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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 779 / 2014

16/07/2014 - 09:24:00

Eleições envolvem vaga ao TC, banda da pistolagem e união de palanques

Vilela quer Fernando Toledo na Corte de Contas; acusados em crimes tentam imunidade; sobrinho do governador ganha adesão de dois prefeitos do PMDB

Odilon Rios Repórter

Fechada as convenções, atas entregues ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), negociações envolvendo um corredor exclusivo ligando, pelo subsolo, o Palácio República dos Palmares e o Tribunal de Contas e o prazo fatal da próxima segunda-feira, quando termina o primeiro tempo das impugnações das candidaturas vindo o segundo, com os registros sendo avaliados, um a um, pelo tribunal alagoano. Mês de julho e a eleição vai sendo construída.

 E o enredo eleitoral pós-Copa do Mundo não inclui nem amadorismo nem derrota. Os cenários vão sendo traçados, como o palanque alternativo costurado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ao do senador Benedito de Lira (PP)- com nomes palacistas. E a proposta de aposentadoria do conselheiro do Tribunal de Contas, Luiz Eustáquio Toledo, para acomodar o presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo (PSDB), na Corte, garantindo-lhe farta aposentadoria e emprego a agregados.No caso do TC, a era Vilela dá largada a uma inovação exclusiva: inaugura-se a temporada da vaga preenchida por cotas para os ricos de Alagoas, com uma exclusividade: o sobrenome Toledo.A “cota Toledo” pretende trocar o conselheiro Luiz Eustáquio Toledo por Fernando Toledo no tribunal. 

Dois problemas

Mas há dois problemas. Primeiro, o Ministério Público de Contas, que não ocupa a vaga de conselheiro do TC. Briga pela de Isnaldo Bulhões (aposentado e espaço a ser preenchido). Esta vaga foi prometida a Fernando e é alvo de disputa judicial- exatamente envolvendo o MP de Contas. Se Vilela agendar a saída de Luiz Eustáquio do tribunal, o MP de Contas quer a vaga dele. Daí a briga será grande. Segundo: Fernando foi condenado pela Justiça em fevereiro de 2013 por improbidade administrativa. Fernando comprou para Bruno Toledo- filho e herdeiro da família, que disputa a vaga do pai na Assembleia Legislativa- um carro com dinheiro da Prefeitura de Cajueiro, reduto dos Toledo.Na prática, seria questionada a idoneidade moral de Fernando, algo sem grandes problemas no Palácio República dos Palmares.


Histórico desta vaga

Luiz Eustáquio ocupou o TC antes da Constituição de 1988. É a chamada “vaga coringa”. Ou seja, pode ser preenchida pela Assembleia, por escolha do governador ou o MP de Contas.Porém, em todos os casos, a nomeação passa pela mesa de Vilela. Quatro vagas no tribunal pertencem à Assembleia. Três do governador. As do chefe do Executivo: uma tem de ser ocupada por um auditor (neste caso, Anselmo Brito). A outra do MP de Contas (ninguém da instituição até agora) e a terceira de livre escolha (hoje de Otávio Lessa, escolhido pelo irmão, o então governador Ronaldo Lessa).

As da Assembleia: Cícero Amélio, Rosa Albuquerque e Claudia Brandão. A de Isnaldo Bulhões (aposentado) não é ocupada.Na prática- retirando-se o MP de Contas que pretende brigar pela vaga- não há empecilhos que impeçam a ascenção de Fernando na política de cotas do tribunal. E já existe o resultado da eleição dele ao posto. Em 2012, o presidente da Assembleia foi eleito pelos deputados em vitória acachapante. Cabo eleitoral? O governador. Entre 25 candidatos a conselheiro, com todas as cartas marcadas, todos os prognósticos desfavoráveis, todas os ascendentes astrais definidos. Um milagre explicado pela promessa do chefe do Executivo em presentear Fernando com o sonho dos cansados de frequentar o ambiente decadente da Casa de Tavares Bastos.


Vaga número dois

Ajustando-se o futuro de Fernando no Tribunal de Contas, sobra o do deputado Gilvan Barros (PSDB)- o mais calheirista dos tucanos na Assembleia Legislativa.Vice do procurador Eduardo Tavares (PSDB), que disputa o governo alagoano, Gilvan é o mais rico da Assembleia e o mais afortunado entre todos os vices: R$ 8,4 milhões- incluindo quatro áreas de terras e oito fazendas no estado do Tocantins, doze veículos (entre eles uma F400, um Land Rover, uma Hilux, oito tratores), exatas 9.560 cabeças de gado). Fechou com Eduardo Tavares, abre mão de disputar a Assembleia Legislativa pela primeira vez em 20 anos (tentará eleger o filho, Gilvan, no cargo) mas cobra a fatura: a vaga no Tribunal de Contas, um sonho antigo.

Boa praça, Gilvan não cria inimigos nem zonas de confronto, seus discursos na Assembleia evitam rotas de colisão com grupos políticos. O estilo tem lhe garantido boas finanças e ótimos dividendos eleitorais. É o mais antigo entre os deputados estaduais no número de mandatos. Mas, sonha o sonho da elite: um espaço no TC. Gilvan Barros é o mais calheirista dos tucanos porque até a convenção do PSDB que definiu seu nome a vice de Eduardo Tavares pedia votos, na Assembleia, ao deputado federal Renan Filho (PMDB). Ajudando na distribuição de santinhos estava outro tucano, Val Gaia. Esta estratégia foi revelada pelo EXTRA na semana passada. Como Vilela também é aliado de Renan Filho, Gilvan pede votos a Eduardo, sem abandonar o grande amigo e presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). 

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