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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 783 / 2014

13/08/2014 - 09:44:00

JORGE OLIVEIRA

Vendendo terreno na lua

Vitória – Parece que não existe concretamente propostas reais dos candidatos a presidente. A sensação é de que há mais chutes do que coisas palpáveis que compartilhem os problemas com a população.  

A recessão econômica bate às portas das pessoas, o desemprego é uma ameaça real e a estagnação da economia pode levar ao desemprego e menos comida na mesa. Mas até agora, diante desse quadro perverso da economia, os candidatos de oposição ainda não conseguiram falar a linguagem que o povo entende: a do transporte público eficiente, o baixo custo dos alimentos, propostas para agricultura, a mola propulsora do país, melhores escolas, instalação de novos hospitais,  construção e restauração das rodovias e a retomada dos investimentos em infraestrutura como forma de gerar emprego e renda.Muitos dos candidatos, pelo menos dois oposicionistas Aécio e Eduardo, preferem discutir assuntos que dependem exclusivamente do Congresso Nacional como a reforma política e, mais uma vez, o fator previdenciário.

É vender terreno na Lua, porque todos sabem que isso depende exclusivamente dos partidos que povoam as duas Casas. Sem um entendimento com a maioria dos deputados e senadores a coisa não anda nem na Câmara e nem do Senado. Num regime presidencialista como o nosso, nada se faz sem os métodos antigos fisiológicos, responsáveis pelos últimos escândalos políticos do país.

O despreparo da oposição para encontrar a sintonia entre o discurso e o que a população pensa é gritante. Não há novidade nas propostas apresentadas e muito menos veremos lá na frente ideias avançadas em relação ao que os candidatos pensam do país. Eduardo, por exemplo, centra suas críticas na administração caótica da Dilma, mas poupa o Lula, seu amigo, das acusações mais ácidas.  Aécio perdeu tempo falando de um pedaço de terra em Minas Gerais que virou aeroporto no terreno da família.

Ficou defendendo-se de acusações que o próprio Ministério Público já havia consideradas descabidas. A Dilma continua vendendo terreno na Lua. Pelo que tem falado parece equidistante do poder, pois promete ao eleitor um mundo maravilhoso que ela própria não consegue oferece como presidente da república. Fala em propostas vazias que certamente não vai cumprir se for reeleita porque o Brasil atravessa uma de suas maiores crises econômica dos últimos anos, uma problema que pode levar o país a um buraco negro de dimensão catastrófica.

Incompetente para administrar o Brasil, Dilma viaja pra cima e pra baixo fazendo promessas vãs que o povo já não confia pelo descrédito do seu partido, o PT.

Rejeição

A rejeição da presidente é descomunal. Semana passada tive acesso a uma pesquisa diária que o dirigente de uma estatal faz para medir o termômetro do sobe e desce da rejeição da presidente no país. Fiquei estarrecido com o crescimento dos  números que sobem mais do que os dos impostômetros. Em São Paulo, capital governada pelo PT, os números assustam. A rejeição já se aproxima dos 60%, uma das maiores de todos os tempos quando se trata de uma reeleição presidencial. Os números não só crescem no Sudeste como também dão sinais de que estão vivos no Nordeste, onde normalmente o PT sempre teve uma votação avassaladora pelos programas assistencialistas que promove até hoje na região. O Nordestino já olha com desconfiança o dinheirinho que recebe do Bolsa Família porque a inflação está comendo todinho.


Vantagens

Se por um lado Dilma tem a vantagem dos mais de dez minutos na televisão, por outro vai enfrentar um problema sério de imagem. Manda a cartilha do marketing que o candidato não deve se expor muito na televisão quando a sua rejeição extrapola os 20%. No caso de Dilma, esses índices negativos se aproximam dos 40%, números nunca alcançados por outro candidato a presidente no país.


Esconder

As aparições da presidente pelo Brasil afora não têm sido bem sucedidas. Seus discursos são vazios, as bases eleitorais estão rachadas nos estados  e muitos dos seus aliados, do próprio partido, não querem, aparecer aio seu lado, como é o caso  de Fernando Pimentel, candidato a governador, que rifou a Dilma da sua campanha. E com razão. Em  Minas Gerais Aécio lidera as pesquisas com 41% seguido de Dilma com 31%. 


Desgaste

Com a imagem desgastada, ninguém quer aparecer ao lado da presidente que se ressente da falta de apoios quando percorre os estados em busca de votos. No Rio, apenas Pezão apoia abertamente a reeleição da Dilma, mesmo assim com um pé atrás e outro na frente. O PMDB consulta o termômetro diariamente. Se por acaso ela for para o buraco, ninguém pretende ir junto.. A exemplo dos coveiros, ninguém vai querer entrar na sepultura  com ela.


Cadê Lula

Lindembergh, o candidato do PT no Rio, está magoado com a Dilma que preferiu não subir no seu palanque. Incentivado por Lula a se lançar candidato, o senador agora amarga o ostracismo. Como companheiro de palanque, contenta-se com Romário, crítico da administração da Dilma com chances reais de ser o novo senador do Rio de Janeiro, já que seu principal concorrente, o ex-prefeito Cesar Maia, além dos baixos índices nas pesquisas, ainda corre o risco de ser cassado  por condenação de improbidade.


É lamentável a situação da presidente e a sua performance eleitoral, mesmo com índices maiores do que os de seus principais adversários até agora. Em São Paulo, Skaf, o candidato do PMDB, ex-presidente da Fiesp, já  anunciou que não apoia a Dilma. Segundo ele, “por motivos óbvios”. Na capital e no estado, a presidente amarga uma das maiores rejeições para voltar ao Palácio do Planalto. Até o vice-presidente Michel Temer já tentou interceder em favor dela, mas o marqueteiro Duda Mendonça vetou que Skaf se apresentasse ao seu lado pedindo votos ao povo paulista que pretende deixar Geraldo Alkmin novamente no governo.


Efeito

A rejeição ao PT paulista é um efeito retardado. A população ainda não assimilou o apoio de Paulo Maluf, deputado federal, procurado em mais cem países do mundo por corrupção,  ao atual prefeito Haddad, recordista em rejeição. Lula apareceu numa fotografia nos jardins da casa de Maluf abraçando-o carinhosamente e pedindo o seu voto e de seu partido para Haddad. A população que elegeu seu pupilo é a mesma que hoje o abandona.


Aqui, não
No Ceará, a situação da Dilma também não é confortável. Lá, Eunício Oliveira juntou-se a Tarso  Geirissarti , candidato dos tucanos a senador, para derrubar outro petista, candidato dos Gomes. Oliveira está folgado na frente com mais de 40%, enquanto o candidato do Petê continua patinando nos 15%. A derrota da Dilma na terra dos Gomes pode reduzir o número de votos que os petistas sempre tiveram no Ceará e na região Nordeste. E se isso realmente ocorrer, como mostram todos os mapas eleitorais, Dilma corre o sério risco de se mudar de Brasília em 2015.

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