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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 782 / 2014

05/08/2014 - 20:02:00

JORGE OLIVEIRA

A diferença entre Lula e FHC

Brasília - Gostaria de chamar você para uma reflexão sobre o PT e o PSDB que governam o país há quase vinte anos e a conduta dos dois ex-presidentes, personagens importantes na história do Brasil nas últimas décadas, depois que deixaram o cargo. Lula, o mais populista, e FHC, o mais aristocrático, voltam à cena política este ano cada um com seus representantes na disputa presidencial. Uma coisa, porém, tem me chamado a atenção no perfil desses dois políticos.

Lula, por exemplo, desde que largou a presidência luta para evitar outras condenações de seus ex-colaboradores por crimes diversos contra a administração pública no período do seu governou. Deixou, sem dúvida, um rastro desabonador à sua conduta como presidente e apagou do seu currículo a ética e o combate a corrupção que tanto apregoou antes de chegar ao poder.

Desde que saiu do governo, Lula já intercedeu junto ao STF para melar o processo dos mensaleiros, negou conhecer todas as gatunagens da sua administração e tem se esforçado para que os escândalos não enlameiem mais ainda a sua biografia. Mas a julgar por sua última intervenção, o país só tem a lamentar.  Agora, o ex-presidente pressionou o Tribunal de Contas da União para livrar a Dilma de uma condenação.

Pediu e conseguiu que ela não fosse incluída no relatório final do ministro José Jorge, ex-pefelista, que responsabilizou onze diretores e o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli,  pela compra superfaturada da refinaria de Pasadena, no Texas.Lula vem usando o tempo disponível para evitar ou até tirar da cadeia seus auxiliares. Dessa vez obteve êxito.

Como pernambucano, apelou para os conterrâneos José Jorge e José Múcio, também ministro do TCU, seu ex-chefe da Casa Civil, para que a Dilma fosse isentada de responsabilidade da compra da refinaria superfaturada,  já que ela presidia o Conselho da Petrobrás à época e tinha poder de veto para impedir o negócio. Infelizmente, é esse o passa tempo do Lula desde que deixou o governo: impedir a prisão ou a condenação de seus ex-auxiliares. 

Essa é a diferença de princípios entre Lula e FHC. Se eu estiver errado me corrija, por favor. Desde que deixou a presidência da República, Fernando Henrique Cardoso tem viajado frequentemente para o exterior. Leciona nas  melhores universidades do mundo e se dedica com prazer a escrever livros sobre política e sociologia.

Percorre o país fazendo análises econômica e política, escreve artigos para jornais, dirige o instituto com o seu nome, mantém um site com seus trabalhos acadêmicos e é convidado para aberturas de grandes conferências na companhia dos maiores estadistas do planeta.

FHC não se dedica, ao que me consta, a limpar seu nome em processos na Justiça nem nomes de seus ex-auxiliares.Dedica-se, isto sim, em tempo integral, ao que gosta de fazer: pensar e aprofundar teses sobre os problemas sociais, políticos e econômicos do Brasil e do mundo nos seus estudos como professor e escritor, debatendo-os no idioma local nas mais conceituadas universidades da Europa e dos Estados Unidos. Grandeza, é isso pelo menos que o Brasil espera dos seus ex-governantes.

Cerco

O Aécio pensou que a coisa ia ser fácil. A Dilma levando porrada de tudo quanto é lado e ele assistindo de camarote. Esqueceu que campanha é uma guerra. E como em qualquer batalha sai na frente quem se organiza e tem a melhor estratégia para surpreender o adversário no momento certo. O primeiro petardo lançado pelo PT no sítio de guerra do Aécio deixou o general atordoado, indefeso. Quando apareceu para se defender, não apresentou uma versão convincente para a construção do aeroporto. Resultado: não parecia convicto do que estava dizendo, portanto, deixou no ar a dúvida se a coisa é ou não é lícita.


Estratégia

Numa campanha política é indispensável conhecer o adversário, sua vida, seu passado e sua história; familiares e amigos. Se você não sabe o perfil do seu concorrente, certamente terá dificuldade em planejar sua própria estratégia. O PT, como era esperado, botou as unhas de fora e parece conhecer bem seu adversário: pôs o Aécio na defensiva, exigindo dele que esclareça a construção do aeroporto no terreno do seu tio avó com di-nheiro público. Em caso como esses, o candidato, bem instruído, se defende com uma nota oficial, onde esclarece tim-por-tim  todas as dúvidas. Ficar a mercê do questionamento da mídia pode levá-lo a escorregões fatais.


Popstar

Aécio Neves não é um candidato de couro grosso, curtido em escândalos e nas críticas do dia a dia. Fez sua carreira política em Minas Gerais e no Congresso Nacional, onde foi presidente da Câmara dos Deputados, sem contestações nem oposição. No seu estado virou um popstar, admirado pela população que retribui seu trabalho elegendo seus candidatos, alguns deles obscuros, mas fiéis e leais. Nunca precisou olhar para trás e aprender com a derrota, portanto, não sabe o que é superar as adversidades.


Assustado

Ao aparecer sendo arguido sobre o aeroporto não tinha certeza do que dizia. Parecia perdido no tempo, um animal assustado. Mostrou-se despreparado para o primeiro confronto, a primeira provocação, a primeira denúncia (?). O que se viu, na verdade, foi um candidato acuado para responder a uma acusação que, em princípio, seria simples e sem grandes consequências. Faltou a ele serenidade para minimizar o que o PT considera um grande escândalo.


Uma bomba

Se no primeiro míssil (de pequeno alcance) Aécio fraqueja, é sinal de que a sua equipe não está ainda preparada para responder a outras acusações que virão em seguida e que podem colocar o candidato em cheque. Como os tucanos têm poucos minutos de TV, esclarecer o questionamento dos adversários no guia eleitoral vai consumir o tempo do programa e reduzir a divulgação de suas propostas de governo. Com maior espaço no guia, o PTpode apresentar sua plataforma e ainda dedicar um bom tempo para responder as acusações tucanas e até fazer outras. 


Televisão

Não se engane, senhoras e senhores candidatos, a campanha política é fundamentalmente na televisão e na rede social. Não adianta gastar tempo e dinheiro com papel ou pichações. A televisão e o rádio são os principais veículos de massa. E quem não souber manipular essa mídia está fadado ao fracasso. Ah, ia esquecendo: uma campanha não pode prescindir de um núcleo de inteligência, responsável pelo avanço e pelo recuo do candidato no momento certo.

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