Acompanhe nas redes sociais:

13 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 779 / 2014

16/07/2014 - 08:54:00

Em nome do Pai

Maurício Moreira

“O mundo não está ameaçado pelos que praticam o mal, mas pelos que permitem que ele seja praticado”. A frase, que exala genialidade, é de Einstein, e dispensa outras considerações, mas a li pela primeira vez ao folhear manuscritos herdados de meu pai, Napoleão Moreira, cuja vida foi precocemente ceifada por uma doença. 

A vida é a escola. Isso me conduz de novo a meu pai que em suas inquietudes existenciais – que o fizeram um homem de seu tempo, além dos limites que o nascimento lhe impôs – um dia fez as malas e foi ver de perto a pátria do socialismo, a União Soviética, o ícone dos intelectuais do século passado. E a um amigo, confidenciou sobre aquele gesto de quebrar um tabu – filho de usineiro atravessando a Cortina de Ferro no sentido contrário do que seria esperado dada sua condição de classe – bem a seu modo: “Vim fazer minhas universidades” – disse.

 Era uma referência a Máximo Gorki, o escritor proletário que além de A Mãe, e dezenas de outros títulos marcantes da literatura revolucionária da época, contara suas andanças pela antiga Rússia numa autobiografia que apropriadamente chamara de Minhas Universidades. Napoleão Moreira foi um homem moral. Explico: uma pessoa para quem a vida era uma questão de princípios.

Nos tempos atuais, isso pode parecer supérfluo, mas não é. O alcance temporal dos exemplos confirma a vida como a grande escola pela qual passamos. Embora a mais longa existência física seja curta diante do Tempo, é suficiente para distinguirmos o Bem do Mal. A vida – e a experiência acumulada – nos fazem juízes de nós mesmos. E todos, juízes de todos. De tal maneira que mesmo com apelo aos recursos do embuste com que muitos procuram esconder a verdadeira face – expondo à vista do público uma outra, maquiada, de falsas características, efetivamente ninguém engana a não ser a si mesmo. 

É fato que o homem é seus pensamentos. Mas também é verdade que somos nossas ações. Corpo e alma são indissociáveis, não há como negar. Se o pensamento é a matriz da conduta, as ações são a resultante e por elas seremos julgados. Há quatro julgamentos pelos quais teremos que passar: das instituições temporais; dos nossos contemporâneos; do tempo; e de nossa consciência. 

Aos dois primeiros podemos ludibriar, mas não aos dois últimos. E a consciência – essa que nos cobrará até na eternidade – é inescapável. Em nome do Pai. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia