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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 780 / 2014

23/07/2014 - 10:15:00

A melhor coisa do mundo

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Um neto perguntou-me:- Vó, qual a melhor coisa do mundo?Meu pai responderia imediatamente: - Comer quando tem fome, dormir quando tem sono e beber água quando tem sede.Comecei a divagar e a percorrer caminhos vindos desde a infância até a velhice e verifiquei que há diversas coisas melhores do mundo.Pequenos, precisamos de um lar seguro, pais saudáveis, segurança, boas escolas e guardamos em nossa mente vários momentos especiais.

Lembro-me bem de, quando criança, morando em Jaraguá, ficar na porta, numa cadeira de balanço, esperando meu pai quando voltava do trabalho, trazendo algo para nós, em 4, aguardando sua volta.O Natal era um momento especial, mas um me marcou tremendamente: meu irmão Sabino ganhou de ¨Papai Noel¨ um birô e eu recebi uma boneca negra. Chorei durante vários dias e nunca brinquei com a linda boneca.

Hoje vejo a minha atitude como preconceituosa.Mas diria que a melhor coisa do mundo na minha infância eram as longas conversas que mantinha com meu pai, homem sábio e humilde.   Veio a juventude, cheia de bons e maus momentos. Vivi intensamente essa época, fui aluna do Instituto de Educação, com muito orgulho. E foi o momento que comecei a namorar o Rubião, meu marido há 51 anos.

Um das melhores coisa do mundo em minha juventude foi entrar na Assembleia Legislativa e pensar na política como algo de bom que seria para ajudar Alagoas e o Brasil a crescerem.Convivi com pessoas famosas, participei de vários orçamentos do Estado, ajudei na elaboração da Constituição Estadual, da fundação dos Sindicatos, do crescimento dos servidores por poderem defender seus direitos.

Para mim, naquele momento, a melhor coisa do mundo era a luta de classe por dias melhores, ir à Justiça quando pretendíamos melhorias salariais, não baixar a cabeça para governantes acostumados a mandar em tudo e em todos.

A maturidade foi chegando, os filhos crescendo, as responsabilidades aumentando, os políticos se corrompendo e o Legislativo passando pelas mãos de insensatos que foram transformando a Casa de Tavares Bastos em Casa de Mãe Joana.

E lá vamos nós, caminhando, sofrendo, lutando, sendo perseguida, tentando sobreviver...Diria que, no meio da turbulência, a melhor coisa do mundo eram nossas vitórias judiciais, motivo de alegria para os sofridos servidores.

E a velhice chegou... Com ela a aposentadoria, momento em que pensávamos poder curtir a vida tranquilamnete, sem problemas com o Legislativo. Ledo engano!!! Surgiu uma Mesa Diretora completamente desestruturada e os escândalos se sucederam.

Cortes salariais, enxertos na folha de pagamento, novecentos comissionados, divisão do dinheiro público, não pagamento de férias, etc... Uma verdadeira onda de maldades e desajustes...Mas como o ser humano não se acomoda, a luta continuou e os bons momentos apareceram. Recuperamos o teto constitucional, houve um enquadramento meio torto e as alegrias foram pequenas, mas aconteceram.E a melhor coisa do mundo em meio a tanta confusão foi o afastamento da Mesa Diretora pelo Ministério Público Estadual. Como alegria de pobre dura pouco, os que partiram, voltaram.

E tudo continua como antes...O neto, de olhos esbugalhados, ia ouvindo a minha narrativa e pensava: será que perguntei coisa tão difícil? Minha avó não para de falar...Se pensarmos na vida particular, veremos que os bons momentos são melhores e mais constantes.

Criamos uma família unida, todos se formaram, casaram e tentam levar a vida caminhando sempre pelo lado bom.Há melhores coisas quase sempre: a formatura dos netos, a união dos filhos, a gentileza constante do marido, os irmãos que estão envelhecendo mas não perdem o vínculo conosco, a alegria de ver sobrinhos tocando a vida e tentando ser felizes.

Dizer que há a melhor coisa do mundo sempre é impossível, mas procuramos curtir os melhores momentos, agradecer a Deus por tudo que conseguimos.Atualmente, a melhor coisa do mundo foi que casei de novo com o homem que me atura há 51 anos.

Renovamos nossos votos de amor e fidelidade feitos em 1963, juntamente com os filhos, netos, genro e noras; num total de 21 pessoas que hoje fazem a minha ¨pequena¨ família.Diria então ao meu neto:- A melhor coisa do mundo é ser feliz... enquanto puder.

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