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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 781 / 2014

29/07/2014 - 07:17:00

JORGE OLIVEIRA

Tribunal dos mortos-vivos

Brasília - O Tribunal de Contas de Alagoas divulgou uma lista negra com os nomes de políticos inelegíveis com base na Lei da Ficha Limpa. Incluiu, entre eles, o senhor Danilo Dâmaso de Almeida, ex-prefeito de Marechal Deodoro, condenado por crime de improbidade quando exercia o mandato. Acontece que Dâmaso morreu no dia 30 de abril de 2012 e, portanto, por força maior, não pode disputar mais eleição alguma.

O curioso é que o ex-prefeito quando era vivo - e muito vivo -  alimentava políticos e empresários corruptos com dinheiro sujo e nunca foi banido da vida pública, mesmo tendo sido preso algumas vezes. Agora, no além, teve a alma penalizada pelo tribunal alagoano.O Globo publicou uma extensa matéria sobre o papel dos tribunais de contas no país.

E o resultado a que se chega é o esperado: órgãos inúteis, lotados de ex-políticos pusilânimes, subservientes ao poder Executivo a quem deveriam vigiar, mas fazem vista grossa aos desmandos. Alguns dos conselheiros, como em São Paulo, mesmo condenados, continuam refestelados nos gabinetes como se nada tivesse afetado a sua conduta moral. O que ocorreu em Alagoas é apenas um aperitivo da inoperância desses tribunais no país. Lá, o órgão,sem serventia, já morreu antes do prefeito. Só não foi enterrado.

Os TCs  no Brasil são depósitos de páreas, ex-políticos inescrupulosos, nomeados por governadores e prefeitos irresponsáveis que transformam esses tribunais em depósitos de serviçais e mercenários. Eles são escolhidos a dedo pelo Executivo para não questionar suas contas, normalmente aprovadas sem ressalvas mesmo quando constatadas inúmeras irregularidades.

Seus conselheiros vivem de salários altos, carros e combustível à disposição, motoristas em tempo integral, servidores 24 horas, mordomias sem limite. Muitos não têm nem formação universitária e quando apresentam diploma de curso superior é falso, como já aconteceu em Alagoas.

Ao dizer que o “senado é o céu, o paraíso que você alcança ainda em vida”, o ex-senador Darcy Ribeiro  esqueceu-se dos tribunais de contas. Ao contrário do senador que precisa renovar o mandato de oito em oito anos, o conselheiro é cargo vitalício conseguido sem concurso público.

São nomeações sem critério de qualidade. Basta, para isso, exercer um mandato de deputado estadual e cair nas graças do governador para chegar ao paraíso. A função é fiscalizar as contas do Executivo. Isso é o que menos eles fazem, porque saem da política mas deixam os parentes como seus sucessores. Assim, para elegê-los, chantageiam os prefeitos ameaçando-os rejeitar as contas se os filhos não forem apoiados nas eleições.É assim que funcionam essas arapucas com o dinheiro público.

É uma anomalia do sistema democrático que deveria ser revisto. Essas nomeações não deveriam ocorrer indiretamente, já que são cargos vitalícios, nem decididas por indicação do governador ou do prefeito. Conselheiros escolhidos deveriam ser sabatinados por entidades da sociedade civil, a quem caberia a indicação pelo voto direto e soberano.

Enquanto essas nomeações ficarem a cargo da panelinha do Executivo, o Brasil estará fadado a ser sempre o país da corrupção e das mazelas, onde o eleitor, coitado!, ainda é obrigado a votar em alguns desses pulhas sob o risco de ser multados e não legitimá-los no cargo.

Mobilização

No ambiente do Aécio e de Eduardo, caso este cresça, será de euforia a cada ponto que avançar nas pesquisas, o que certamente vai influenciar os programas da TV, as caminhadas e a militância que se mobiliza com mais rapidez a medida que o seu candidato cria expectativa de poder. Pelo andar da carruagem, o PT amarga uma das disputas mais acirradas dos últimos dez anos. Com um detalhe: vai ter que administrar a tendência de queda na intenção de voto e o crescimento da rejeição da sua candidata.

É o fim

Não faz muito tempo o Ibope deu uma de João sem braço e tentou aproximar Aécio e Eduardo da rejeição da Dilma. Agora, a pesquisa do Data Folha, conserta o erro. A Dilma lidera a rejeição com quase 40% e os seus dois principais adversários têm entre 15% e 16% respectivamente. Com a queda em mais dois pontos, de 38% para 36% na intenção de voto, a presidente caminha para o cadafalso e dificilmente será reeleita. Além disso, seu governo é considerado ruim por quase 30% dos eleitores. No segundo turno, uma revelação que deixou os petistas arrepiados: Dilma empata com Aécio, que ainda não é conhecido por boa parte da população. Quem apostou na Dilma vai mudar de palpite, se não quiser se frustrar.


Patinando

As campanhas ainda não estão nas ruas. Os candidatos fazem apenas caminhadas em algumas capitais e participam de debates fechados. Mas o espaço na mídia agora é igual para todos eles. Quem se planejar para bons eventos evidentemente vai chamar a atenção dos eleitores, o que não vem ocorrendo com Eduardo Campos que caiu nas pesquisas depois que começa-ram as campanhas. Continua com um discurso vazio e sem objetividade. Carrega o peso da vice Marina Silva que tem dificuldade em se comunicar com o eleitor pelo discurso rebuscado e de difícil compreensão.


Televisão

O Planalto aposta numa reviravolta. Considera que o bom tempo de televisão que dispõe pode reverter a popularidade da presidente que já sente, como a Seleção Brasileira, o peso de ter que vencer as eleições para não enfurecer os petistas  no poder há 12 anos. Mas se não deslanchar durante os primeiros programas, o ambiente dentro da campanha vai ficar insuportável e a partir daí ninguém se entende.  A exemplo de Felipão, em quem a Dilma disse se espelhar, os marqueteiros serão execrados e responsáveis pelo fracasso da candidata.

Correção

O últimos números do Datafolha, já contabilizados depois da Copa do Mundo, mostram que o comercial do Blatter a favor da organização do evento não surtiu efeito. Não pingou um voto sequer nas urnas a favor da Dilma. Ao contrário, todos os seus índices: aprovação do governo, rejeição e aceitação são desfavoráveis. E para piorar, o Datafolha tratou de corrigir o erro do Ibope na rejeição dos adversários da Dilma.  

Dissidência

Outro fator que joga contra o PT é a estagnação econômica que reflete negativamente em todos os setores, inflação alta e sem controle, inadimplência da pessoa jurídica e física na estratosfera, maquiagem dos números para falsear os índices econômicos, obras inacabadas e superfaturadas na Copa, falta de planejamento e inaptidão dela para administrar o país. Para coroar o fracasso, na política ela conta com outras adversidades: o fastio dos militantes petistas e de parte da cúpula do PT com a sua campanha, a falta de apoio do empresariado, que começa a debandar para o Aécio, e a dissidência do PMDB, principal aliado, em vários estados. Em 2015, quem sabe, o Brasil não respira melhor.


Futebol

A Dilma agora está se metendo nos assuntos futebolísticos para tentar tirar uma casquinha para sua reeleição. A presidente entende tanto de futebol como Lula de fissão nuclear. Reuniu no Palácio representantes de jogadores para dizer que o Brasil precisa aplicar leis mais severas e preparar melhor seus atletas para disputas internacionais. 


Anarquia

O futebol brasileiro é o reflexo da anarquia e da corrupção que imperam no país. O que o Brasil pode esperar de um senhor como José Maria Marin, presidente da CBF, com esse currículo:  ladrão de medalhas, aliados dos militares na ditadura, político formado na antiga Arena e corresponsável pela morte do jornalista Vladimir Herzog. A Dilma acha que pode resolver a crise no futebol por Medida Provisória e estatizar o esporte mais popular do Brasil. É o país sem comando, à deriva, procurando alguém para botá-lo nos trilhos. Quem sair por último apague a luz, se ainda tiver luz, claro.

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