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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 20:01:00

Sobra terra e ganância, mas falta emprego e renda

Reinaldo Cabral especial para o EXTRA

O Brasil é o único país do planeta com excesso de terras disponíveis – 800 milhões de hectares – e homens.  Mas apenas 3% da população rural do País detêm 43% das terras agrícolas disponíveis e apesar de a monocultura da cana perder o posto de principal esteio da economia, o Brasil ainda é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, mas seu destino é a produção de álcool e etanol.  

 Embora tenha se tornado a 9ª economia mundial, experimenta uma contradição gritante: as 384 mil famílias de assentados há quase uma década ainda não podem dizer que possuem um pedaço de terra porque o governo do PT vacila entre o preconceito da reforma agrária e a paparicação dos latifundiários para ter suas matérias aprovadas no congresso nacional.O território brasileiro de 8,5 milhões de hectares tem condições de alavancar a economia com a utilização de 800 milhões de hectares de espaço agrícola.Apesar de nos últimos 20 anos a população brasileira ter se tornado 80% urbana, 20% da sua população de 200 milhões de habitantes se dedicam a produção agrícola.


Brasil na encruzilhada
Os principais especialistas que já se debruçaram sobre a questão agrícola no planeta são unânimes: só há dois caminhos a seguir: o democrático com a distribuição das terras e bens agrícolas com a maioria da população, engajando-a na produção e comercialização; e o autocrático, com a concentração das terras entre os latifundiários e grandes empresas.É essa questão que poderá incendiar os debates da atual campanha política.

Êxodo rural desfigura e faveliza Maceió

O fim do ciclo da cana de açúcar em Alagoas provocou, nos anos 1980, o maior êxodo rural ocorrido no estado em todos os tempos. Produziu uma expansão de 30 para 730 favelas em Maceió, com o deslocamento em massa da população de trabalhadores rurais para a capital.O resultado foi o surgimento de uma demanda de serviços de infra-etrutura (saneamento, água, esgoto, eletrificação, saúde, educação, policiamento) incapaz de ser respondida pelo setor público.

A maior penalização acabou sobre o complexo lagunar Mundaú-Manguaba, que até o final da década de 1970, produzia alimentos, entre moluscos e crustáceos, para 100 mil famílias em Maceió, celebrizando-se como a maior fonte de renda natural do país.As ocupações irregulares nas cidades ribeirinhas ao sistema lagunar, como Maceió, Satuba, Marechal Deodoro, Pilar, e Santa Luzia do Norte despejam um volume de esgoto nas lagoas que, somado aos detritos e lamas oriundas dos rios Mundaú e Manguaba e seus afluentes que demandam às lagoas, aterram e assoreiam suas águas e acabaram com a reprodução de crustáceos e moluscos, principalmente o sururu, que já foi o principal prato local.

O Estado e a economia brasileira

A análise econômica nem reforça nem neutraliza a presença do estado na economia de nenhum país.Mesmo na economia dos EUA, que hoje, em parte é dependente da China, após influenciar a economia  do planeta nas décadas seguintes à 2ª.Grande Guerra Mundial, embora mantenha seu cunho privatista, o estado funciona como seu regulador.O desempenho da agricultura brasileira sempre decorreu da presença do estado, seja financiando a produção e comercialização agrícola seja na regulação do controle fundiário.Graças a essa presença o açúcar sempre teve participação expressiva na pauta brasileira de exportação.

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