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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 779 / 2014

16/07/2014 - 09:28:00

Autorizado por Renan, prefeito do PMDB pede votos para sobrinho de Téo, Pedro Vilela

Odilon Rios Repórter

Como a votação tenta reunir todos os palanques - simulando discórdias para mostrar ao eleitor que todos estão em lados diferentes (sem estarem) - o prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus (PMDB), ocupa vaga de destaque nas articulações: ele é quem tenta arregimentar outros pemedebistas para atrair apoios ao sobrinho do governador, Pedro Vilela, cuja profissão é ser filho de Elias Vilela (irmão do governador) e uma passagem sem grandes destaques pela Secretaria de Esportes da capital. Matheus não age em vão.

Recebeu autorização de Renan Filho e do presidente do Senado na posição pró-Pedro. Uma dívida que o filho de Elias pagará mais à frente, quando se eleger a deputado federal, sob a sombra do tio e do avô, o lendário senador Teotônio Vilela, líder das Diretas-Já. O prefeito de Marechal Deodoro conseguiu capitanear o prefeito, também do PMDB, Rodrigo do Neno, de São José da Lage.

Sem ajudar o palanque de Eduardo Tavares, o governador Téo Vilela garante não só a permanência de aliados do senador Biu de Lira no Governo (conforme o EXTRA vem mostrando há um mês), mas tenta agradar os dois Renans: não expulsará da administração os 47 comissionados da Secretaria da Paz.

O dono destas indicações é o deputado federal Givaldo Carimbão (PROS).Biu de Lira também não enfrenta problemas com o chefe do Executivo estadual. Até o coordenador da campanha é ex-secretário de Vilela: Marcelo Casado, um dos 85 indicados pelo deputado federal Maurício Quintella (PR) na Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. Marcelo saiu do governo sem ressentimentos, para ocupar posto de destaque na extraordinária eleição de amigos em Alagoas. O vice de Biu, o deputado federal Alexandre Toledo (PSB), amigo de Vilela, também tem indicados no governo (Agricultura e Saúde).


Bancada da pistolagem busca imunidade parlamentar

Se a eleição ao Governo é uma conjunção de esforços de grandes amigos, as proporcionais - deputado estadual e federal - carrega lances inusitados ou mais sérios. O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) é a grande aposta, a federal, na Frente de Oposição, liderada por Renan Filho. Cota-se, para ele, entre 100 mil e 130 mil votos. Não se elege, mas a quantidade de candidatos na chapa pode ser a escada necessária para Lessa chegar a Brasília, em busca da imunidade parlamentar (atual foro por prerrogativa de função) e se livrar dos processos que ameaçam seu futuro político e podem inclui-lo na Lei da Ficha Limpa.Há três semanas, conforme o EXTRA adiantou, Lessa foi julgado e condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Motivo: suas contas foram rejeitadas. Há uma dívida de R$ 2 milhões a ser paga, da última votação à Prefeitura de Maceió.  Advogados eleitorais consultados pela reportagem descartam que este processo possa incluir o ex-governador na Lei da Ficha Limpa. “O Ronaldo não apresentou a defesa dele. Esta será uma matéria em discussão, mas o Ronaldo não corre risco de ficar inelegível”, disse um advogado.

O inusitado fica por conta de unir, lado a lado, o Ureia-Lá  (Sérgio da Silva Veloso, taxista, do PPL) na mesma composição para reeleger os deputados João Beltrão, Cícero Ferro, Antônio Albuquerque, todos do PRTB e Francisco Tenório (PMN).João Beltrão é acusado em três homicídios: do bancário Dimas Holanda (3 de abril de 1997, no conjunto Santo Eduardo, em Maceió); cabo José Gonçalves (28 de outubro de 1996, no posto de gasolina Veloz, na Via Expressa, em Maceió); e Pedro Daniel de Oliveira (Pedrinho Arapiraca, morto com 15 tiros em um posto telefônico na cidade de Taguatinga, estado do Tocantins, em 9 de julho de 2001).

Já Cicero Ferro, em nova fase “paz e amor” (conectado às redes sociais, pedindo orações e votos) é acusado de matar o primo, Jacó Ferro, e o vereador de Delmiro Gouveia, Fernando Aldo, além de indiciado por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional - no desvio de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia, descoberto pela Polícia Federal.

Antônio Albuquerque é apontado, pela Polícia Federal, como o líder da quadrilha que desviou os milhões da folha de pagamento da Casa de Tavares Bastos. Também é citado no assassinato do cabo Gonçalves. Outro também citado na trama do assassinato de Gonçalves é Francisco Tenório, delegado agora aposentado por invalidez e indiciado na Taturana.

Na chapa que serve de guarda-chuva a acusados em pistolagem está, na disputa a federal, o ex-prefeito Cícero Almeida (PRTB), citado na máfia do lixo, instalada na prefeitura da capital e que desviou R$ 200 milhões dos cofres públicos, esquema denunciado pelo promotor Marcus Rômulo, do Ministério Público Estadual.

Afonso Lacerda também é uma das estrelas desta chapa que tem como candidato a governador Jeferson Piones (PRTB). Afonso ficou conhecido por ser candidato, nas eleições de 2010, ao Senado. Sua proposta era atacar a vereadora Heloisa Helena (PSOL), que acabou derrotada na votação para o hoje senador Benedito de Lira. Lacerda negava ser “o laranja” da eleição. É segundo suplente ao Senado da coligação de Piones, que tem com titular o delegado Oldemberg Paranhos (PRTB).O filho do presidente do Tribunal de Contas, Cícero Amélio, Val Amélio (PRTB), também quer seguir na política, como fez o pai, antes de chegar ao TC.


Chapa de Biu e Renan Filho também ‘bichada’

A chapa de Biu de Lira também carrega a sua mácula. Nela, a ex-prefeita de Estrela de Alagoas, Ângela Garrote (PP), que já foi presa por desviar R$ 1 milhão dos cofres da prefeitura. Ângela tenta se eleger para a Assembleia Legislativa, notável blindagem de assassinos e corruptos. Conhecido por arrancar parte da orelha do ex-vereador Paulo Corintho em uma briga e pelos vídeos em que mostra seus atributos sexuais, o deputado Dudu Holanda (PSD) tenta a reeleição, na chapa de Renan Filho.

Algumas prisões depois, além da acusação de assassinato (José Geraldo Renovado Serqueira, 32 anos, líder comunitário na cidade de São Luiz do Quitunde, foi morto em outubro de 2007), o ex-prefeito Cícero Cavalcante (PMDB) está de volta ao páreo na disputa a deputado estadual para tentar ocupar a vaga da filha, a deputada Flávia Cavalcante.

Cícero ficou conhecido em todo o Brasil, em 2005, quando o Jornal Nacional mostrou-o usando um par de algemas, ao ser preso por desviar verba da merenda escolar em Matriz de Camaragibe. Está com Renan Filho.O usineiro João Lyra (PSD) não abandona o sonho de disputar as eleições a deputado federal. É candidato na chapa de Renan Filho. Com uma dívida de R$ 2 bilhões, centenas de processos trabalhistas e uma ação penal por crime ambiental, Lyra quer continuar na política.

Na chapa a proporcional que une PROS, PT do B, PHS, PC do B, PV, há a mistura dos comunistas, dos verdes e de Marcelo Victor, o “senhor das armas” da Assembleia e da Operação Taturana.

O ex-delegado José Pinto de Luna é candidato a deputado estadual pelo PT- ele foi o xerife da Operação Taturana. Ajudou a estourar o esquema criminoso na Assembleia, via Policia Federal (era superintendente da PF em 6 de dezembro de 2007).Lembrando que todos os nomes ainda passam pelo TRE. Vão ter seus registros aprovados? O tempo e o julgamento serão os senhores desta decisão.

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