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Edição nº 782 / 2014

05/08/2014 - 21:05:00

Às vésperas da campanha na TV, eleitor de menor renda é desafio para oposição

A aposta dos candidatos está no horário eleitoral gratuito, que começa no próximo dia 19

Por Rogério Jordão Yahoo

A 18 dias do início do horário eleitoral na TV, o maior desafio de Aécio Neves e Eduardo Campos é conquistar votos no eleitorado de mais baixa renda. Sem ele ninguém ganha eleição no Brasil.

Estou falando do eleitor que alcança até R$ 1.400,00 de renda familiar. São 42% dos votantes. Nesta faixa, entre fevereiro e 15 de julho deste ano, comparando pesquisas do Datafolha, as oposições estacionaram.Entre os que ganham até dois mínimos, Aécio tinha 11% em fevereiro, agora tem 14% (pouco distante da chamada margem de erro).Campos tinha 8% e ficou com 7% – não se moveu.Dilma lidera com folga neste segmento, embora tenha caído de 51% em fevereiro para 42% em julho. A queda é expressiva, mas as intenções de voto migraram para a indecisão: 7% em fevereiro e 14% em julho, entre os de renda mais baixa.

A aposta dos candidatos está no horário eleitoral gratuito na TV, que começa no dia 19 deste mês.Foi este eleitorado que elegeu Fernando Collor em 1989 (a quem o ex-presidente chamava de “os descamisados”). Naquela longínqua eleição Lula bateu Collor entre os mais ricos e perdeu exatamente entre os mais pobres (prova de que o mundo gira).

Este eleitor levou Fernando Henrique à presidência em 1994, no rastro das melhoras propiciadas pelo Plano Real. Em 2002 Lula ganhou entre os mais pobres, mas ainda assim, teve mais votos entre os mais ricos, proporcionalmente. Foi somente em 2006, quando foi reeleito, que Lula passou a ter mais votos entre os eleitores de mais baixa renda do que entre os mais ricos.

No primeiro turno de 2006, segundo o Ibope da época, Lula levou 55% dos votos dos que ganhavam até dois salários mínimos, e 29% dos que ganhavam acima de 10 mínimos.Reajustes acima da inflação do salário mínimo (que começaram antes da chamada “Era Lula”), expansão do crédito e políticas sociais como o Bolsa Família certamente fazem parte da explicação da guinada de voto do eleitor de mais baixa renda. A esta guinada, alguns analistas chamam de “lulismo”.

Cientista político da USP e ex-porta voz da Presidência no governo Lula, André Singer explica este fenômeno político-eleitoral pela “relação estabelecida por Lula com os mais pobres, os quais, beneficiados por um conjunto de políticas voltadas para melhorar as suas condições de vida, retribuíram na forma de apoio maciço e, em algumas regiões, fervoroso da eleição de 2006 em diante”. (Tirei a frase do livro “Os sentidos do lulismo”, da Companhia das Letras). 

Eis a invenção do “lulismo”, segundo Singer: ter um Estado capaz de ajudar os mais pobres sem confrontar a ordem. Sob Lula, se os pobres ficaram monetariamente menos pobres, é verdade também que os ricos ficaram mais ricos. É certo que os preços elevados das “commodities” no mercado internacional (soja, minério de ferro etc) ajudaram a fechar a conta – e isto não existe mais.Seja como for, em 2010 Dilma repetiu a tendência de Lula: mais votos entre os de menor renda. Se Aécio ou Campos quiserem se eleger terão que reverter em benefício próprio esta dinâmica eleitoral que vem desde 2006.Não é à toa que nenhum dos oposicionistas falará mal do Bolsa Família e terão cuidado máximo ao falar em Pronatec e Minha Casa Minha Vida.

Deste ponto de vista, as críticas recentes de Aécio ao programa federal Mais Médicos pode ter sido um ponto fora da curva – o candidato precisa de tudo neste momento, menos correr o risco de ser interpretado como insensível ao social.Sobretudo, Aécio e Campos vão ter que convencer este eleitor que ganha até R$ 1.400 de renda familiar que a vida vai melhorar monetariamente. “Mais” ou “ainda mais” ou “voltar a melhorar” ou “com coragem”, mas que vá além do slogan e que transmita um pacto real com este segmento. Conseguirão os candidatos expressar isto na TV?

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