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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 784 / 2014

20/08/2014 - 02:01:00

Injustiça cruel

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

A vida vai nos ensinando durante anos e anos, surpreendendo os próprios filhos que nos acham capazes de adivinhar certos fatos.    

Conheci um jovem rapaz em Maceió que foi Prefeito, Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador por três vezes e ficou velho como classe média, andando livremente no shopping sem temer inimigos, sem precisar de seguranças, falando alegremente com os vários conhecidos encontrados.     

A política em Alagoas foi se tornando meio suja, com os parlamentares andando acompanhados de homens armados, com criminosos, corruptos e toda espécie de gente entre os eleitos e selecionados através do voto popular. Claro que ainda há poucas exceções.   

 Uma campanha eleitoral é uma verdadeira disputa ilegal entre partidos. Os votos são vendidos através de grupos políticos do interior. O Prefeito apoia o Deputado Estadual, o Federal, o Senador e o Governador, tudo levando em conta o dinheiro e os currais eleitorais.   

 A imprensa publicou o quanto vale o cabo eleitoral, o Prefeito, e o grupo de apoio aos candidatos. Querer ser eleitopelo idealismo é um sonho inalcançável. Poucos conseguem tal façanha.   

 O moço de quem falo entrou na política muito jovem e foi levando com ele pessoas do interior, totalmente desconhecidas. Lembro-me de um Deputado bem moço que conseguiu ser Presidente da Assembleia graças ao empenho do Governador. Hoje é um tirano que amedronta eleitores e possíveis candidatos.     

Quando Collor foi Governador de Alagoas e saiu para ser candidato a Presidente do Brasil, deixou nosso estado atolado em dívidas. O jovem político foi eleito Governador pela terceira vez e fez um enorme esforço para equilibrar as finanças de nosso pequeno Estado. Tentou tomar empréstimos internacionais e se deu mal.   

 Entramos numa fase difícil e passamos 7 meses sem receber salários, mas o jovem governante não disse ao povo de onde vinha o erro. Insistiu em corrigir os graves problemas advindos do governo anterior e não conseguiu. Teve que sair do palácio, passando as rédeas do governo para o Vice-Governador que, segundo minha opinião, traiu o companheiro.   

 Daí em diante, foi desastre após desastre. Os Governadores seguintes foram afundando Alagoas, a dívida crescendo e os políticos viraram empresários do voto popular. Apareceram os célebres redutos eleitorais.     

A partir daí, o Executivo navegava em águas turbulentas, o Legislativo inchou, virou cabide de empregos e o Judiciário foi ficando cada vez mais lento.     

Nosso amigo foi perdendo a força política, só conseguiu se eleger suplente de Deputado Federal e virou escritor.     

Que eu saiba, nunca matou ninguém, nunca roubou ninguém, empregou centenas de pessoas no Estado, na maioria, pobres. Conheço criaturas beneficiadas por ele, hoje inimigas ferrenhas do protetor.   

 Lembro-me de ouvir eleitores dizendo: “Vamos sair de Divaldo e Guilherme, Alagoas não aguenta mais.” E nós passamos por vários dirigentes para chegarmos a uma situação caótica. Os políticos compram votos, os currais eleitorais são controlados, os taturanas foram presos e algemados, a Mesa Diretora da ALE foi afastada por improbidade administrativa, o atual Governador está mais perdido do que cego em tiroteio.     

Criou-se a lei da ficha limpa e até hoje nada entendi: criminosos, taturanas, corruptos, pré-condenados, todos são candidatos. Tem até gente com pulseira de preso que é candidato.   

 De repente, os jornais estampam: Divaldo Suruagy é ficha suja e não pode ser candidato a Deputado Estadual e o motivo, se não me engano, é o empréstimo que tomou durante o seu terceiro governo.   

 Meu Deus, só esse homem vai pagar pelos erros cometidos em tantos anos no nosso pequenino Estado? E os outros que hoje estão ricos, informam ao TRE patrimônios elevadíssimos, compostos de milhões de reais?     

Lembrei-me do Coronel Cavalcanti: ainda hoje responde por crimes cometidos. Tudo bem, tudo certo! Mas, só ele? E os outros?   

 Não quero comparar Divaldo Suruagy ao Coronel Cavalcanti, entretanto o que me intriga é a punição atingir só um ou dois!   

 Divaldo, hoje, é um homem de classe média, família constituída, 4 filhas que trabalham e uma mulher decente. Foi Governador 3 vezes, devia ter muitos bens, ser uma megalomaníaco, viver às custas do Estado. E não é!!! Por que só ele? Não entendo!

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