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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 787 / 2014

10/09/2014 - 08:33:00

A incrível mudança com os mesmos

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras.

Antigo professor meu, de saudosa memória, escreveu ser o homem, dada a sua incompletude, o mais frágil dos seres. Apesar dessa fragilidade, dotado de vivaz inteligência surgiu, nasceu, foi criado com a missão de completar-se através dessa mesma inteligência. Tal tese traz ínsito o reconhecimento do dinamismo que caracteriza o ser humano, mais do que sob um prisma meramente físico, mas sobretudo intelectual, o que sem dúvidas envolve aperfeiçoamento moral. Aquela incompletude humana acima dita faz com que todos nós estejamos sujeitos ao cometimento de erros, de equívocos e até de desvios ético-morais. Tudo isso é lamentavelmente possível graças à natureza humana.

Quem nunca ouviu o adágio antigo “errar é humano; permanecer no erro é diabólico”? Ou não conhece aquelas palavras de Cristo, transformada em aforismo: “Quem jamais pecou atire a primeira pedra”?A essa altura da crônica o caro leitor há de indagar sobre o propósito do filosofar tupiniquim.

E, como quase sempre com justa razão, estranha o “andar da carruagem”. Cumpre-me, então explicar: a política é meio fértil para todo pensamento, inclusive para todos os ditos populares. E a política alagoana não escapa à regra. Até a potencializa, a ponto de fazê-la parecer regra primária, básica, do comportamento dos nossos políticos.Há meses, com a aproximação deste ano eleitoral, uma oposição, antes quase calada e quase ausente, até mesmo fisicamente, aflorou adquirindo ululação (preferia ululância, palavra inexistente no vernáculo).

Digo quase ausente, porquanto antes apenas poucas vozes de opositores ao atual governo estadual eram por aqui ouvidas, restritas, a bem da verdade, a líderes sindicais e a um ou outro deputado estadual. A necessidade eleitoreira resultou em bom fruto, animou os opositores, mesmo aqueles que durante seus mandatos em Brasília pouco vinham ao Estado, agora noticiadamente com presença constante à cata de votos e no exercício de crítica aos governantes atuais.

Tenho como princípio que governo é o conjunto de órgãos que exerce o poder político no Estado. Ora, esse exercício do poder político é distribuído por todos aqueles que, EM NOME DO POVO, ocupam os diversos cargos públicos, sejam eletivos ou não; neste último caso, a referência é ao Poder Judiciário.

Seguindo esse entendimento, a responsabilidade de governar é de todos, não apenas do presidente ou do governador. Lamentavelmente, não parece ser assim com os nossos políticos. Acomodam-se em seus cargos durante todo o mandato e, sempre às vésperas de eleições lembram-se do povo, verberando críticas às mazelas do governo (Poder Executivo), ladinamente esquecidos que são, todos eles, também responsáveis pelas agruras sofridas pela sociedade civil, pois o silêncio e a omissão anteriores permitiram o atual descalabro na segurança, na educação e na saúde pública. A pergunta que não cala: como mudar com esses mesmos, se eles não mudam?  

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