Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 781 / 2014

29/07/2014 - 07:49:00

O milagre das ruas

Maurício Moreira

Há exatos 12 anos, em plena campanha para prefeitos e vereadores de 2002, eu escrevi este artigo cujo titulo é O Milagre das Ruas, saiu pela primeira vez na gazeta de Alagoas, depois ao longo das campanhas que passaram, republiquei diversas vezes no extra, para minha grata surpresa a alguns meses atras saiu na Gazeta de Alagoas um artigo por conhecidencia com o mesmo titulo, estou mais uma vez republicando o artigo, pois o mesmo esta mais do que nunca atual, nesses últimos 12 anos, diversas operações, principalmente vinda do Ministério Publico Federal, Justiça Federal, em conjunto com a Policia Federal, inclusive com diversas prisões por corrupção e desvio do sagrado dinheiro publico e também por compra de votos, faz necessário que a sociedade como um todo permaneça mais do que nunca vigilante, a chapa de oposição apresentada para os Alagoanos para enfrentar e derrubar definitivamente este que já esta entrando para a historia como o pior governador que o nosso sofrido estado já teve que é o atual governador Teotônio Vilela Filho, dizem as más línguas de pessoas ligadas ao governador que existe um acordo entre o Senador Renan Calheiros e ele Teotônio, por debaixo dos panos, asseguro a vocês meus caros eleitores que este acordo espúrio não existe, pois se o mesmo existisse seria ludibriar a grande massa de Alagoanos e Alagoanas que querem uma autentica mudança para melhor e o melhor com certeza é Renan Calheiros Filho para o governo, a reeleição do bravo Senador Fernando Collor, bem como a recondução da presidenta Dilma Roussef juntamente com os partidos aliados cujas principais lideranças são: Ronaldo Lessa-PDT, Paulão-PT e o ex-prefeito Cicero Almeida, com estes que compõem a base aliada sim, com certeza é a verdadeira aliança do futuro Governador Renan Filho e de seu pai o valoroso presidente do Senado Renan Calheiros.

“Ouçam as vozes das ruas”, bradou certa feita Danton, o maior tribuno da Revolução Francesa, dirigindo-se aos representantes da nobreza que formavam a Maioria nos Estados Gerais, o Parlamento pré-revolucionário, que teimavam em desconhecer os ruídos que ecoavam das vielas e das praças de Paris, na derradeira tentativa de manter seus privilégios abusivos, erro que em breve lhes custaria o poder e, em seguida, as cabeças.Invariavelmente, os que estão sentados no alto têm dificuldade em ouvir o que ocorre abaixo.

Desde sempre o poder tem entorpecido os sentidos e produzido miragens inebriantes. Dessa maldição ninguém escapou até hoje, salvo raríssimas exceções que só fazem confirmar a regra. Nem mesmo a democracia está protegida desse mal, pois é sabido que apesar desse regime de governo ser o melhor antídoto contra a degradação que o poder absoluto enseja, mesmo o poder filho da democracia não está imune (muito pelo contrário), à devastação de valores provocada pelo estiolamento moral que o poder, qualquer um deles, gera.Qual será o mal do nosso tempo? O que perdemos e o que precisa ser recuperado no Brasil e em nossa Alagoas?  

Será que teremos a capacidade de perceber esses sinais ou nos deixaremos engolfar por nossa própria insensibilidade? O fato dos tempos serem outros nos sugere que não se repetirão mais as cenas dantescas que se seguiram à profética advertência de Danton, mas é possível que cabeças venham a rolar no panteão da moralidade pública, daqueles que deveriam praticá-la e se sonegam a esse dever. Dessa feita não arrancadas pela lâmina da guilhotina, mas por iniciativas de regulação social decorrentes de ações, cujos sinais já ecoam aqui e ali.

À memória me vêm ecos das décadas  de 70 e 80, quando o antigo MDB congregava o ideário libertário do Brasil das ruas, reunindo homens e mulheres, uns jovens, outros maduros, na busca do País dos sonhos, da ética na política e da justiça social; ainda ressoam em meus ouvidos os passos daqueles caminhantes da restauração cívica e cidadã, os pequenos grupos convertidos depois em multidões, que tomaram ruas e praças para advertir o regime de que o povo abjurava a tutela autoritária e exigia o direito de regular a sua própria vida política.Onde andarão homens como José  Verner, o advogado da única causa que realmente importava naqueles tempos: a da solidariedade desinteressada e magnânima com os perseguidos militantes dos ideais democráticos? Onde estará Dilton Simões, o administrador competente e ético que legou a seus sucessores a Prefeitura de Maceió com os cofres abarrotados.

Onde estará o espírito de Napoleão Moreira, meu pai, homem que nascido em meio à riqueza, se dedicou aos ideais políticos da igualdade e da justiça social.Hoje, assistimos  a líderes que trocam aliados históricos de conduta ilibada por esquemas de votos num lamaçal sem fim.

Nessa ciranda só há lugar garantido para os mercadores de votos e os testas-de-ferro, serviçais sorridentes que se alimentam das sobras dos banquetes.Será que perdemos a  capacidade de ouvir os ruídos nas ruas ou estarão nossos sentidos entorpecidos pela algaravia dos mercadores de votos? Ou o brilho sonante do poder confere razão ao poeta e “ainda somos como nossos pais”? Fazemos igual ao que fizeram aqueles ídolos de pés-de-barro a quem tanto condenávamos, ou pior do que eles, por sermos mais “modernos”, pragmáticos e termos pressa em “recuperar o tempo perdido”.Através da história, as ruas têm feito  milagres.

E as ruas aqui têm o sentido de uma grande metáfora. O ruído das ruas pode estar no discurso do desembargador Sapucaia, embora dele se possa dizer que contém algumas injustiças pelo pecado de generalizar. Sabemos que há homens íntegros no Judiciário. A experiência me fez acreditar na auto-regulação social: a sociedade que de tempos em tempos faz a sua purgação, lançando fora seus próprios excessos. É o milagre das ruas. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia