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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 782 / 2014

05/08/2014 - 21:35:00

Cabos eleitorais cobram até R$ 1,5 milhão para apoiar candidatos nessas eleições

Valores são pagos em duas vezes; lideranças comunitárias e vereadores querem faturar alto nesse pleito

Odilon Rios Especial para o EXTRA

De festa da democracia, as eleições em Alagoas viraram um mercado de compra e venda de votos quase indiscriminado. Quanto mais o cenário é disputado, maior é o valor cobrado por deputados, vereadores ou líderes comunitários trocando seus apoios por quinhões de eleitores espalhados em cada esquina do terceiro estado mais pobre do Brasil.

E os valores podem chegar a R$ 1,5 milhão.Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que exatos 1.995.727 alagoanos vão às urnas escolher os seus candidatos em outubro- um crescimento de 31,1%, comparando às eleições do ano de 2000- 14 anos atrás. Somente da última eleição- a de 2012- até hoje, Alagoas registrou crescimento de 7,1% no número de votantes.E cada um vale ouro na hora da barganha. E os valores são pagos à vista: 50% agora.

Os outros 50% dez dias antes da eleição.Nos bairros da Ponta Grossa, Vergel do Lago, Dique Estrada, Benedito Bentes e Trapiche da Barra há um verdadeiro leilão de lideranças, que podem ser donos de vilas ou representantes de ruas. Ou quem tenha votos- muitos votos- a oferecer.

Dois deputados estaduais pagam R$ 70 por voto. Um terceiro- cujo celeiro eleitoral é no litoral sul do Estado- tenta entrar oferecendo mais dinheiro: R$ 150,00. Neste caso, o valor é chamado de casado. Ou seja: ele é candidato a Assembleia Legislativa mas o eleitor é “obrigado” a votar no candidato dele a federal. 

No entorno destes bairros na capital, uma das lideranças carrega um quinhão de 100 mil eleitores. Chegam a cobrar R$ 100 mil para apoiar um candidato a deputado estadual ou federal. “A cena é esta: vá à periferia, veja os candidatos e os carrões que ele tem. Ele pagou caro para ter aquele pessoal no palanque. Ganhará a eleição quem tiver dinheiro. E não é pouco”, diz um negociante deste ramo.Não existe fidelidade em relações assim.

Há lideranças fechando com três candidatos a deputado estadual, sem eles saberem dos acordos. “E se souberem pode acreditar: o cara vai cair”, disse. “Cair” significa ser assassinado. “É difícil. Tudo é muito dividido. Candidato não entra na área do outro”. 

Em agosto do ano passado, a vereadora Simone Andrade (PTB) subiu à tribuna da Câmara para denunciar que estava sendo ameaçada por outro vereador por “invadir” o bairro do Prado. Segundo ela, equipes suas foram enviadas ao bairro para ouvir as reivindicações dos moradores.

Veio o primeiro recado: o do filho do vereador. “Foi uma situação bastante estranha. Esse rapaz, que é filho do meu colega, ligou para reclamar e exigir a nossa saída. Onde já se viu isso, rapaz? Sou vereadora por Maceió e não apenas de bairro A ou B”, disse a vereadora.Depois, o recado veio do próprio vereador.

“A cara de pau foi tamanha que essa pessoa me procurou e alertou que essa situação – de invadir o reduto eleitoral – não mais poderia acontecer. Na verdade, fico muito triste com esta situação. Eu, particularmente, quero trabalhar. Espero, de coração, que essa situação não se repita”.Ela não tocou mais no assunto.    

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