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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 782 / 2014

05/08/2014 - 21:26:00

Apoio na disputa ao Senado custa R$ 200 mil

Odilon Rios especial para o EXTRA

No interior, vereadores de cidades com quatro mil ou cinco mil eleitores cobram R$ 200 mil. A oferta vai para candidatos ao Senado.Para quem tem mandato, a cobrança é maior. Alguns deputados federais tabelaram os preços. Cobram entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão para subir nos palanques dos candidatos ao Governo. “Tem gente que paga”, diz um dos negociantes do ramo. Uns deputados estaduais “valem” menos: entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.Há quem seja mais esperto, temendo uma ação da Polícia Federal e o trabalho investigativo do Ministério Público Eleitoral.

Eles não cobram valores em dinheiro mas favores. Alguns prefeitos topam subir nos palanques “de graça”, mas vão cobrar o valor da fatura mais adiante. “Eles vão desviar o dinheiro da Prefeitura. Claro, não vão gastar nesta campanha mas na próxima, diz um candidato a deputado estadual, que acompanha as negociações.Um dos candidatos a deputado estadual tem R$ 50 mil, em dinheiro, para gastar. Procura duas coligações para ofertar sua “carteira” de eleitores: entre 2 mil e 3 mil votos. Ele é dentista, atua em três bairros na capital.

Não é diplomado nem nunca estudou para ser “doutor”. Cobra preços populares para arrancar dentes, tratar cáries e, claro, orientar o cliente a votar em seu candidato. “Tenho dinheiro mas não vou gastar um centavo. Eu? Tenho 65 anos, estou mais para lá do que para cá. Chego junto, ofereço. Se não quiser, tem quem queira”, explica.No lançamento de um dos candidatos ao Governo, mostra cada um, discretamente: “Tá vendo aquele ali? Arrogante, vai se eleger com meus eleitores e de um monte de gente.

Nem fala comigo nem dá um bom dia. Aquele outro ali é poderoso, se acha muito bom. Mas, vai precisar do meu pessoal”, afirma.“Não entro para gastar. O segredo é esse: você entra mas tem que ter dinheiro na mão. Porque você vai usar o dinheiro deles (aponta os candidatos ao Governo e proporcionais). Aí você usa só um pedacinho. Quem é novo chega e já quer ‘enricar’. Vai não. Tem que gastar, não muito, mas tem de gastar”.

E seus R$ 50 mil? “Não vou gastar. Espero chegar junto. Não quer? Não tem problema. Faço campanha e vou atraindo mais clientes para meus consultórios. ‘Tá’ aqui: chego na pessoa e ofereço o papel e isso aqui [mostra o carimbo com seu nome e profissão]. Moço, tem que quer muito cuidado hoje. Pessoal anda com gravador o tempo todo. Risco hoje é ser pego aí acaba tudo”, detalha. 


Ficha limpa

O juiz Márlon Reis foi responsável por um movimento que se tornou febre nacional: a criação da lei da ficha limpa, que impede candidatos com histórico em crimes- desde que o processo contra eles tenha passado por todas as instâncias do judiciário e sem chances de recursos.

 Entrevistado pelo portal Cada Minuto, ele reconhece que a base da corrupção está exatamente no processo eleitoral. “A principal base da corrupção política se concretiza já no processo eleitoral. Muitas campanhas são financiadas com recursos provenientes de emendas parlamentares, desvios de verbas públicas e financiamento concedido por empresas interessadas em influenciar a destinação do orçamento. Os recursos obtidos sob essa forma são utilizados para a chamada compra do apoio político, em que chefes locais são chamados a mobilizar suas bases eleitorais em troca de dinheiro”, disse. 

Para ele, a fonte do financiamento das campanhas no país ainda é problemática. “Aponto como os dois principais problemas o financiamento empresarial de campanhas e o sistema de votação nas eleições parlamentares.

As empresas são hoje financiadas principalmente por empreiteiras, bancos, mineradoras e outras empresas que buscam comprometer o funcionamento do Poder Público. Além disso, a lei sequer define um teto de arrecadação e não assegura a devida transparência ao processo de tomada de contas eleitorais.

Muito precisaria ser feito para assegurar uma real transparência a esse processo”, disse, completando:“Temos, por outro lado, um sistema eleitoral baseado em indivíduos e, o que é mais grave, complemente incompreensível para o eleitoral. Aqui vota-se em um e elege-se outro.

É preciso mudar o sistema eleitoral, adotando-se um modelo que privilegie o voto programático, em bandeira e propostas, desfulanizando a política”, afirmou.

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