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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 786 / 2014

03/09/2014 - 09:30:00

Dívida com SUS passa de R$ 720 mil

Vera Alves [email protected]

Com uma carteira de 129.749 usuários, de acordo com os números da ANS atualizados até julho último, a Unimed Maceió é a operadora de saúde com maior número de clientes no estado e figura entre as centenas de entidades listadas pela agência reguladora como devedoras de ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS).Enquadrada na categoria de empresa de grande porte, a Unimed Maceió deve R$ 722.142,53 ao SUS por conta de procedimentos realizados pelos usuários da operadora na rede pública, mesmo estes tendo cobertura dos planos que por eles foram contratados.

 Em termos práticos, o paciente recebeu numa unidade de saúde pública o atendimento  que teria direito na rede particular/credenciada através do plano de saúde. Com base no cruzamento de informações de atendimentos pelo SUS e no do Sistema de Informações de Beneficiários (SIB) da própria agência, a ANS identifica quem recebeu atendimento no SUS de procedimentos contratualmente cobertos pelo plano que paga e notifica as operadoras sobre os valores que devem ser ressarcidos ao Sistema Único de Saúde.

No caso da Unimed Maceió, foram ressarcidos apenas 3,55% do que a ANS afirma ser de direito ao SUS. O valor devido, até julho último, seria de R$ 748.711,79, sendo que a operadora pagou e/ou parcelou R$ 26.569,26. Os valores e índice de adimplência de todas as operadoras e entidades pode ser conferido por qualquer pessoa no endereço http://www.ans.gov.br/images/stories/Plano_de_saude_e_Operadoras/informacoes_avaliacoes/indice_adimplencia_2014_07.pdf.RECLAMAÇÕESComo operadora de saúde com maior número de clientes, a Unimed Maceió é também a que detém o maior número de reclamações.

A maior parte das queixas se refere ao descumprimento de prazos para consultas e realização de exames, mas há outras, como a de cobrança indevida para prestação de serviços, como atestam os sites de reclamações a exemplo do Reclame Aqui, um dos mais confiáveis em todo o país.A queixa mais recente a que o EXTRA teve acesso no site data do último dia 18 e é feita por uma mãe que denuncia o fato de não conseguir marcar consulta com um neuropediatra para a filha de 1 ano e 6 meses. “Pago caro pelo plano e quando mais preciso não há profissionais”(http://www.reclameaqui.com.br/9785525/unimed-maceio-al/nao-consigo-marcar-consultas/). 

Mais grave é a denúncia de que médicos cooperados da Unimed cobram até R$ 4 mil para realização de parto para os clientes, feita ao Reclame Aqui em 19 de junho último: “Os médicos de planos de saúde do estado de Alagoas estão cobrando até R$ 4.000 para realizarem o parto das pacientes deles. Se ao fazer o plano já está incluso a taxa extra de parto, então por que cobrar um valor a mais? Sem contar que isso anda sobrecarregando a emergência do hospital.

Estou com 8 meses de gravidez e meu médico me cobrou esse valor para realizar meu parto. Não acho justo ainda mais pq pretendo realizar um parto normal. Tenho um plano de saúde há pelo menos 5 anos (Unimed) e agora que preciso tenho que disponibilizar mais um valor para poder fazer meu parto. Isso não está certo.

Tenho o direito de fazer meu parto com o médico que me acompanha sem que para isso seja necessário pagar esse valor a mais. Se já pago em meu plano o valor incluso do parto, por que pagar mais?” (http://www.reclameaqui.com.br/9170225/unimed-maceio-al/medicos-cooperados-cobram-por-parto/)No dia 27 de maio, outro consumidor protestou: “Tenho o plano de saúde Unimed desde 1997, o qual pago mensalmente mais de R$ 1.200,00, uso muito pouco e quando preciso de um exame como ergômetro, fica muito difícil. Estou há quase dois meses tentando de clínica em clínica e todas elas só tem para agosto (quando é da Unimed).

Quando o exame é particular é rápido. Estou questionando junto com minha família se vale a pena pagar tanto e não ter retorno. Vou consultar outros planos, caso tenha algum que preze mais pelo conveniado, encerro com a Unimed.  (http://www.reclameaqui.com.br/8951991/unimed-maceio-al/exame-ergometrico/).

POLÊMICA SOBRE MEDIDAS

Seis dias após ter anunciado o resultado do seu 10º ciclo de monitoramento, a ANS emitiu nota oficial para protestar contra reportagem do jornal Correio Braziliense questionando a eficácia das suspensões dos planos de saúde, tendo em vista o quantitativo de operadoras reincidentes.

“É incorreto dizer que a suspensão dura apenas três meses. Se o plano não apresentar melhora, ele continuará com a comercialização suspensa por mais um trimestre ou a operadora será encaminhada para medidas mais gravosas. O fato de a operadora constar na lista com planos suspensos em mais de um ciclo do programa de monitoramento não significa que não houve melhora no atendimento. Há que se observar se a operadora teve reativação parcial e redução no número de planos suspensos”, diz a nota da ANS.A agência reguladora também destaca melhorias no programa de monitoramento.

“A partir do 5º ciclo, houve alteração da metodologia e além de reclamações sobre descumprimento de prazos máximos de atendimento, passaram a contar também as queixas sobre negativas de cobertura. Também é importante ressaltar que durante o período de suspensão da comercialização de parte ou de todos os planos de uma operadora não é possível criar planos similares aos que estão suspensos.

A Resolução Normativa nº 334 da ANS trata dessa questão”.A efetividade das ações punitivas da ANS já havia sido abordada pelo EXTRA em sua edição de número 772, ao relatar que, no caso específico da Unimed Maceió, a operadora já havia sido multada em mais de R$ 1 milhão por descumprimento a cláusulas contratuais e era reincidente na suspensão de planos. 

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