuava mais como office-boy da indústria automobilística do que mesmo defendendo os interesses do país. Tentou, por exemplo, defender as montadoras que se negavam instalar os airbags nos carros populares. Esqueceu-se, por conveniência, das milhares de mortes em acidentes de trânsito provocadas pela falta desse item de segurança.Guido Mantega gera desconfiança no mercado internacional. Suas previsões de estabilidade econômica e controle da inflação nunca se confirmaram. Por isso, era visto entre os ministros de economia do primeiro mundo como figura decorativa, que não tinha gerenciamento sobre os rumos do país.

Pressão

Mas, na verdade, Mantega deixa o governo por pressão dos grandes empresários financeiros que perderam a confiança nele. E o recado chegou aos ouvidos de Dilma. A presidente então decidiu pela demissão do seu auxiliar mas de olho também na reeleição e na composição futura do governo se for vitoriosa. Quer tentar fazer uma nova administração sem a interferência dos capas pretas, hoje jogados na lama da corrupção. Dilma, porém, precisa atravessar o “Setembro Negro”, as nuvens negras que se formam à sua frente até o segundo turno das eleições. E a Marina chegou pra botar água no seu chope. 

Petróleo do PT

Ainda é difícil dimensionar o tamanho da rachadura no prestígio da Petrobrás lá fora, uma das maiores empresas brasileiras e a primeira da América Latina. Como aves de rapina, a petezada levou a sério “o petróleo é nosso” e aparelhou a empresa. O Partido dos Trabalhadores indicou diretores para gerenciar a Petrobrás que se mostraram danosos ao patrimônio da empresa. Os escândalos – que agora aparecem na imprensa – começaram com a compra da refinaria Pasadena, no Texas, quando Dilma era presidente do Conselho da Petrobrás, e se acentuou com a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.


Propinoduto

Agora, com a delação do diretor Paulo Roberto Costa, é que se percebe como a Petrobrás foi administrada com irresponsabilidade pelos últimos presidentes que por lá passaram. Bilhões de reais saíram dos cofres da empresa para irrigar o propinoduto de políticos. Não adianta a presidente Dilma dizer que nada sabia sobre o desvio bilionário porque o delator entregou, entre outras pessoas, João Vaccari Neto, o chefe das finanças da campanha dela na primeira eleição e agora na reeleição.

Irresponsável

Quando tentou se defender das acusações da compra superfaturada de Pasadena, Dilma disse que errou ao assinar o documento que fecharia o negócio danoso a Petrobrás. Teria sido iludida pelo diretor Paulo Roberto Costa a quem coube fechar o negócio. Ora, não se concebe que alguém aprove a compra de uma refinaria por mais de um bilhão de dólares sem saber o que está assinando. Como os brasileiros pode ser chefiado por uma pessoa que confessa tamanha irresponsabilidade com o dinheiro público?

Condenação

Além disso, por pouco não teve seus bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União que foi leviano ao não enquadrar os verdadeiros responsáveis pelo rombo na Petrobrás. Condenou alguns diretores, mas deixou de fora a presidente Maria das Graças Foster e a Dilma, à época presidente do conselho. Volta-se a se perguntar: como a Petrobrás ainda continua a ser presidida por alguém que por pouco não teve os bens bloqueados pelo TCU? 

Escândalos

A verdade nua e crua é que a corrupção está no cardápio dos petistas há doze anos. Começou quando um assessor especial do José Dirceu tentou achacar um bicheiro. Depois, com o derrame de dinheiro nas contas dos políticos adeptos do governo, no escândalo que se chamou mensalão, e levou para a cadeia a cúpula do partido. De lá pra cá, não parou mais. Vire e mexe, a roubalheira ocupa as principais páginas dos jornais. E a Dilma faz cara de paisagem, finge que nada é com ela, como se a corrupção fizesse parte da moldura que contorna os presidentes petistas que ocuparam ou ocupam o Palácio do Planalto. 


Corrupção

Ao entrar no governo, Dilma ensaiou uma faxina ética. Tirou dos cargos seis ministros acusados de corrupção. Meses depois, cedeu às pressões do próprio PT para reintegrar representantes dos partidos nos mesmos ministérios. Afinal de contas, o PT precisava manter uma base sólida no Congresso Nacional e a Dilma também iria precisar de mais alguns minutinhos na TV para os seus programas políticos. É assim que a coisa funciona no Brasil. E é assim que continuará a funcionar se o eleitor não acordar em outubro deste ano.

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