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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 785 / 2014

26/08/2014 - 09:14:00

Entrevista ou debate?

JORGE MORAIS Jornalista

Assisti atentamente a participação de alguns dos candidatos à Presidência da República, no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. Não sei se digo que foram entrevistas ou um debate travado entre os apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta, com os presidenciáveis Aécio Neves, Eduardo Campos, Dilma Rousseff e Pastor Everaldo.

Em primeiro lugar, a imagem deixada por eles foi de raiva, rancor até, nas perguntas formuladas.Como todo mundo sabe, em veículo de comunicação não existe independência de seus profissionais, mas o que Bonner e a Poeta fizeram com todos os candidatos, pareceu-me coisa produzida e forçada pela própria empresa. Não acredito que tenha sido por iniciativa dos apresentadores do JN.

Não acho que eles tenham essa autonomia toda, para colocar no canto da parede os seus entrevistados. Os entrevistadores estão sendo antipáticos e deselegantes acima de tudo com os candidatos.Nas entrevistas de Aécio Neves e Eduardo Campos, eles perderam muito tempo com coisas pequenas, parecendo estarem mais interessados em irritar os candidatos, inclusive, perguntando ao Aécio sobre a construção de um aeroporto numa área vizinha às terras da família do candidato no interior.

E a Campos, sobre o emprego de sua mãe e outros familiares, quando todos são concursados. Acho que temos coisas mais sérias com que nos preocupar.O que deu a entender a população, é que os apresentadores deixaram de falar sobre as propostas mais sérias em benefício do povo, num espaço tão pequeno oferecido aos candidatos, para trazer picuinhas, coisas miúdas, que em nada somam ao processo democrático eleitoral.

Outra ideia que se tem das entrevistas é que havia uma necessidade de agressão aos dois primeiros candidatos, para que eles pudessem ficar com mais liberdade para atacar a candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff, que terminou não dando nenhuma chance para ser tripudiada pelos dois.

O que fizeram com o Pastor Everaldo (PSC), não se faz nem com um inimigo.  Por sinal, dos quatro candidatos que assisti – incluindo ainda Eduardo Campos, porque participou das entrevistas – a Dilma foi quem teve o pior aproveitamento entre eles. Primeiro, porque não disse coisa com coisa; segundo, porque não considerava as perguntas feitas, sempre respondendo o que queria responder; terceiro, gastou todo o seu tempo, para não dizer nada, e ainda mentiu em relação ao Brasil que ela vive, elogiando a saúde que todo mundo sabe que virou um caos.

A presidenta Dilma Rousseff se esquivou em responder sobre a queda escandalosa da economia em seu governo; se esquivou na resposta sobre a prisão dos “mensaleiros” condenados e presos, todos ligados ao PT; entrou pela perna de pinto e saiu pela perna de pato no caso da Petrobras e a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; e fugiu da armadilha montada por Bonner e Poeta, em nome da Rede Globo.

Nesse tipo de entrevista, o que está ficando claro é que, nacionalmente, os grandes meios de comunicação estão perdendo o prumo da história ou estão a serviço de alguém. Já não é mais surpresa para ninguém quando os noticiários são desvirtuados e truncados em favor do segundo interesse do processo dito democrático. Ao que parece, assistindo os programas e noticiários, é que cada um já escolheu o seu. Foi assim num passado recente e está sendo agora também.

A impressão que tenho é que essa prática ganhou corpo dentro da Rede Globo, em especial. Aqui, em Alagoas, o excelente apresentador do AL-TV (Noite) Filipe Toledo, foi armado e preparado só para falar de coisa ruim dos candidatos. As entrevistas pareceram mais uma “Santa Inquisição”. E, no final, vem aquela frase de efeito: “candidato, seu tempo acabou”. Claro, eles tomam o tempo todo com perguntas enormes e o candidato fica mesmo sem falar nada sobre seus projetos, mesmo que alguns não cumpram se eleitos.

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