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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 19:54:00

Vídeo confirma tese de piloto alagoano

Recolhimento de flaps em velocidade superior a 200 nós e baixa altitude pode ter provocado a queda do jato

Vera Alves [email protected]

Exibido em rede nacional na última quarta-feira (20), o vídeo que mostra a trajetória do Cessna 560XL prefixo PR-AFA momentos antes de sua queda em Santos (SP), no último dia 13, matando o presidenciável Eduardo Campos (PSB), quatro assessores, o piloto e o copiloto da aeronave, confirma a tese do piloto alagoano Antenógenes Pereira. Para ele, é provável que tenha ocorrido o que se denomina “pitch nose down”, a queda brusca e repentina do nariz da aeronave em função do recolhimento dos flaps a baixa altitude e velocidade superior a 200 ktas (nós).

Gestor de Segurança Operacional da Aviação Civil, Pereira explica que, com a aeronave totalmente configurada para pouso - com trens de pouso baixados e flaps totalmente destendidos em torno de 45 graus -, teriam os tripulantes que desconfigurá-lo imediatamente para uma arremetida (recolhendo os trens de pouso e parcialmente os flaps, deixando-os em torno de 15 graus), mas nesta tentativa de arremetida, a hipótese é que os flaps tenham sido recolhidos a uma velocidade superior aos 200 ktas (nós), contrariando uma advertência (warning) para este procedimento  constante no manual do 560XL fornecido pelo fabricante do jato para este modelo.

Pereira, aliás, foi o primeiro especialista da área a levantar a hipótese de que a posição dos flaps tenha contribuído para com a tragédia que matou o ex-governador de Pernambuco aos 49 anos de idade e outras seis pessoas.

Na sexta-feira da semana passada, em entrevista ao site do EXTRA, ele afirmou que havia grandes possibilidades de que a queda do jato tivesse sido provocada por fatores que induziram o piloto Marcos Martins a um erro operacional, em função da baixa visibilidade, por conta da formação de nuvens ST (stratus), que antecedem uma frente fria, e o vento de cauda.

“É importante destacar que um acidente desta natureza não ocorre devido a um fator; há uma conjunção de fatores que terminam por ocasionar tragédias como esta”, enfatiza Pereira.No caso específico do voo que matou Campos e outras seis pessoas, entre os vários fatores que podem ter contribuído para a queda estão também as condições da pista.

“A pista da Base Aérea de Santos não dispõe de VOR (VHF Omnidirectional Range), equipamento de alta frequência de auxílio à navegação e que seria de fundamental importância nas situações de falta de visibilidade, como a que foi relatada pelo piloto e em função da qual ele decidiu arremeter para tentar um novo pouso”, explica Antenógenes Pereira.Localizada no município do Guarujá, litoral norte de São Paulo, a Base Aérea de Santos (BAST) é uma base da Força Aérea Brasileira cuja pista de pousos e decolagens é pavimentada e tem 1.385 metros (cabeceiras 17/35), mas opera com NDB (Non Directional Beacon), similar ao VOR mas que não conta com o DME (DistanceMeasuringEquipment), equipamento para medição de distância entre o avião e uma estação de terra.

Segundo especialistas, a “precisão” de uma aproximação NDB depende da habilidade do piloto em navegar pelo ADF (equipamento que capta a frequência da antena NDB).O manual de segurança da fabricante do Cessna 560XL, a Cessna Aircraft Company, traz um alerta de perigo (WARNING) quanto aos flaps - dispositivos que servem para aumentar a área da asa e, portanto, a sustentação do avião em baixa altitude - advertindo que se recolhidos quando o avião estiver com velocidade acima de 370 km/h (ou 200 nós), a aeronave pode ser puxada para baixo.

“Em função do mau tempo na hora do acidente, é praticamente certo que a velocidade do jato tenha sido bruscamente aumentada logo após ele arremeter e dar a volta com o objetivo de fazer uma nova tentativa de pouso. Nesta volta, a aeronave deve ter sido impulsionada pelos ventos que sopram do oceano, resultando em uma velocidade superior a 200 nós”, acredita o piloto alagoano.Antenógenes Pereira lembra que o jato vinha programado para um procedimento de pouso, que teve de ser abortado, em função da falta de visibilidade, logo após ele “bloquear” (passar sobre o sinalizador) a pista.

Em termos sucintos, a aeronave teve de ser reprogramada para subir, fazer a volta e tentar o novo pouso, nesta volta é que os ventos de cauda podem ter aumentado sua velocidade quando os flaps ainda estavam recolhidos e a uma baixa altitude, o que fez o jato ser “sugado” para baixo, formando uma enorme cratera.

 Pereira também cita a possibilidade de ocorrência de um fenômeno climático denominado Windshear, a chamada “tesoura de vento”. Um dos momentos mais críticos do voo na hora do pouso e que ocorre em baixas altitudes, ele é apontado como causa de dezenas de acidentes aéreos em todo o mundo, já que leva a uma significativa perda de sustentação das aeronaves, com pouquíssimo tempo (alguns poucos segundos) para sua recuperação.

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