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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 20:04:00

Modernização da agroindústria marca o fim do ciclo das usinas em Alagoas

Reinaldo Cabral especial para o EXTRA

Como não se reciclou para acompanhar o processo de modernização da produção agrária mundial intensificado entre o final da década de 1970 e a primeira metade dos anos 80, o setor sucroalcooleiro de Alagoas, que já foi responsável,com suas 27 usinas, por 80 % da economia local,na geração de emprego e renda,acabou sugado, aniquilado,e, hoje, amarga os efeitos do encerramento de um ciclo de glória e apogeu.

Hoje, ma visita à trajetória do empresário e atual deputado federal João Lyra (PSD) é uma viagem entre a ascensão e queda da agroindústria alagoana. Senão, veja: depois de frequentar o topo do setor no Brasil, o empresário teve suas cinco  usinas engolidas por dívidas trabalhistas e fiscais e, ainda por cima,sequer conseguiu consolidar um sucessor,tarefa corriqueira para quem passa a vida na construção de um império econômico-financeiro.

Os principais estudiosos brasileiros da questão agrária como Graziano da Silva atribuem a transformação ocorrida na economia agrária à subordinação da natureza ao capital, que gradativamente passou a libertar o setor das condições naturais que o dominaram até meados dos anos 1960.Assim, para controlar a natureza, o agronegócio passou a implantar condições artificiais para o controle da reprodução agrícola: 1- se faltar chuva, irriga-se; 2- se o solo não for suficientemente fértil, aduba-se; 3 – se ocorrerem pragas e doenças, usa-se defensivos químicos ou biológicos; 4 - se houver inundações, estão previstas formas de drenagens controladoras.

Beroaldo Maia Gomes previu falência do setor açucareiro

Dez anos antes de morrer, em setembro de 2013,o engenheiro alagoano, Beroaldo Maia Gomes fez sua última profecia: ou o setor sucro-alcoleiro de Alagoas optaria pela produção de energia do bagaço da cana e estimularia a produção de energia solar ou entrará em falência muito breve.

De fato, a falência se seguiu a uma verdadeira bagaceira no setor, um verdadeiro salve-se quem puder.Alguns usineiros, como o presidente da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, o ex-senador João Tenório, migrou para a política, conquistando um mandato de senador, caminho já seguido, sem sucesso, pelo empresário João Lyra, cujas empresas seguiam linha oposta à cooperativa como independentes.

Consumidoras de 50% da energia fornecida ao estado pela Chesf, ao montar sua central de produção de energia via bagaço de cana, as usinas alagoanas passariam a ter um ganho econômico extraordinário,tornando seus produtos mais competitivos.

E o bagaço entraria na matriz energética brasileira  como fonte alternativa, podendo obter financiamentos como ocorre a outras fontes de energia alternativas como a eólica (originária dos ventos), ainda com uma força inferior a 5 % na matriz energética).Como Alagoas tem sol contínuo durante seis meses do ano, a energia solar seria a outra fonte a somar um peso maior na matriz energética brasileira,projeto que seria agregado a central energética decorrente do bagaço da cana.

Especialista em energia, formado na Universidade francesa de Lion, Beroaldo Maia Gomes, se dedicou a vida toda ao tema, criando no governo Luiz Cavalcante a Ceal - Companhia Energética de Alagoas -(hoje um escritório da Eletrobrás). Contudo, cassado pela ditadura como professor da Ufal a partir de quando também passou a dedicar-se ao setor privado, Beroaldo se celebrizou ao lado do economista Celso Furtado, ao estimular a implementação dos primeiros planos de desenvolvimento regional pela Sudene nas décadas de 60-70.Mas, os sonhos de Beroaldo morreram com ele.

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