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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 785 / 2014

27/08/2014 - 19:30:00

Escândalo: saúde pública em Alagoas vive o maior caos de sua história

Setor está em petição de miséria com hospitais lotados, sem medicamentos nem infraestrutura e os doentes entregues à própria sorte

DA REDAÇÃO

Não é de hoje que a saúde pública está gravemente enferma em Alagoas. A fatídica imagem de hospitais lotados, sem infra-estrutura, sem medicamentos; a estampa no rosto de pacientes combalidos pela miséria da fome e da saúde e torturados pela desassistência absoluta; e o pior: o sorriso de campanha dos ex-gestores responsáveis por essa miséria, ávidos por votos, prometendo aqueles mundos e fundos já anunciados ontem, mas hoje deixados de lado – seria um surto amnésico?Não há noticiário que consiga dar conta da batelada de problemas que atormentam a saúde pública alagoana.

Em publicação recente – em 17 de agosto de 2014 –, o jornal Gazeta de Alagoas selecionou alguns fatos pontuais que retratam a situação funesta presenciada diuturnamente pelos alagoanos. Evidentemente, os alagoanos que nos referimos aqui são aqueles usuários do Sistema Único de Saúde e necessitados da atenção da SESAU (Secretaria de Estado da Saúde), os quais não possuem outra opção que não a de usufruir desses (des)serviços.

Estes, aqui, são aquela maioria que não possui condições de alugar um leito privado para se recuperar, os quais correspondem a uma parcela que beira os 90% da população, de acordo com Humberto Gomes de Mello, gestor hospitalar dos mais respeitados no Brasil e responsável pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió. 

A SESAU, aliás, além de não fornecer condições materiais adequadas a uma qualidade de vida digna, omite-se na consecução das necessidades públicas mais essenciais ao ser humano. Diversamente, um de seus mais opacos ex-secretários não se omite no momento de tentar angariar votos para manter promessas passadas, contínuas, e inertes no tempo.

Infelizmente, o caderno especial produzido pela Gazeta de Alagoas só não está mais completo por ter mais fatos calamitosos do que o espaço e as palavras podem dar conta - a ponto de não caberemem edições pretéritas e vindouras.Os infortúnios estão lançados: na capital, há o aposentado que fica cego e amputa os dedos, à espera de um tratamento adequado. Com sorte, caso consiga sair com 12 horas de antecedência, o enfermo consegue uma ficha de atendimento no hospital mais próximo.  

DIREITO DE NASCER, E SOBREVIVER

Se viver em Alagoas é difícil, quiçá nascer. A repórter Tâmara Albuquerque, da Gazeta de Alagoas, expõe os dados do Ministério da Saúde: em 2011, 59,28% das gestantes não fizeram o pré-natal adequado. Não sendo o suficiente, 60 leitos pertencentes à Maternidade Escola Santa Mônica foram fechados, levando à superlotação de outras maternidades. 

No interior, há os hospitais que possuem folhas de pagamentos abarrotadas de funcionários, mas estes não saem do papel para atender os cidadãos; há hospitais referências, porém, com equipamentos que permanecem subutilizados, dada a carência de recursos para mantê-los operantes.

No Agreste, a ampliação da Unidade de Emergência (responsável por atender mais de 50 municípios) está desde 2003 no papel e apenas há quatro anos suas obras foram iniciadas, com previsão de término da primeira fase da construção – na melhor das hipóteses – para 2015. Em Santana do Ipanema, além de mortos, o governo gera espectros: uma Unidade de Pronto Atendimento possui equipes médicas fantasmas, com sua estrutura física montada para receber verbas, mas não pacientes.

Para esses alagoanos, a doença bate à porta mais rapidamente. Ausência de saneamento básico e insuficiência de uma medicina preventiva apropriada trazem às populações acometidas pela baixa renda a célere moléstia e a morosa – ou inexistente – recuperação.

O Estado consegue esfacelar a vida dos cidadãos por diversas vias. O ciclo se inicia desde o nascimento, continuando no decorrer da fatídica existência, molestada pela cotidiana ausência do governo na escola, no saneamento, no transporte público; culmina, após trancos e barrancos, numa saúde pública dilacerada e abandonada pelos gestores, momento em que a enfermidadeque acomete o cidadão é fruto de quase que exclusivamente da inércia avassaladora do poder estatal. 

SAÚDE PÚBLICA NA UTI 

A saúde dos hospitais públicos de Alagoas não é tão somente questão de ausência de dinheiro público, mas alcança os mandos e desmandos políticos de uma gestão que prefere os interesses do empresariado em detrimento dos da maioria da população. Às Marias, Pedros, Joãos, faltaram bons gestores.

E o que se apresenta na campanha em curso, querendo arrancar do povo uma de suas únicas oportunidades de mudar essa situação adoentada? Um dos secretários da Saúde não se ruboriza em se apresentar como candidato a vice-governador e, de mãos dadas com o responsável pela indicação dos gestores, nos últimos quatro anos, no mínimo, para a também caótica Secretaria da Educação, garantindo que o “Biu resolve”.

Viu que desplante?Sob os protestos dos médicos, demais profissionais de saúde e dos usuários e suas famílias sofridas pelo descaso imposto pelos gestores da SESAU, Toledo &Biu se propõem a consolidar, como vice e governador, se eleitos forem, o atual modelo de gestão na saúde em Alagoas.

Agora, caros eleitores, só vocês resolvem. O descaso e a incúria querem se perpetuar na saúde pública em Alagoas. Mas o remédio está nas urnas, gratuito e sem contra-indicações. 

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