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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 778 / 2014

10/07/2014 - 13:33:00

Frente de Oposição faz as costuras mais delicadas

Da Redação

Na Oposição, a frente liderada pelo PMDB antecipou suas definições mais complicadas, escolhendo o ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), a vice-governador e Fernando Collor senador. O papel do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) nestas articulações foi destacado, apesar do fantasma da inelegibilidade com a negativa do TRE-AL em aprovar suas contas de campanha e uma dívida de R$ 2 milhões, “sobras” da disputa à Prefeitura de Maceió na eleição de 2012.Com a chapa majoritária definida, a coligação ainda trata de arrumar os interesses conflitantes dos partidos nas  proporcionais, tentando fazer cinco deputados federais e maioria na Assembleia Legislativa, processo que está dando dor de cabeça ao PMDB e poderá provocar dissidências.

A grande arma dessa Frente deverá ser seu tempo de rádio e televisão, o dobro da coligação liderada pelo PP: 13 minutos e 19 segundos.Para isso, o PMDB está investindo forte na contratação de uma experiente empresa de marketing político e na apresentação de um detalhado programa de Governo.

O PMDB não atacará de frente o governador, mas fará críticas e proposições, sempre com o objetivo de ajudar a eleição de Pedro Vilela, herdeiro político de Téo. Como já avisou o senador Renan Calheiros, na campanha não haverá “embate, mas o debate”. Para quem está no jogo político e eleitoral o nome disso é “aliança branca”. Nesta eleição, até agora, não foram os partidos os grandes protagonistas, mas os fortes caciques locais. Foram eles os atores que definiram o rumo das coligações.

No comando do PSDB, Téo Vilela - que não sofreu de “solidão política” coisa alguma - já que esteve sempre em contato direto com Renan e Biu, assessorado pelo pequeno grupo palaciano, ajudou a montar as duas chapas governistas.Primeiro liberando os seus secretários e aliados para apoiar quem quisesse, beneficiando Biu de Lira e, muito depois, tentando arrumar uma chapa para o PSDB eleger seu sobrinho e herdeiro político familiar. No final, a coligação com o PSDB terá a presença apenas do PRB.

Por sua vez, o senador Biu de Lira montou uma aliança capaz de enfrentar o PMDB e, claro, eleger seu filho, o deputado federal Artur Lira (PP) e alguns deputados estaduais preferenciais. Renan Calheiros fez uma parceria com Collor e Ronaldo Lessa e viabilizou uma frente ampla de apoio ao deputado Renan Filho, do PMDB. Outra vez, poucos índios e muitos caciques.Sem força para definir seus próprios rumos, os pequenos partidos foram obrigados a acompanhar esse movimento liderado pelos nomes peso-pesado e vão tentar, nas coligações, viabilizar seus proporcionais.

Na frente do senador Biu de Lira estarão algumas dessas legendas: DEM, de Nonô; o SDD, de João Caldas; o PPS de Régis Cavalcante; o PSB de Kátia Born e Alexandre Toledo e o PR de Maurício Quintella; e na coligação liderada pelo PMDB ficaram: o PT, de Paulão; o PCdoB, de Bonfim; o PDT de Ronaldo Lessa; o PSD de João Lyra; o PTdoB, de Rosinha da Adefal e o PROS de Carimbão. Todos os pequenos se movimentam apenas por espaços no futuro governo e a eleição de seus parlamentares.

Laranjas

Há, na imensa lista de partidos, duas candidaturas consideradas “laranjas” pelos que acompanham a política local. Dois desconhecidos personagens da política alagoana serão candidatos pelo PTN, nanico que há uma semana estava na “frente de oposição”. Outra coligação, a do PTC com o PMN também resolveu lançar chapa própria com nomes sem expressão política. Da mesma maneira fez o PRTB com dois ilustres desconhecidos do mundo político alagoano, mas, diferente dos dois primeiros, o PRTB tem possibilidades de eleger um federal, o ex-prefeito Cícero Almeida e alguns deputados estaduais.Sem se caracterizar como terceira via, mas com capacidade de captar os votos de protesto, a frente de esquerda liderada pelo PSol conseguiu atrair os pequenos PSTU e PCR e confirmou os nomes de Mário Agra para governador e Heloísa Helena para o Senado. Heloísa atrairá muitos votos para sua chapa proporcional, como das vezes anteriores. Suas dificuldades estão no pouco tempo de TV e rádio e na ausência de um nome para presidente da República. A ex-senadora Marina Silva diz que apoiará Heloísa Helena, mas seu partido, em Alagoas, subirá no palanque de Biu de Lira para apoiar os usineiros, como Alexandre Toledo.

Na disputa para o Senado a novidade é o nome de Omar Coelho, do DEM, na chapa de Biu de Lira. O ex-presidente da OAB de Alagoas era candidato a deputado federal até semana passada quando seu partido resolveu desembarcar da coligação com o PSDB e apoiar o PP. Com esta decisão, Biu de Lira tirou Alexandre Toledo do páreo, deslocando-o para vice-governador, abrindo espaços para o DEM que ajudará com seu tempo de rádio e TV. Com a retirada dos nomes de Nonô e Alexandre Toledo, o senador Fernando Collor talvez amplie seu espaço como favorito na sua disputa com Heloísa Helena, como demonstram as recentes pesquisas eleitorais. O estreante Omar Coelho não tem densidade eleitoral ou apoios para quebrar a polarização já existente, mas tentará ser o candidato anti-Collor, disputando o mesmo espaço de Heloísa.

As eleições presidenciais em Alagoas terão uma feição particular. O PMDB e sua frente de oposição farão campanha fechada para Dilma Roussef, como anunciou seus líderes. A chapa tucana de Eduardo Tavares está apoiando Aécio Neves, como era de se esperar. Mas, o PP e sua colição terão a missão impossível de servir a três palanques. O candidato a governador é da base do governo Dilma; votou sempre em Lula, mas quer abrir espaços para Eduardo Campos em seu palanque; o postulante ao senado declarou voto para Aécio. O vice de Biu de Lira apoia Campos, mas prefere Aécio. Uma parte dos candidatos proporcionais vota em Dilma.

Caso raro no Brasil, a coligação do PP dará votos para os três principais presidenciáveis.As eleições de outubro se apresentam com resultados previsíveis. A polarização entre Renan Filho e Biu de Lira deverá se acentuar nas próximas semanas, transformando os demais nomes em coadjuvantes. Collor e Heloísa disputarão a vaga no Senado com votações bem distantes dos demais candidatos. As pesquisas mostrarão essa evolução. As nove vagas para a Câmara dos Deputados têm listas, feitas pelos analistas políticos, com previsão de nomes eleitos cada vez mais semelhantes, sem chances para surpresas. E para a tão criticada Assembleia Legislativa do Estado, a expectativa é de renovação apenas nas vagas dos deputados que não disputarão um mandato este ano. Uma eleição bem alagoana.

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