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Edição nº 787 / 2014

10/09/2014 - 09:42:00

Candidatos sem propostas apelam para compaixão dos eleitores

Apelo vem de toda forma, em busca da reeleição ou dos tão sonhados votos para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados

DA REDAÇÃO

Para chamar a atenção dos quase 2 milhões de cidadãos aptos a votar em Alagoas, alguns candidatos aproveitam os poucos segundos de participação na propaganda eleitoral do rádio e da televisão e até mesmo as redes sociais e apelam para a compaixão dos eleitores usando a deficiência e outras sequelas como trunfo ou bandeira de luta.  Sem propostas concretas, o apelo vem de toda forma, tudo em busca da reeleição ou dos tão sonhados votos para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Vale até afirmar que o atentado que sofreu fez mudar a vida;  outro diz que o erro médico de que foi vítima só o fortaleceu; alguns recorrem à amizade com pessoas já falecidas; e, outros  adotam até o nome de instituições como sobrenome.

É o caso de Nivaldo Albuquerque, 26 anos, que pretende se tornar deputado federal e concorre pelo PRP (Partido Republicano Progressista). Durante exibição na TV, uma apresentadora afirma que o jovem assumiu o legado político da família após ter sido vítima da violência; foi alvejado com cinco tiros e “isso mudou sua vida”. Ela se referia ao ataque que o filho do deputado Antônio Albuquerque sofreu em 2012, quando foi baleado por um bando em uma fazenda da família. Com slogan “do Sertão ao Litoral, Nivaldo Albuquerque é Federal”, ele se apresenta nas redes sociais como o candidato que representa a juventude de Alagoas.

Quem aparece como exemplo de amor à vida é a deputada Taise Guedes, do Partido Social Cristão (PSC). Mesmo com uma campanha pouco criativa, ela também explora a popularidade do Facebook para angariar votos. A candidata já ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores de Maceió e atualmente é deputada estadual e disputa a reeleição. Sua estratégia é se apresentar com seu gabinete móvel entregando cadeiras de rodas e colchões de água e defender uma lei que garante atendimento veterinário gratuito a animais de pessoas carentes. Tentar mexer com o emocional da população é uma ferramenta proibida por lei, mas parece que alguns candidatos desconhecem o fato.

A  Lei nº 7.476/86, em seu artigo 242, é clara ao dizer que “a propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, não deve empregar meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais”. Mas cada um usa o artifício que acha conveniente para atrair a preferência do eleitor. Candidata à reeleição de deputada federal,  Rosinha da Adefal (PTdoB) aposta na defesa da inclusão social e no  slogan “Em favor de nosso povo.

Alagoas não será a mesma”. Sua rede social está recheada de ações que ela diz ter realizado durante o mandato, mas tem sido criticada por alguns membros da instituição que dizem que as pessoas não devem se deixar levar pela emoção e palavras bonitas e cobram a promessa de campanha anterior  de trazer um centro de reabilitação, além de questionarem qual  a promessa desse ano político que ela ira fazer. À medida que o processo sucessório alagoano se aproxima da reta final, o esforço de catequizar o eleitor é mais visível.

E justiça seja feita: há candidatos que mesmo sem expressão no cenário político mostram conhecimento da realidade para apresentar ao eleitor. É o caso do médico  cardiologista Hemerson Casado, candidato a deputado federal pelo PMDB e  portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), sendo hoje o maior expoente da doença em Alagoas. Com o slogan “Agora eu tenho em quem votar”, sua campanha nas redes sociais o tem ajudado a conquistar novos adeptos.  Inúmeros depoimentos de pacientes com testemunhos de que ele salvou suas vidas são postados diariamente.

Outra estratégia é responder aos questionamentos enviados pelos seguidores. “Quero continuar ajudando a população alagoana, agora de um jeito diferente, mas com o mesmo amor”, afirma.Paralelo ao processo eleitoral, ele critica a campanha do desafio do balde de gelo, que foi criada nos EUA para arrecadar fundos para o combate à ELA, que no Brasil virou hit entre os famosos, mas que ele considera ter sido desvirtuada. O paratleta Lucas Costta, do PPS, já disputou uma vaga na Câmara Municipal de Maceió.

Não obteve êxito e agora busca uma vaga na Câmara Federal. Integrante da equipe de basquete em cadeira de rodas de Alagoas, o candidato aposta no esporte, educação e saúde para ganhar adeptos a sua candidatura. Nas redes sociais, chama os seguidores para debater ideias e propostas e assim “construirmos juntos um novo jeito de legislar”. 


IRREVERENTE

Cansado das artimanhas políticas atual, inclusive do seu partido, o PMDB, o irreverente Zé Muniz não será candidato dessa vez. Sem papas na língua, ele usava o guia eleitoral para arrancar gargalhadas das pessoas. Dessa vez, explica em vídeo o motivo de sua ausência no pleito e detona alguns políticos do Estado. Em busca de um mandato desde 1970, e depois de ter participado de 13 eleições e perder todas, o  agora  apenas eleitor diz que cansou dessa situação, pois vem de “uma época em que fidelidade partidária não era penduricalho de luxo, mas coisa de político com palavra”. 


REDES SOCIAIS

No dia 5 de outubro, os brasileiros vão às urnas para eleger o presidente da República, deputados federais e estaduais, senadores e governadores, numa eleição em que a força das redes sociais pode fazer a grande diferença, mais até do que o corpo a corpo e a TV.

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