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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 786 / 2014

03/09/2014 - 09:57:00

Efeito Marina Silva pulveriza candidaturas majoritárias do PSDB e do PSB em Alagoas

Heloísa Helena pode ganhar destaque; Collor aumenta ritmo da campanha; Biu e Renan Filho buscam escândalos

Odilon Rios Repórter

O efeito Marina Silva atinge Alagoas em cheio. A queda do avião do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pondo um fim trágico em sua trajetória política, mudou os rumos da campanha presidencial.

Marina venceria Dilma Rousseff se as eleições fossem hoje, apontam as pesquisas. E a campanha do senador Benedito de Lira (PP) tenta desconstruir uma ideia erguida nas entranhas da legenda: a presidenciável carrega aversão por nomes liristas. Um dos representantes da Cooperativa dos Usineiros, o deputado federal Alexandre Toledo (PSB), vice de Biu, mandou recado pela imprensa: está com Marina.“Não é a oposição pela oposição, nem a situação pela situação. Queremos um governo para assumir posição”, disse Toledo.

É uma forma de ganhar espaço porque, por enquanto, o nome que mais se fortalece com o crescimento de Marina em Alagoas é o da vereadora Heloísa Helena (PSOL). Ambas são amigas, mas é quase improvável que a ex-senadora pelo Acre suba no palanque dela por aqui. Setores do PSB, de Marina, apoiam o ex-presidente da OAB, Omar Coêlho de Mello, do Democratas, ainda candidato ao Senado.

Além disso, Heloísa está no PSOL, que tem como presidenciável Luciana Genro, com atuação de destaque no primeiro debate entre os presidenciáveis, na TV Bandeirantes, ao mostrar a cansativa polarização PT e PSDB e tentando desmontar o nome de Marina Silva.Porém, mesmo assim- no caso Alagoas- Omar tem o segundo maior tempo na campanha eleitoral da TV e do rádio, mas não atrai apoios e sua campanha enfrenta problemas.

Teve, esta semana, encontro com o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), para discutir a renúncia do tucano e vereador de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar. A estratégia tem dois lados: Omar não pediria mais votos a Aécio Neves (o vice-governador José Thomáz Nonô é coordenador, no Nordeste, da campanha de Aécio) e o PSDB fecharia com Biu de Lira.

Os bastidores fervem.Só que os tucanos aparentemente migram para o palanque de Heloísa. Não de Omar, também com risco dele mesmo renunciar. O presidente licenciado do PSDB, e sobrinho do governador, Pedro Vilela, pede votos à vereadora. O governável Júlio Cézar também. O presidente da Associação dos Municípios, Jorge Dantas, vota em Heloísa, mas declara que não pedirá, nas ruas, votos a ela. E o empresário arapiranquense Ricardo Barreto, que é do PSB, faz campanha para a vereadora da capital.

Nem um pedaço importante da nau socialista- a de Arapiraca, que é ligada ao governador e oposição à atual prefeita Célia Rocha e o ex-prefeito Luciano Barbosa- quer Omar Coêlho.Por outro lado, o prefeito de Palmeira dos Índios, James Ribeiro, do PSDB, fechou apoio para o senador Fernando Collor (PTB).

A fidelidade com Collor é maior entre membros do PMDB - como prefeitos.Já o PT está dividido: o deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, está com Collor; os deputados Ronaldo Medeiros e Judson Cabral, com Heloísa.

Para evitar cair na mesma armadilha que derrotou o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) na campanha de 2006- excesso de confiança na disputa ao Senado contra o próprio Collor- o atual senador incrementa a agenda de campanha: mais caminhadas, mais compromissos públicos, mais visitas ao Estado, ampliação de espaço em Maceió com ou sem a presença do deputado federal Renan Filho (PMDB).

Collor percebeu o efeito Marina. Os dois- em lados completamente diferentes (e até divergentes)- carregam o mesmo recurso: o messianismo político. O senador atrela sua imagem à de Frei Damião- como fez no programa de quarta-feira (27), dia de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira da capital- ao papa João Paulo II (e sua visita a Maceió, em 1992). Marina é ligada a setores evangélicos. Heloísa Helena- também na linha messiânica- mostra no guia eleitoral a batalha do “bem contra o mal”. É a história bíblica de Davi contra Golias. 

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