Acompanhe nas redes sociais:

26 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 787 / 2014

10/09/2014 - 07:54:00

JORGE OLIVEIRA

O fenômeno Marina

Vitória - Gostaria de pedir desculpas aos meus dez leitores pela minha ausência nas últimas duas semanas. É que estive envolvido em outras tarefas e fui consumido pelo tempo. Mas vamos ao que interessa. O brasileiro precisa se preparar para viver momentos de apreensão se realmente as urnas confirmarem o nome de Marina Silva como presidente da república. Sem base partidária, Marina pode enfrentar dificuldades no Congresso Nacional para compor alianças e seguir governando com os petistas no seu calcanhar. Como nada ainda está definido, surpresas desagradáveis ainda podem ocorrer até o final das eleições.

A petezada, que está no poder, não vai entregar a rapadura facilmente. Marina, até lá, será alvo de ataques violentos, terá sua vida devassada e a sua história no Ministério do Meio Ambiente remexida até as últimas gavetas. Do jeito que as coisas estão, Marina pode se transformar num fenômeno eleitoral.

Diria até semelhante ao do Collor quando chegou a presidência da República. No caso dela, a fatalidade a está levando ao primeiro lugar nas pesquisas com perspectiva real de chegar ao poder. No caso de Collor, a insatisfação dos brasileiros com Sarney e a sua inflação cavalar levaram uma multidão a consagrar o seu nome. Dois anos depois, Collor deixava o poder por força de um impeachment. Como Marina, Collor não tinha base política no Congresso Nacional.

Vinha de um partido nanico e tentou aplicar o discurso do desprezo pelos políticos da campanha no dia a dia da administração do país.O fenômeno Marina está cegando os eleitores brasileiros, cansados e frustrados com a política e com os políticos. Não acreditam que pelas mãos dos políticos tradicionais o Brasil vai se moralizar.

Perdeu a esperança nesses políticos quando foram surpreendidos com o mensalão do PT e os casos de corrupção que pipocam diariamente no governo da Dilma. Preferem a Marina, com seus gestos messiânicos, a um Aécio, ainda jovem, mas com cara de político antigo.

Olham para Dilma com desconfiança e já estão convencidos que de gerentona ela não tem nada. Tudo não passou de um trabalho de marketing competente que a transformou na mãe do PAC que no seu governo não decolou.A partir da próxima semana estamos a apenas dez programas políticos. Na metade deste mês, se não acontecer um fato que abale a candidatura da Marina, ela certamente vai estar no segundo turno.

Pelo andar da carruagem vai encarar a Dilma de frente que chegará fragilizada à disputa porque certamente terá menos votos do que a Marina. E se isso realmente ocorrer, os petistas podem dar adeus ao poder porque, no segundo turno, a Marina vai traçar a Dilma por uma larga vantagem. Afinal de contas, não só a massa eleitoral estará do seu lado, como a oposição em peso vai apoiá-la para quebrar do poder o Partido dos Trabalhadores.

Indecisos

É bem verdade que a Marina se aproxima de dobrar os vinte milhões de votos que teve em 2010. Trouxe para ela uma quantidade imensa dos indecisos, abocanhou um pedaço dos votos do Aécio e arrasta de rodo os votos da Dilma, derrotando-a no segundo turno por uma margem muito grande de votos. Como a comoção pela morte de Eduardo Campos já passou, o que se percebe é que Marina se consolida como a mais forte candidata a presidente da república. Ou seja: virou candidata com personalidade própria e votos próprios.


Rejeição

A rejeição cavalar da Dilma está ajudando Marina a seguir em frente. E para piorar, os marqueteiros da candidata cometeram um erro infantil na campanha dela. Em vez de primeiro trabalhar no conceitual da campanha, tentando fixar o nome dela como uma presidente atuante, determinada (“Coração Valente”) , optaram por mostrá-la com uma maquiagem carregada que a remetia o museu de cera de Londres.

Piorou

A rejeição da Dilma disparou no Brasil e principalmente em São Paulo. Chegou aos números estratosférico de mais de 50%, uma tragédia para quem, como ela, tenta a reeleição. Como não consegue se articular, tem dificuldade para juntar frases que deem sentido a um pensamento inteligível, vai ter dificuldades nos debates com a Marina, que fala macio e tem um discurso decoreba mas com começo, meio e fim. Como está treinada por economistas competentes, Marina consegue traduzir o economês com muita facilidade.


Arrastão

Quem pensa que a Marina vai transferir votos para aliados nos estados, pode tirar o cavalinho da chuva. O eleitor sabe muito bem distinguir uma eleição de governador de uma eleição presidencial. Assim, fica difícil para alguns candidatos a governador casar suas eleições com a dela.  
Transferência

O voto da Marina é dela e de mais ninguém. Não faz muito tempo, tivemos um exemplo claro de que ela não consegue transferir votos. Enquanto permaneceu vice de Eduardo Campos, o candidato patinou nos 9% e parecia não ter chances de decolar. Ao se declarar candidata, logo os votos apareceram e ela lidera as pesquisas em todo o país.

Voto útil 

Marina também arrasta o voto útil. É o voto solto, aquele que adere ao candidato que tem chances de vitória. No lançamento da candidatura, ela não mexeu nos votos da Dilma nem do Aécio. Cresceu com os votos dos indecisos, mas ao se firmar como candidata foi buscar uma boa fatia dos eleitores dos seus concorrentes, surpreendendo-os. 


Erros

Aécio está perdido. Não sabe por onde recomeçar a campanha, já que antes da morte de Eduardo Campos tinha esperanças de disputar o segundo turno com Dilma, consolidada na primeira posição entre os candidatos. Agora, refaz as contas e muda a estratégia para tentar respirar enquanto pode, pois se depender dos eleitores Marina e Dilma disputam o segundo turno com chances reais de vitória para Marina, como mostram as pesquisas mais recentes. Mais uma vez, os tucanos vão ser coadjuvantes do processo eleitoral.


Pessimismo

Marina ainda terá contra ela, caso chegue a presidência, uma herança maldita da Dilma que deixa um país a beira da recessão econômica, depois de uma política equivocada dos petistas que durante muitos anos incentivaram o consumo e endividaram os brasileiros em mais de 1 trilhão de reais. E Guido Mantega, o mágico, ministro da Fazenda, continua fazendo previsões fantasiosas para um país que ele já quebrou.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia