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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 784 / 2014

20/08/2014 - 02:11:00

Ao contrário de Eduardo Tavares, Júlio Cezar afirma ter “estrutura necessária”

Candidato do PSDB diz que sua história de vida o credencia para governar o estado de Alagoas

João Mousinho [email protected]

Plano “B” do PSDB para o governo do Estado, Júlio Cezar, disse que conhece os 102 municípios de Alagoas e considera a toxicodependência “o maior problema de Alagoas, [...] um problema que tem relação com saúde e com a educação”. Confira a entrevista com o candidato ao governo de Alagoas: 

Jornal Extra - Qual o principal problema de Alagoas e como resolver?

Júlio Cezar – O maior problema de Alagoas é toxicodependência, já que 75% dos assassinatos ocorridos no Estado tem origem nesse problema. A toxicodependência é um problema que tem relação com saúde e com a educação, além de criar um problema mais profundo de segurança pública. Alagoas não produz craque, não produz armas. Essas são heranças do tráfico de drogas. 

Jornal Extra - A segurança pública é outro aspecto negativo crônico em Alagoas. Como combater esse câncer social?

Júlio Cezar – Me sinto muito à vontade para falar de segurança pública porque eu mesmo sou egresso da Polícia Militar. Eu sei que para resolver esse problema da violência é preciso armar a polícia, ter efetivo suficiente e pagar salários justos. Agora, veja onde está a violência? Na periferia. Onde o Estado não chega e, consequentemente, se estabelece um estado paralelo: o tráfico de drogas. E a solução para esse problema passa também pela oferta de uma educação de qualidade para todos os jovens em idade escolar. Hoje, apenas 28% dos jovens brasileiros de baixa renda concluem o ensino médio. Educar é também uma forma de combater desequilíbrios históricos e gerar igualdades de oportunidades. Com uma escola pública de qualidade nós podemos ganhar esses jovens do tráfico, porque a escola é uma medida civilizatória, redutora do crime e amplificadora da segurança. 

Jornal Extra - Como o senhor avalia a saúde de Alagoas e qual seu projeto para a pasta?

Júlio Cezar – Durante seis anos me dediquei ao Sistema Único de Saúde e, portanto, conheço o sistema público de saúde como a palma da minha mão. E uma das maiores tristezas que nós vivíamos nesse estado era a deficiência do número de leitos, que obrigava os pacientes a passarem semanas acomodados no chão, em colchões e macas. Isso fere a dignidade de um povo. Mas, em sete anos, o governo do PSDB criou 600 leitos hospitalares, além de entregar equipadas mais nove UPAs em uma parceria com o Governo Federal. Foi feito mais: tivemos a redução de 80% da taxa de mortalidade infantil, a reabertura da maternidade de Rio Largo, o centro de tratamento de queimados do HGE que hoje é referência em Alagoas. Mas é preciso fazer mais, porque a vida é o bem maior dos direitos fundamentais, e é dever do Estado viabilizar a efetivação do direito à saúde no país. O nosso projeto segue, agora, sob três aspectos básicos: sanar a deficiência na estrutura física, a falta de disponibilidade de material-equipamento-medicamentos e a carência de recursos humanos. 

Jornal Extra - O senhor tem um plano de governo. Caso eleito, quais suas principais metas?

Júlio Cezar – Existe uma discriminação imposta ao estado de Alagoas que precisa ser corrigida. Hoje, Alagoas é sangrada mensalmente em R$ 50 milhões para pagar os juros de uma dívida contraída há 15 anos com o Governo Federal. Ou seja: a União dá com uma mão e retira com a outra. Esse é um ato de Justiça federativa.Nós precisamos melhorar a federação brasileira, precisamos garantir o fortalecimento local como uma das principais metas. Tenho defendido também um novo Pacto Federativo que oferte mais independência para os poderes estaduais e municipais. Hoje, cada vez mais o Governo Federal investe menos que os estados. E os municípios sofrem de uma excessiva dependência com relação à União, que se reflete no Estado. É preciso desconcentrar os recursos da União e propor um pacto com mais equilíbrio entre União, estados e municípios. 

Jornal Extra - Seus oponentes vão gastar milhões.  O senhor é a favor desses gastos com candidaturas, sendo Alagoas um dos estados mais pobres da federação?

Júlio Cezar – Não posso julgar meus adversários. Acho que cada um deve agir de acordo com a sua consciência. Eu tenho a minha e sei que nós não vamos gastar nada de exorbitante. Nada mesmo. Agora, quem deve fiscalizar isso é a Justiça Eleitoral e, obviamente, a imprensa, a qual pertenço. 

Jornal Extra - É possível fazer uma campanha “pra valer” com recursos escassos?

Júlio Cezar – Claro que é possível. Não acredito em ‘recursos escassos’. Acredito em recursos necessários. E com os recursos necessários, acreditando na democracia e no sistema eleitoral, estou indo pra luta. Ou será que a democracia tem preço?

 Jornal Extra – Você não é conhecido do grande público. Qual a estratégia para levar seu nome até os 102 municípios do Estado?

Júlio Cezar – Eu conheço cada um dos 102 municípios de Alagoas. E olha que passei nessas cidades mais de uma, duas ou três vezes. Mas nossa meta é caminhar por todos os municípios alagoanos até o final da campanha, mostrar quem eu sou e quem quiser me acompanhar será muito bem-vindo.

Jornal Extra – Eduardo Tavares retirou sua candidatura ao governo de Alagoas por falta de estrutura. Você tem estrutura de campanha? 

Júlio Cezar – Eu tenho a estrutura que acredito ser necessária e não vou comentar um campo que desconheço. E o que passa pela cabeça do Eduardo Tavares eu desconheço. 

Jornal Extra - O senhor é vereador e sabe das dificuldades financeiras enfrentadas pelos municípios. Como governador é possível sanar o caos social nas regiões periféricas do interior?

Júlio Cezar – Serei governador de todo o estado de Alagoas, mas não tenho dúvida de que a minha preferência é fazer política para a parte mais pobre da sociedade alagoana, que é quem precisa do Estado. E no meu governo o Estado assumirá o compromisso de estar mais próximo aos municípios. Veja o caso da saúde, por exemplo, as dificuldade no acesso e a ineficácia dos serviços prestados na Atenção Primária é o que têm contribuído cada vez mais para superlotação dos hospitais públicos. Com o Estado trabalhando junto das prefeituras, dialogando com os gestores, essa engrenagem funciona. Não tem como não funcionar. 

Jornal Extra – O senhor representa a continuidade do governo Téo Vilela?

Júlio Cezar – Implantação do respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, organização salarial dos servidores, boa organização financeira que permita deixar o Estado apto a colaborar com a contrapartida necessária para as obras que estão chegando no Estado, dar continuidade às grandes obras como o Canal do Sertão, a duplicação da AL 101 norte e tantas outras. Se é disso que você está falando, sim. Pretendo dar um passo adiante. 

Jornal Extra – A inexperiência em gestão será um problema na sua administração? Seus adversários usam o argumento da experiência para captar votos.   

Júlio Cezar – Eu sou a grande novidade dessa eleição. E tenho uma história de vida e de vitórias pessoais como todos os Silva de Alagoas. E isso, com certeza, me credencia a governar o Estado de Alagoas.

Jornal Extra - Qual o seu diferencial em relação aos seus adversários? 

Júlio Cezar – Não pertenço a nenhuma família de políticos, não tenho sobrenome importante, não faço parte de nenhuma oligarquia. Sou um Silva, filho de uma verdureira e de um vendedor de “passaporte”, com muito orgulho, e pretendo realizar esse sonho de governar Alagoas. 

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