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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 784 / 2014

22/08/2014 - 09:01:00

Morte de Eduardo Campos mexe com as eleições em Alagoas

Possível sucessora, Marina Silva não divide palanque com Arthur Lira; Júlio Cézar é escalado para ‘salvar’ herança tucana; Vilela quer eleger sobrinho e tenta apoio de Collor ao TCU

Odilon Rios Repórter

A morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a comoção nacional em torno de um dos políticos mais carismáticos do País fazem os partidos tentarem alcançar o legado do terceiro colocado nas pesquisas presidenciais. Único nordestino na disputa, o neto de Miguel Arraes alcançou notoriedade ao ser ministro da Ciência e Tecnologia no Governo Lula e governar Pernambuco com altíssimos índices de aprovação.

Em Alagoas, a expectativa das legendas que se formavam ao redor do senador Benedito de Lira (PP) e reivindicavam o palanque campista (sem desgrudar dos cargos federais da era Dilma Rousseff) é descobrir quais os rumos dos socialistas. Vão lançar a ex-senadora Marina Silva, nome que se tornou referência nas eleições presidenciais de 2010 (alcançou 19% dos votos válidos) e virou sinônimo de mudança nos protestos realizados ano passado? O PSB vai liberar seus filiados, que se dividirão entre o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e a presidente Dilma?Estas e tantas outras perguntas povoam os palanques de Alagoas. Com Eduardo Campos, que esteve em Alagoas na última sexta-feira (8) existia uma definição. Mas, com Marina Silva os acordos são mais difíceis.

Ela se recusaria a subir no palanque de Biu e ter de dividir espaço com o deputado federal Arthur Lira (PP), acusado, entre tantos crimes, de dar uma surra na ex-mulher durante 40 minutos.  Além disso, Marina teria de pedir votos ao ex-presidente da OAB e candidato ao Senado, Omar Coêlho de Mello, do Democratas e rival da vereadora Heloísa Helena (PSOL) - de quem é amiga e confidente.

E dividir o palanque com o deputado federal e usineiro Alexandre Toledo, sócio da usina Paisa, que esta semana foi condenada, pelo juiz do Trabalho, André Antônio Galindo Sobral, da Vara do Trabalho de Penedo, a pagar verbas rescisórias, férias e por atraso no pagamento do salário de seus empregados.A empresa alegou que “o setor sucroenergético do Brasil vem enfrentando grave crise, e que a usina estaria reunindo esforços para ajustar o pagamento das verbas laborais ao prazo estipulado na legislação”.

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi proposto para os problemas serem sanados de forma extrajudicial, mas a usina informou que, por causa da crise financeira do setor, não poderia firmar o TAC. Seria um currículo complicado para Marina Silva administrar. Pior, com repercussão nacional e negativa. E a ex-senadora não deve deixar de lado a campanha de Heloísa Helena.Biu de Lira se adiantou e disse nas redes sociais que sua campanha assumirá o legado de Eduardo Campos. Mas, este legado inclui Marina Silva e seus milhões de votos? O PP avalia a resposta.


PSDBO

PSDB mudou de candidato. Saiu o procurador Eduardo Tavares e entrou o ex-militar e jornalista Julio Cézar, vereador em Palmeira dos Índios. Júlio irá cumprir um papel inovador nas campanhas alagoanas, na medida em que, sabendo da impossibilidade de disputar de verdade a eleição, utilizará o tempo gratuito para exclusivamente defender as obras do governo tucano. Seu principal municiador de informações não será o seu partido, o PSDB, mas a Secretaria Estadual de Comunicação- que também enfrenta uma crise interna ao não ter forças de revidar a série de matérias da Gazeta de Alagoas sobre os números do Governo.

Mesmo assim, sem aliados políticos ou apoio mesmo do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) que o lançou, nem de seus deputados ou prefeitos e candidatos proporcionais, Júlio terá apoio decisivo do experiente publicitário Jácome Einhart, responsável pelas duas campanhas vitoriosas de Vilela e dono da Paz Publicidade, agência que abocanha um quinhão bastante expressivo da Secom.

Einhart já deu o tom da campanha em um de seus posts nas redes sociais dizendo que o palmeirense poderá ser a “surpresa” nesta campanha. Será um produto do bom marketing que utilizará os minutos da coligação para fazer o que ninguém topou: defender as realizações de um Governo com os mais baixos índices de aprovação.

A campanha de Júlio Cézar também levará nas costas as dificuldades dos últimos meses da administração tucana, em sérias dificuldades nas áreas de educação, saúde e segurança. O clima no Palácio dos Martírios é de despedida, ou melhor, o do “tempo de Murici, cada um por si”. Cada notícia que chega aumenta ainda mais o clima de desolação. Se Eduardo Tavares abandonou a candidatura por falta de apoio, seu vice, o deputado estadual Gilvan Barros (PSDB), refez o plano que nunca abandonou: o apoio ao deputado federal Renan Filho (PMDB), agora publicamente, afirmando que a escolha do vereador de Palmeira era “para encher linguiça”. 

Um ex-secretário de Estado que agora apoia Biu de Lira diz, em tom crítico, que a candidatura de Julio Cezar “é tão real quanto o Estaleiro Eisa”- referência à fábrica de navios-fantasma, usada há duas eleições para atrair o eleitorado sem um único tijolo erguido e acumulando muitas gargalhadas nos corredores do Palácio República dos Palmares.Nas secretarias, os novos ocupantes das cadeiras deixadas pela equipe anterior, que foi afastada ou se afastou para concorrer ou apoiar outro candidato, não conseguem mais engrenar a máquina.

O que poderá fazer um secretário em quatro meses finais de governo? Muitos aceitaram para incrementar o currículo, outros pela conveniência ou vaidade de ser secretário, outros para poder apoiar melhor o nome indicado pelo grupo político ao qual pertence. Mas, ninguém assumiu para mostrar resultados na gestão.

O fim da era tucana é pura desolação.Diante da paralisia do governador tucano, muitas são as especulações, que vão desde um acordo com Renan Calheiros para facilitar a vida de Renan Filho, garantindo, em troca, as eleições do sobrinho Pedro Vilela, um mandato nas eleições gerais de 2018 e até um possível cargo no Tribunal de Contas da União, quando seria apoiado, por unanimidade, pela bancada federal de Alagoas, incluindo o senador Fernando Collor (PTB).Há quem alimente esta ideia se Aécio Neves for o escolhido ao Palácio do Planalto. E usaria o mesmo estratagema de Fernando Henrique Cardoso, o tucano que indicou, Guilherme Palmeira, do PFL, cotado para ser seu vice, ao TCU.

Há por outro lado a preferência pelo deputado estadual José Eduardo Riva (PSD/MT)- que responde a mais de 100 processos. Neste caso, a costura seria se Dilma fosse reeleita.Enquanto nada disso vira realidade, no governo, Téo deverá aproveitar a distância da campanha para aplicar os recursos já depositados pelo Banco Mundial para algumas obras em Alagoas e melhorar sua imagem de governador.

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