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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 781 / 2014

30/07/2014 - 07:52:00

Renan Filho tenta sair da sombra do pai

Odilon Rios Repórter

No lado da oposição, a campanha está nas ruas com a frente liderada pelo PMDB apresentando o número máximo de candidatos permitidos por lei. A forte chapa proporcional é apoiada pela maioria de prefeitos e vereadores do interior. Renan Filho aproveitou esses dois últimos meses para fazer reuniões com setores da sociedade civil e do empresariado alagoano. Sua peça forte é um programa de governo bem elaborado.

Sua peça mais fraca é a exagerada heterogeneidade. Uma aliança eleitoral entre Collor, o ex-governador Ronaldo Lessa (candidato a deputado federal) e Renan Calheiros era impensável há tempos atrás. A presença de 16 partidos coligados é a garantia de problemas de todos os tipos. A vantagem nas últimas pesquisas eleitorais e o privilegiado tempo de televisão e rádio conseguem, por enquanto, acalmar as divergências internas.

Além disso, Collor começa a se desprender de Renan Filho. Ganha apoio de prefeitos, vai a eventos, sem estar com o filho de Renan. Os Calheiros tentam acompanhar o ritmo de Collor e evitar as diferenças. Collor, porém, não esconde- também- seu gosto por Biu. Tanto que o prefeito da Barra de São Miguel, Zezeco, é do PP, de Biu. As eleições estão cada vez mais dependentes do tempo gratuito na rádio e televisão, que começam no próximo mês. Esse tempo é gratuito somente no acesso, mas os gastos com a elaboração dos programas televisivos e radiofônicos são astronômicos.

Somente os custos de uma produtora para cobrir diariamente, durante a campanha, nove minutos do PMDB ou os cinco do PP de Biu de Lira serão de milhões de reais. Com mais recursos e mais tempo eleitoral, essas duas frentes devem mobilizar mais os eleitores alagoanos. Os dois minutos do PSDB custarão também um preço alto, mas terão apoio da máquina tucana. 

A campanha na TV e rádio servirá para apresentar propostas encantadoras para as áreas sociais, como o fim da violência e do analfabetismo; ou econômicas, a exemplo do “mágico” estaleiro Eisa (agora Enor), que não navegou, ou da antiga fábrica de aviões que não decolou. Para os pequenos partidos resta apresentar programas artesanais em tempo minúsculo.

As chapas majoritárias já se movimentam pelos bairros e pelos municípios do interior. Biu de Lira resolveu re-lançar sua candidatura em Atalaia, onde sempre é o mais votado. Renan Filho escolheu Maceió como alvo eleitoral pela rejeição detectada nas pesquisas, decorrência de ser o herdeiro de Renan Calheiros.

Entre os menores, o destaque é Mário Agra que vem utilizando as redes sociais para divulgar sua plataforma, atrelando seu nome ao da vereadora Heloísa Helena (PSOL), o que lhe deve render uma boa soma de votos. Os primeiros debates, num canal local de TV fechada ou na Fecomércio, não ajudaram muito os candidatos pelo pouco interesse gerado e pouca repercussão na mídia. A verdadeira comunicação começará no horário gratuito, que cobre as quatro televisões de sinal aberto e as dezenas de rádios na capital e interior, com inserções diárias de 30 minutos.

Para o Senado, os lançamentos das candidaturas de Omar Coelho pelo DEM na coligação com o PP, e do professor Eduardo Magalhães na coligação com o PSDB, vêm apenas confirmar o favoritismo de Collor na aliança com o PMDB. Sem lançar o nome esperado, que seria Thomaz Nonô, o DEM apresentou Omar Coelho, ex-presidente da Ordem dos Advogados, na qual foi derrotado na última eleição, num pleito marcado por denúncias de compra de votos. Nunca disputou uma eleição e seu nome foi uma maneira encontrada de fechar o acordo com o PP. 

No PSDB, o escolhido, por absoluta falta de alternativa, e depois de muitas idas e vindas, foi o professor Magalhães, um “tucano de carteirinha” que está sempre presente nos comentários radiofônicos, onde se apresenta como cientista político. Magalhães e Omar são ilustres desconhecidos para os quase dois milhões de eleitores alagoanos.

Essas duas candidaturas, ainda assim, terão um relativo tempo na TV e rádio (2 minutos para Omar e um minuto para Eduardo Magalhães), e tentarão ser alternativa ao favorito Collor de Mello (4 minutos), retirando voto da segunda mais forte candidatura que seria Heloísa Helena. Sem apoio federal, sem um grande partido e com pouco tempo de TV e rádio (apenas 27 segundos), Heloísa trabalha o apoio dos movimentos sociais e dos movimentos voluntários de seus muitos e fiéis eleitores, tentando repetir, no Estado, o resultado que obteve para vereadora em Maceió, quando foi a mais votada.


Proporcionais

Essas eleições estarão marcadas também pela disputa proporcional. Neste caso, a vantagem da chapa liderada pelo PMDB é clara. Montada pelo ex-governador Ronaldo Lessa, a coligação de dezesseis partidos deverá eleger quatro federais e, pelo menos, doze estaduais. Com uma chapa única para federal, essa coligação arriscará, inclusive, eleger um quinto deputado. A frente liderada pelo PP garante dois nomes e poderá emplacar o terceiro representante na Câmara dos Deputados.

O esforço pessoal de Biu de Lira é fazer seu filho Arthur Lira o mais votado. Os tucanos mais o PRB de Galba Novaes garantem uma vaga, que será do sobrinho do governador. A frente PMN e PRTB deverá eleger um deputado e o nome mais forte é o de Cícero Almeida.No plano estadual, as chapas estão fracionadas. O PMDB não conseguiu somar todos na mesma lista e o PT resolveu sair solitariamente, na expectativa de eleger três deputados, com Judson Cabral puxando os votos da bancada petista, na medida em que foi beneficiado pela ausência de Rui Palmeira e de nomes novos na disputa.

A frente de Biu de Lira deverá fazer uma bancada expressiva de mais de oito deputados. A aliança PSDB com o PRB garante pelo menos dois parlamentares, e a frente PMN com o PRTB espera eleger quatro estaduais. Mesmo diante das dificuldades financeiras, mas apoiado no nome de Heloísa, a aliança PSOL/PSTU deverá eleger um deputado estadual, inaugurando a presença deste partido no parlamento estadual. Nem mesmo os especialistas em resultados eleitorais, os observadores mais atentos, têm claro os nomes mais fortes em cada chapa, podendo ocorrer surpresas, principalmente no interior do Estado, como é o caso da região de Arapiraca, 

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