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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 784 / 2014

20/08/2014 - 02:07:00

Heterofobia

Irineu Torres Diretor do Sindifisco

O sentir não se pode definir. O necrófilo sente imenso prazer em tocar com sensualidade o corpo de um cadáver. O zoófilo se apaixona perdidamente por animais. O heterossexual ama o sexo oposto. Os homossexuais têm preferência por pessoas do mesmo sexo. Os bissexuais apreciam ambos os sexos.

O que todos, a princípio, têm em comum é um sentimento de repúdio pela pratica sexual que não é a do seu livre e natural sentir. Alguém heterossexual sonhar mantendo relações homossexuais seria o seu pior dos pesadelos. No entanto, se constata um erro grosseiro e generalizado no alcunhar de preconceituoso alguém que exterioriza sincera e respeitosamente o seu natural sentimento de repúdio, de nojo, por prática que não seja a da sua preferência sensual.

Os necrófilos gostam de ser necrófilos. Os pedófilos gostam de ser pedófilos. Os homossexuais gostam também de ser homossexuais. Os heterossexuais igualmente. O sentir determina a preferencia sexual. O sentir, porém, reside no mundo infinito dos sentimentos e da fé, exorbita o minúsculo terreno dos conceitos e das definições.

O sentir prazeroso de um é repugnante para outro. Falar em preconceito relativamente aos sentimentos é confusão cognitiva. Certo que ninguém deve ser alijado ou discriminado socialmente por ter preferencia sexual diferente da maioria ou da minoria, seria e é, tal hipótese, uma discriminação perversa, desde que a prática não seja criminosa, como a pedofilia, necrofilia ou a zoofilia. Influenciar a pratica sexual alheia é atentar contra a liberdade individual. O preconceito não está no sentir, o preconceito se perfaz pelo agir de modo a mudar o sentimento alheio. 

Configura inominável violência impor aos outros a preferência sexual de alguns. No Rio Grande do Sul uma juíza tenta obrigar a realização de solenidades para formalizar uniões afetivas entre homossexuais dentro do recinto do Centro de Tradições Gaúchas, uma entidade privada, que preserva instituições como a família formada por um casal e seus filhos naturais e a virilidade e destemor do gaúcho macho.

Essa decisão administrativa de uma juíza impondo gays em “casamento”, nas dependências do Centro de Tradições Gaúchas, em Santana do Livramento (RS), no dia em que se comemorará e revolta farroupilha, é um deboche, um estupro moral, seria coisa de skinhead togado se não fosse pró gay, uma temeridade equivalente a realizar comemorações da Mancha Azul na sede do Comando Vermelho. Na casa alheia só se entrar quando se é convidado.

O fórum de Livramento seria o local adequado, é neutro, é público e dignifica igualmente a todos. Nada mais hediondo do que usar o poder público para atender instintos ou idiossincrasias pessoais. As denunciadas doutrinas homossexuais pregadas pelo Ministério da Educação e em novelas de televisão, de longa data, exibindo enredos heterofóbicos que, de forma subliminar, denigrem sistematicamente a figura paterna e materna, direcionam as virtudes como sendo exclusivas de personagens homossexuais, configuram, em fim, uma ameaça crescente à liberdade de religião e de preferencia sexual do Povo Brasileiro, em particular a das crianças. 

As sub-reptícias doutrinas heterofóbicas são urdidas com o propósito levar a sociedade como ovelhas que vão aonde quer que se vá, mercê das ideologias de grupos desejosos de mudar o estado a partir da destruição da família tradicional. O povo brasileiro já não mais vive racionalmente, mas, sim, vive por imitação.

É justo e responsável ser o que se è. Heterossexual é heterossexual.  Homossexual é homossexual. Bissexual é bissexual. Totalflex é totalflex.  Porém, bullyings midiáticos, judiciais, familiares, legiferantes ou outros que conspiram para moldar o livre sentir dos indivíduos são uma aberração infame, renitente, que empurra para a infelicidade pessoas de todas as idades, credos e níveis econômicos. 

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