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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 20:24:00

Renan e Biu estreiam guia poupando Vilela

Collor e Heloísa têm estreia morna; Marina Silva será fiel da balança em Alagoas

Odilon Rios especial para o Extra

A campanha em Alagoas vai tomando o rumo esperado. Nestas duas últimas semanas, as pesquisas - da Exatta e do Ibope – deram o tom no debate eleitoral, fortalecendo o clima de polarização existente desde o mês passado. A morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) muda o cenário nacional: a presidente Dilma Rousseff tinha um desempenho favorável para vencer no primeiro turno.

O Data Folha pós-morte de Campos aproveitou a onda de comoção nacional em torno do trágico acidente, a exposição do resgate e enterro dos corpos da queda do avião, com horas a fio dedicadas nas grandes redes de TV ao velório e a imagem retroalimentada de Marina Silva, espécie de “Antônio Conselheiro” high tech, apostando na união do caráter messiânico e a política, algo bem utilizado por Getúlio Vargas pós-ditadura até seu suicídio, em 1954. 

Mas, no cenário local, vieram certezas: oficialmente o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) anunciou que Thereza Collor desistiu de disputar o Senado; o início do guia eleitoral na TV e no rádio mostrou que Vilela será poupado pelo deputado federal Renan Filho (PMDB) e Biu de Lira- mostrando que ambos têm sim um acordo com o tucano para ajudar o sobrinho Pedro Vilela na eleição a deputado federal e pôr em destaque a figura do usineiro Givago Tenório, suplente de Biu de Lira; e o senador Fernando Collor (PTB) e a vereadora Heloísa Helena (PSOL) esperarão o momento certo para se “atracarem” no guia.

Heloísa aposta na batalha do “bem contra o mal”; Collor ainda não cita HH, mas usará a pecha: “Alagoas não pode se isolar de Brasília”. Heloísa tem uma vantagem que era de Collor: em 2006 o hoje senador protagonizou a batalha “Davi contra Golias”: em 28 dias de campanha e com pouco dinheiro- além de 25 segundos de tempo de TV e rádio, Collor virou a eleição contra um favorito governador Ronaldo Lessa (PDT) e toda uma máquina administrativa a pleno vapor.


Pesquisas e traições

Amplamente favoráveis a Renan Filho, as pesquisas eleitorais causaram estrago na campanha de Biu de Lira, mas o comitê do senador não altera a estratégia- pelo menos não por enquanto. Divulgadas nos principais meios de comunicação, elas mostraram a distância existente entre as duas maiores forças em disputa. A Exatta, encomendada pela TV Pajuçara, revelou que Renan Filho venceria no primeiro turno por 39 a 22%. 

O Ibope, com uma pesquisa encomendada pela TV Gazeta, reforçou esta sensação, com um placar de 42 pontos de Renan contra 23% de Biu de Lira. Uma diferença de 19 pontos. Neste nova pesquisa, o Ibope já captou a presença do vereador de Palmeira dos Índios Júlio Cézar (PSDB), que se transformou num ator sem peso e obteve apenas 2% dos votos no Ibope, mesmo número do engenheiro agrônomo Mário Agra (PSOL).

Um experiente observador da política alagoana colocou que esse tipo de resultado em pesquisa influencia mais os possíveis apoios aos majoritários que mesmo o eleitorado ainda indefinido. Com um resultado mostrando grande diferença, grande parte dos vereadores, prefeitos e candidatos proporcionais definem suas posições e passam a apoiar aquele que deverá vencer.

Biu de Lira passou o primeiro semestre somando apoios, principalmente nos partidos que deveriam dividir o palanque com a candidatura do PSDB. O senador do PP, com apoio discreto do governador, conseguiu colocar nove partidos e expressivas lideranças no seu projeto, trazendo um a um até formar a frente que atraiu até mesmo o DEM, aliado incondicional, no âmbito nacional, do PSDB. Terminada a convenção e começando o período das caminhadas e contatos nos bairros e municípios do interior, Biu de Lira viu sua frente perder algumas lideranças locais, que resolveram apoiar o candidato do PMDB. 

Biu de Lira não esconde de ninguém que, sem poder apoiar Dilma Roussef, seu desejo era entrar na campanha do senador Aécio Neves (PSDB) em troca da retirada da candidatura tucana em Alagoas. Algo impensável nas hostes do PSDB caminhando para ser o maior nanico de Alagoas.

 O partido tucano ficou tão miúdo na disputa que não causou nenhum interesse ou curiosidade na mídia local a renúncia de seu candidato ao Senado, professor Eduardo Magalhães, e o anúncio de um novo vice-governador, o atual vice-prefeito de Viçosa, Manoel dos Passos , o “Vô”. O candidato tucano a governador está escalado por uma razão simples: fazer propaganda da gestão de Téo Vilela mesmo enfrentando o nível alto de rejeição do governo estadual. A retirada de Júlio Cézar representaria o fim do partido. Apenas isso. A chapa Júlio Cézar e Manoel dos Passos é o retrato da perda de importância do PSDB.


Eduardo Campos

A morte de Eduardo Campos põe em banho-maria a situação local. O decorrer da campanha - e o comportamento de Marina Silva - darão certezas. Ou indefinições. O senador do PP, depois de passar anos apoiando o Governo Lula e a presidente Dilma, fez um acordo com o PSB, estimulado por Téo Vilela, para, em troca de apoio eleitoral, abrir o palanque para Eduardo Campos em Alagoas. A morte prematura do ex-governador pernambucano desarrumou esse acordo. 

A vice que assumiu a candidatura a presidência, Marina Silva, não esconde sua rejeição a Biu de Lira e sua simpatia pela vereadora Heloísa Helena (PSOL). Por duas vezes se recusou vir a Alagoas junto com Eduardo Campos para fazer campanha do senador do PP. Isso por causa do filho de Biu, o deputado federal Arthur Lira (PP)- acusado de bater na ex-mulher durante 40 minutos. Ele responde a ação no Supremo Tribunal Federal. 

Porém, a campanha de Biu recebeu uma injeção de ânimo: Marina Silva, lançada à Presidência da República. Ela disse que vai respeitar os acordos costurados por Campos. E Renan Filho surfa na onda de Dilma Roussef que, com apoio de Lula, segundo o Ibope e a Exatta, obtém quase dois terços dos votos alagoanos.Porém, o efeito Marina pode dar instabilidade à campanha de Renan. 

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