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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 787 / 2014

10/09/2014 - 08:41:00

Bom dia, boa tarde e até logo

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Vivemos num mundo violento que nos causa medo de qualquer maneira. Ficar em casa é perigoso, sair às ruas muito mais.   

 Isso gera uma comunidade arredia que tem medo de tudo. Se estamos dirigindo e uma moto se aproxima do carro, logo pensamos ser um assalto. Quando entramos no elevador, poucas pessoas dão bom dia ou boa tarde. Parece que ali se encontram vários inimigos.

Nessa época do ano os políticos beijam e abraçam os eleitores. Depois de eleitos não atendem telefone, não cumprimentam ninguém, esquecem-se das promessas e viram pessoas diferentes. De vez em quando, o Homem lá de cima puxa os cordões e mostra aos políticos que eles são simples mortais.     

Outro dia, um parlamentar me deu dois números de celulares seus. “Ligue-me quando puder, estou às ordens”. Não atende nem aos parentes próximos, que dirá a mim, uma pobre velhinha.   

 Lembram-se do Lula quando começou a militar na política? Um moço humilde, simpático. Hoje, parece outra pessoa: roupas finas, anda de avião para todo lado, faz palestras caríssimas pelo Brasil inteiro. O que me intriga é saber o assunto abordado pelo ex-presidente dirigindo-se às plateias mais distintas.     

Divirto-me quando passo em aeroportos e vejo políticos se deslocando em salas separadas, parecem que temem o encontro com o povo.     Estive no TJ dia desses e fiquei impressionada com os desembargadores me cumprimentando de longe. Uma amiga estava comigo e ficou espantada, mas achei bom.Os novos juízes estão ficando mais leves.      

Fui ao Recife assistir à posse da diretoria do Instituto do Ministério Público, da qual minha filha Ana Rúbia é vice-presidente. É uma entidade cultural do MP/PE,cujo objetivo é difundir a cultura entre promotores e procuradores. Muito interessante ver os moços e moças da Procuradoria Geral de Justiça cantando, recitando, tocando piano, lendo cordel. O procurador-geral de Justiça, dr. Agnaldo Fenelon, simples, culto, educado, tratando os presentes gentilmente, sem nenhuma vaidade, sentindo-se uma pessoa normal.     

Conheci um ex-deputado que andava pelas ruas do comércio, com uma carteira embaixo do braço, conversando naturalmente com as pessoas que passavam. Depois de eleito deputado e presidente da ALE virou outra pessoa: vaidosa, mentirosa e pedante.   

 Ponto para Heloísa Helena. Já foi deputada, senadora, vereadora, mas nunca mudou a postura. Anda livremente pelas ruas da cidade, fala com todo mundo, não é seguida por guardas costas. Encontrei-a em São Paulo e conversamos naturalmente.     As pessoas não entendem que passamos pela vida e dela nada levamos. Tudo fica: dinheiro, poder, vaidade.     

Fui menina na Av. Fernandes Lima, na época em que o Farol era bairro de elite. Meu pai era servidor público e minha mãe uma dona de casa. Vivíamos cercados de usineiros, médicos, políticos, advogados e industriais. De tanta gente que se achava importante, marcou-me a humildade e a gentileza de Carlos e Laura Gomes de Barros e seus filhos. Uma das vizinhas encontrou-me já adulta e disse orgulhosa: ¨Lembro-me de você – era a loirinha, filha de Dona Salvelina. Vocês eram tantos que dava para serem cobertos com uma cesta”. E riu! Morreu quase louca!!!   

 Essas lições de vida passo para meus filhos e netos, mostrando-lhes que a vida é passageira, a morte chega para todos, ninguém é melhor do que ninguém e quem faz maldades na terra, aqui mesmo paga por elas.     

Vem à minha cabeça as célebres palavras de meu neto Cássio, quando o chamávamos para cumprimentar os amigos:¨Bom dia, boa tarde e até logo. Gostou,vovó? 

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