Acompanhe nas redes sociais:

22 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 786 / 2014

03/09/2014 - 10:05:00

Presidentes da Assembleia acusados de corrupção são premiados com vagas no TC

Fernando Toledo vai assumir vaga de conselheiro; Antônio Albuquerque e Celso Luiz emplacaram irmã e esposa

João Mousinho [email protected]

A vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado há décadas vem sendo a menina dos olhos dos deputados estaduais de Alagoas. Na história recente da Assembleia Legislativa do Estado três presidentes da Casa emplacaram suas vagas na Corte de Contas: os ex Antônio Albuquerque, Celso Luiz e agora Fernando Toledo. Dos três presidentes citados apenas Fernando Toledo irá ocupar de fato a vaga de conselheiro.

Antônio Albuquerque emplacou sua irmã Rosa Albuquerque em 2007 como conselheira da Corte.  Celso Luiz que também comandou a Casa de Tavares Bastos fez sua esposa, Maria Cleide, vulgo Cláudia Brandão, conselheira do Tribunal de Contas.As coincidências de os últimos presidentes da Assembleia terem sido “premiados” com vagas de conselheiros também tem outro quesito: todos são acusados de corrupção quando estiveram no comando do Legislativo Estadual. Rosa Albuquerque foi a primeira mulher a assumir uma cadeira na Corte de Contas do Estado no dia 22 de novembro de 2007.  

Ela ocupou a vaga de Edival Vieira Gaia que se aposentou. Vale lembrar que menos de um mês da posse de Rosa, seu irmão, então presidente da Assembleia, Antônio Albuquerque, foi alvo da Operação Taturana da Polícia Federal que desbaratou um esquema de desvio de dinheiro público da Casa Legislativa. Segundo a PF, a quadrilha formada por deputados se apropriava de recursos da Casa através da folha de pagamentos, com a inclusão de funcionários fantasmas e laranjas.

Os envolvidos também declaravam à Receita Federal retenções de Imposto de Renda em valores superiores aos efetivamente retidos, além de se beneficiarem das restituições do IR feitas aos falsos funcionários.Outro líder da Taturana, que se beneficiou dos mais de R$ 300 milhões surrupiados dos cofres públicos da ALE, Celso Luiz, conseguiu fazer sua esposa, Maria Cleide, conselheira do Tribunal em janeiro de 2009. Ela tomou posse às pressas, em solenidade a portas fechadas. 

A posse de Cláudia Brandão, que na verdade se chama Maria Cleide Costa, além de imoral foi ilegal, pois a conselheira não atende aos critérios estabelecidos pelas constituições Federal e Estadual. Entre outras exigências, o cargo de conselheiro exige de seu ocupante a comprovação de 10 anos de vida pública limpa, o que não é o caso de Cláudia Brandão, ou Maria Cleide, integrante da famigerada Folha 108, que usurpava o dinheiro público.

 Afastado e acusado de corrupção 

Toledo também não foge à regra de presidentes acusados de corrupção que loteiam o TC. Em outubro de 2013, o juiz Alberto Jorge acatou parcialmente o pedido de afastamento dos integrantes da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas, da qual Fernando Toledo é presidente. 

No dia 25 de junho, ainda em 2013, o deputado João Henrique Caldas convocou uma coletiva de imprensa e apresentou documentos que indicariam irregularidades na movimentação bancária da Assembleia Legislativa. Segundo ele, foram R$ 4,7 milhões sacados sem justificativa no ano de 2011.

O procurador-geral de Justiça Sérgio Jucá instaurou um inquérito civil para investigar o conteúdo da representação enviada ao MP pelo parlamentar, que denuncia irregularidades na movimentação bancária da ALE. Mais uma vez fortes indícios apontam a participação ativa de um presidente da ALE em episódio de corrupção e que irá compor o seleto conselho do Tribunal de Contas de Alagoas. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia