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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 781 / 2014

29/07/2014 - 07:46:00

A opinião da velhinha alagoana

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Desde que Collor foi praticamente expulso da Presidência da República, fico pensando no que realmente aconteceu.     

Apesar de não ser alagoano, ele se projetou através de nosso Estado e ficou conhecido como político alagoano. Nós sofremos quando ele estava afastado, ouvindo piadas pelo país inteiro e escutamos elogios quando foi candidato a presidente da República e eleito pouco depois.   

 Ainda jovem foi prefeito de Maceió: uma verdadeira euforia! Cercou-se de bons assessores e também de algumas pessoas não muito boas. Novo, vaidoso, cheio de sonhos, não fez administração muito boa, mas não foi dos piores.     

Logo em seguida foi governador do Estado com o mesmo tipo de assessoria e a publicidade era tanta que chegávamos a acreditar num bom governo, mas não foi. Moacir encontrou o Estado com pouco dinheiro, pois no fim do mandato receberam os tais precatórios de hoje várias figuras ilustres das Alagoas e só personagens importantíssimas.     

Divaldo Suruagy assumiu o governo e não conseguia pagar o funcionalismo. Chegamos a 7 meses de salários atrasados e o Estado cheio de empréstimos. A culpa caiu nas costas do Suruagy, entretanto o problema vinha de governos anteriores.     

O moço jovem, bonito, arrogante, vira presidente do Brasil, numa eleição completamente atípica, impulsionada por medidas publicitárias, espalhafatosas como a ¨caça aos marajás¨ e a  demissão aleatória de milhares de servidores . Muitos foram readmitidos sem nenhum critério.     E começa a administração Collor como presidente da República. Muita propaganda, muito estardalhaço, muito carnaval. E aí aparece um ¨primeiro-ministro¨ num governo presidencialista: PC Farias.    

 Criou-se um verdadeiro mito. O homem andava de avião particular pelo Brasil inteiro. Recebia políticos, ajudava a quem queria. Tornou-se a figura mais importante do país.      

Isso irritou profundamente as raposas velhas do Sul e Sudeste. Uma verdadeira campanha contra Collor estabeleceu-se em todos os rincões do país, com exceção do Nordeste. O feitiço virou contra o feiticeiro, PC foi preso, escândalos surgiram e tudo virou um espetáculo teatral. Collor perdeu o controle da situação e foi para o sacrifício.     

Uma atitude digna foi a saída do presidente pela porta da frente com a esposa daquela época. Um fato negativo foi a morte de PC Farias e esposa. Vivemos momentos de turbulência e Alagoas virou manchetes escandalosas em toda imprensa local, nacional e internacional.     

Com o passar do tempo o ex-presidente foi saindo do obscurantismo e voltou à política. Eleito senador, tem se destacado e vem sendo absolvido de processos que foram impetrados contra ele.     

Carrega uma culpa muito grande, ainda é visto como político perigoso, mas milita na política alagoana e no cenário federal com certa facilidade.     Quero crer que perdeu muitos amigos e fez novas amizades, todavia deve ter aprendido quem são os ¨amigos do poder¨. Estou cansada de ver tais tipos.            

Conheci um assessor dele que devia tudo ao presidente e na hora ¨H¨ votou contra ele.   

 Nunca votei em Collor, não sou amiga dele, mas acho uma injustiça afirmar que ele foi um péssimo presidente. Não o acho melhor, nem pior, acho-o igual à grande maioria que passou pelo Palácio do Planalto. Nós não precisamos citar melhores exemplos: Lula e Dilma têm feito um péssimo governo, cheios de escândalos, de denúncias fortes e não estão sendo punidos com tanta severidade.   

 Por que Collor foi ao fundo do poço? Porque não soube dividir o bolo político. Uniu-se ao PC Farias, contrariou a família, os políticos do Sul e Sudeste e irritou grandes nomes do cenário brasileiro que se viraram contra ele. Tivesse o presidente se aliado a nomes famosos, obedecido às raposas velhas, não seria afastado da Presidência da República com tanta gritaria.   

 Sei que muita gente vai rir do que estou dizendo, outros vão pensar que quero agradar alguém, mas o meu objetivo principal é botar para fora a opinião guardada por uma velhinha alagoana, observadora e brasileira.

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