Acompanhe nas redes sociais:

22 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 782 / 2014

05/08/2014 - 20:44:00

Servidores da educação em Água Branca tentam negociar reajuste salarial há mais de seis meses

Sindicato afirma que piso está defasado e que paralisação será mantida mesmo tendo sido declarada ilegal pela Justiça

Maria Salésia [email protected]

A semana foi movimentada para servidores da Educação do município de Água Branca, a 295km de Maceió. Em greve desde o início do mês, na quarta-feira, 30, eles tomaram as principais ruas da cidade em ato público de protesto pelo descaso da gestão atual com a categoria. Na quinta-feira, 31, aconteceu reunião interna e nesta sexta-feira, 1º de agosto, voltarão às ruas para denunciar uma série de irregularidades envolvendo desvio no Fundeb, falta de reajuste salarial de 2014, pagamento de salário-família em valores superiores, entre outras.

Embora desde o dia 28 uma liminar do Tribunal de Justiça tenha decretado a greve ilegal, o presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Água Branca (Sinfumab), Odir Siqueira dos Santos Cruz, garante que até o dia 30 ainda não recebeu qualquer notificação, assinalando que até as reivindicações serem atendidas, o movimento continua. Ele relembra que o Plano de Cargo e Carreira do servidor está defasado há quase 10 anos. E faz comparação: o piso nacional do magistério de 20 horas é de R$ 1060,00; em Água Branca o professor trabalha 25 horas e recebe R$ 997,55. “Estamos abaixo do piso.

Queremos que ao menos a lei seja cumprida”.O sindicalista disse que desde fevereiro desse ano os trabalhadores da educação, representados pelo Sinfumab, tentam o diálogo com a prefeita Albani Sandes Gomes, mas a primeira audiência de negociação aconteceu apenas no dia 9 de maio sem a presença da gestora.

No entanto, compareceu nos dias 17, 23 e 25 de julho, quando os trabalhadores apresentaram proposta de 15% para os professores que recebem dos recursos do Fundeb e 12% para os demais de apoio administrativos. Como não houve avanço na negociação, a categoria retroagiu para 8,32% de acréscimo nos salários de toda a categoria como estabelece o governo federal, através da lei do Piso (Lei nº 11.738 de 16 de julho de 2008).

Ele afirmou que em contrapartida a prefeita não apresentou nenhuma proposta de reajuste salarial e ganhou tempo nas negociações alegando que não seria possível, pois a situação financeira da educação não permitiria.

A gestora teve como base um relatório de estudo do técnico da AMA, o qual não foi aceito pelos trabalhadores. Assim, o Sinfumab pediu as informações para que outro técnico fizesse um estudo e confrontou as informações, onde mostra que existe verba para atender as reivindicações.

A categoria repudia a atitude da prefeita que, segundo o representante “reprimiu com uma liminar do desembargador Washington Luis no último dia 28/07/2014 em uma atitude antidemocrática por parte da gestão, onde poderia estar negociando, viabilizando o diálogo com atitudes de respeito e valorização profissional e crescimento no desenvolvimento da sociedade aguabranquense”, criticou Odir Siqueira.

O sindicalista disse ainda que a Justiça deveria ter ouvido os dois lados da situação, pois  o que eles reivindicam é lei. E relembrou que na última reunião com a prefeita ela disse que iria negociar, mas entrou com uma liminar. “Nos sentimos traídos. Detectamos irregularidades na verba do Fundeb e isso gerou impacto na folha. A própria gestora se comprometeu em analisar nosso relatório, mas quis apenas ganhar tempo”, desabafou Siqueira.

GESTÃO DEMOCRÁTICA 

Além de pedir transparência dos recursos do Fundeb, a categoria reivindica ainda que seja implantada a gestão democrática na educação do município, pela qual o diretor de escola é eleito pela comunidade escolar e não pelo gestor como acontece atualmente. E apontam escolas sucateadas, sem condições de uso, lixo tomando conta do espaço, falta de estrutura, entre outros descasos.

Secretário de Educação rebate acusações

O secretário de Educação de Água Branca, José Carlos Vieira, disse que as acusações de irregularidades na pasta são infundadas e que a prefeita Albani Sandes nunca se negou a receber os trabalhadores da educação do município. Segundo ele, a gestora disse que no momento não poderia atender as reivindicações, mas estava aberta para o diálogo e quando tivesse recursos seriam atendidos.

No entanto, afirmou, eles (servidores) não levaram em consideração. “Não respeitaram os trabalhos essenciais da educação e entraram em greve. Nós, sempre respeitamos as manifestações de rua da categoria, mantemos o salário em dia, mas foi provado que não temos verba para atender agora”, garantiu.Segundo o secretário, a prefeita mandou fazer um estudo detalhado e reuniu a categoria com um técnico que explanou o que o município arrecada do Fundeb e o que pode gastar em 2014.

Ele provou que no momento não tinha como fazer o reajuste. No entanto, o sindicato disse que o cálculo estava errado, fez uma assembleia e paralisou as atividades. “A prefeita entrou na Justiça pedindo ilegalidade da greve e hoje (30/7) era para eles voltarem, mas desrespeitaram a decisão judicial. A gestora nunca se negou a receber os servidores e nunca descartou o reajuste, mas agora não pode atender a reivindicação”, disse.No entanto,  reconhece que houve distorções, mas que não influenciam na decisão.          

 “O relatório deles (sindicato) apontou pequenas distorções, tão mínimas que vão ser corrigidas, o que não interfere  no reajuste”, garantiu.Enquanto o impasse continua, cerca de 5 mil alunos são penalizados sem aulas.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia