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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 20:08:00

Collor e Heloísa evitam confronto em campo aberto

Odilon Rios especial para o Extra

Quanto à disputa entre Heloísa Helena (PSOL) e o senador Fernando Collor (PTB), na pesquisa Exatta, o senador apoiado pelo PMDB tem apenas seis pontos de diferença em relação a Heloísa (39% a 32% de intenções de votos), número que cresce para 17 pontos na pesquisa do Ibope (43 a 26%). 

Como o ex-presidente da OAB, Omar Coelho (DEM), praticamente não pontuou, Collor deverá agilizar sua campanha contra a candidata do PSOL, que vem recebendo apoios tanto de candidatos da frente do PP como na coligação tucana. Assim como Collor incrementa seu palanque com prefeitos e deputados.A saída de Eduardo Magalhães deixou o PSDB sem candidato ao Senado, facilitando o apoio dos tucanos a Heloisa, que poderia ajudá-la a enfrentar Collor, considerado o grande adversário de Téo Vilela pelo desmonte que realizou da imagem do governo tucano.

Porém, é inegável a vantagem de Collor sobre Heloísa Helena. Mas se repete hoje uma situação do passado:1. A entrada do ex-presidente da OAB, Omar Coêlho de Mello- nesta pesquisa Ibope- não alterou o quadro polarizado. Collor e Heloísa é quem têm chances nesta disputa- apesar de Omar ter o segundo maior tempo de TV e rádio entre os três: 2 minutos e 25 segundos;2. A pesquisa espontânea- diz o Ibope- mostra que 62% dos entrevistados não sabem responder em quem votariam para senador por Alagoas.

Explicação, para o instituto: “Proporção esperada, considerando que ainda não começaram as propagandas obrigatórias na televisão e no rádio”. Neste item, mais uma vez o Ibope: Collor recebe 14% dos votos; HH, 3%;3. Há de se mencionar, no item anterior: a arrecadação na campanha (primeira prestação de contas) de Collor é extraordinariamente maior se comparado à de Heloísa. O senador, R$ 238 mil; HH, R$ 10 mil. Quase 24 vezes a mais;4. Isto é vantagem? Nem tanto.

O próprio Collor sabe - por experiência - que isso não é fator decisivo na eleição;5. Em 2006, Collor disputou o Senado com o ex-governador Ronaldo Lessa. Entrou como derrotado- ainda recolhendo os despojos da eleição (quase uma guerra) de 2002 ao Governo. Afinal, em comparação ao volume de campanha de Lessa (e a máquina administrativa), estava em ampla desvantagem. Tinha ainda 28 dias de campanha pela frente. Repetindo 1989, Collor elegeu-se em um impressionante ineditismo. Contando ainda ter 25 segundos diários de tempo de TV;6.

Oito anos depois, inverte-se: Collor terá 4 minutos e 18 segundos; Heloisa Helena? 27 segundos- dois segundos a mais que o senador em 2006. Radicalmente diferentes, porém, há pontos em comum no pragmatismo eleitoral: Heloísa pode ser o Collor de 2006- pouca estrutura de campanha, uso de bordões na TV, cenários simples nas gravações. E o tempo, mínimo, transformado em vantagem;7. Óbvio: Collor sabe disso. E Heloísa também. Tanto que ambos evitam o confronto em um campo aberto: as redes sociais.

A vereadora da capital tenta livrar-se da pecha de ser uma pessoa que fala e não traz recurso (ainda que esta não seja a principal atribuição de um senador); Collor terá de explicar suas relações com o doleiro Alberto Yousseff (ainda que as três pesquisas Ibope vão mostrando a influência nula deste caso no eleitorado alagoano);8. E como ambos se comportam? Collor disse, em debate na TV Alagoas- ao lado dos jornalistas Arnaldo Ferreira, Luiz Vilar e Carlos Miranda: “Alagoas não pode se isolar de Brasília”. Recado óbvio a Heloísa;9. E HH? A linha da ética. Recado óbvio a Collor- que estreou o guia eleitoral mostrando ser ficha limpa, ao assumir falar de um assunto incômodo: o impeachment.10.

Quem pode ser o fiel desta balança? Omar Coêlho de Mello, que não vem alterando o quadro polarizado, é verdade, mas pode grudar-se à imagem do anti-Collor- apesar de negar. Mas, seus discursos negam a negativa. Basta observar: “Temos hoje alguns senadores que mancham a imagem de Alagoas no país. Eles respondem a inúmeros processos, estão envolvidos em casos de corrupção. Isso atrapalha a vinda de empresas para Alagoas”; e: “Sou um senador de peso, mas de passado leve. Minha história não me envergonha. Muito pelo contrário; me enaltece”.


Preço alto

A campanha em Alagoas ficou conhecida nacionalmente pelo seu custo alto. Depois de contabilizadas as despesas que terão as coligações e enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral, Alagoas ficou em quarto lugar em volume de recursos financeiros a serem gastos na campanha, na frente de estados maiores e mais ricos como o Rio Grande do Sul. Os valores anunciados chegaram a R$ 142,5 milhões. Gastarão os alagoanos tanto assim? Dizem os especialistas que sim.Os recursos arrecadados pelas coligações não vão, necessariamente, para seus candidatos majoritários. 

As doações de empreiteiras, bancos e outras grandes empresas, caem na conta dos majoritários, mas são destinadas, principalmente, aos candidatos proporcionais. Alegam os organizadores e responsáveis pelas finanças que são eles, os candidatos a deputado estadual e federal, que carregam a campanha nas costas.

Vão aos seus redutos nos bairros e municípios para acompanhar e controlar sua “clientela”, financiam os seus cabos eleitorais, distribuem a propaganda, movimentam os carros de som, organizam os comícios, as carreatas e as visitas e, mais importante, levam os eleitores para as urnas nos dias de votação ou fazem boca de urna e que, por isso, merecem todo o apoio.Os especialistas em campanha, como algumas lideranças do PTdoB e PRTB, explicam esse movimento como algo natural. Quanto mais forte o candidato, com mais chances, mais apoio financeiro recebe.

 Nomes como Pedro Vilela, Arthur Lira e Marx Beltrão lideram os custos com a campanha proporcional em cada uma das coligações. Eles são carros-chefes de suas chapas federais e, em cada localidade, trabalham em dobradinha com um candidato a deputado estadual. Um voto “casado” dos dois, mais o apoio aos seus majoritários sai, pelo menos, por R$ 150.

Um custo que inclui material de campanha. Ou seja, uma dobradinha para eleger um federal com 60 mil votos pode alcançar em torno de R$ 9 milhões, incluindo as despesas com majoritários e com seus estaduais. Uma quantia que era considerada normal para uma campanha do usineiro João Lyra em 2010, mas que representa um valor financeiro muito alto para um candidato hoje sem o patrimônio e acesso aos bancos que tinha o ex-proprietário de cinco usinas.

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