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Edição nº 778 / 2014

10/07/2014 - 12:09:00

Proposta da SMTT sobre mudança de ponto de ônibus é rejeitada pela Adefal

Portadores de necessidades especiais ameaçam interditar Avenida Fernandes Lima em protesto a medida da superintendência de trânsito

Maria Salésia salé[email protected]

A mudança do ponto de ônibus que atende as pessoas com necessidades especiais assistidas pela  Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas  (Adefal), no bairro do Farol,  não tem agradado aos usuários que ameaçam interditar a Avenida Fernandes Lima, caso a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) não volte atrás e retorne ao antigo lugar. Diariamente, cerca de 1500 pacientes dependem do transporte coletivo para chegar até a Adefal. Os cadeirantes e pessoas com crianças de colo são os que se sentem mais prejudicados, pois o percurso aumentou em mais de 200 metros.

 O impasse parece não ter fim. Na quarta-feira, 2, representantes da Adefal e da SMTT se reuniram para discutir o problema, porém não chegaram a um acordo. A proposta da Superindendência é que o ponto seja reativado, mas apenas para o desembarque de passageiros.  Segundo a assessoria de comunicação da SMTT, caso a medida seja aceita, será enviada circular para as empresas para que cumpram a determinação. A assessoria disse ainda que o órgão reconhece que a mudança causou mais dificuldades para os usuários da Adefal devido ao aumento do percurso, mas foi o meio encontrado para dar maior fluidez ao trânsito naquele local.

É que devido a proximidade com a parada de ônibus do Cepa o congestionamento é maior naquela área. Um dos pontos apresentados pela SMTT para justificar a mudança é que como o embarque ou desembarque de passageiro cadeirante leva em torno de cinco a sete minutos, alguns motoristas de ônibus saem da faixa exclusiva e às vezes são multados. Diferente do que dizem usuários que se sentem prejudicados, a assessoria da SMTT assegura que a medida foi tomada após reunião com a presidência da Adefal no início do ano, onde ficou acertado que o ponto poderia ser mudado desde que desse condições para os pacientes. E assim, a calçada foi adaptada e na semana passada aconteceu a mudança do ponto do ônibus para junto ao que existe no Cepa. 

O paciente Marcelo Santos é um dos insatisfeitos com a decisão da SMTT. Ele garante que todos foram pegos de surpresa e que a proposta não condiz com a realidade. Para ele, até o tratamento de fisioterapia fica prejudicado, devido ao tempo que perde para chegar ao ponto. “O percurso ficou longo, a dificuldade é maior e quando a gente faz a fisioterapia e chega ao ponto de ônibus tem prejudicado o tratamento em até 30% e isso não é justo com a gente que conseguiu essa conquista e agora é retirado sem qualquer respeito”, desabafou, ao acrescentar que se até a próxima semana a parada de ônibus não voltar para o lugar de antes eles vão fechar a avenida.Com o período de chuva a situação fica mais caótica.

Na quarta-feira, 2, a reportagem do EXTRA esteve no local e a reclamação foi unânime. O abrigo não protege da chuva e como fica junto ao já existente, as pessoas reclamam que os motoristas não param no exclusivo para portadores de necessidades especiais.

“Ficou tudo junto, e  a gente nem fica neste que colocaram aí, pois os ladrões estão de olho para levar nossos pertences”, reclamou uma usuária apontando para um rapaz que rondava a área.Outra  paciente usuária de muleta, que  também não quis se identificar, desabafou que a medida foi desumana. Segundo ela, acabaram prejudicando ainda mais uma categoria que já tem suas limitações apenas para que o trânsito flua com mais rapidez. “Assim, não pode continuar. Tem que ser feito alguma coisa para reverter a situação. Foi um direito que foi podado sem qualquer justificativa cabível”, criticou.Ela disse ainda que assistiu a uma mãe com uma criança portadora de encefalia tendo dificuldade de levar o filho no colo, a bolsa da criança, que aparenta ter 8 anos e ainda a sombrinha. “Até chegar à Adefal ela vai sofrer bastante. A distância triplicou e ninguém pensou nessa gente”, argumentou.


ADEFAL VAI RECORRER 

Como não houve consenso entre a SMTT e a Adefal, a associação vai recorrer  para que o ponto de ônibus próximo à entidade volte ao antigo lugar. O presidente da Adefal, Luiz Carlos Saldanha, disse que não ver lógica na proposta da SMTT de recolocar o ponto apenas para desembarque, já que o passageiro leva o mesmo tempo para embarque. “Deveriam facilitar a vida dos portadores de necessidades especiais, já que a Adefal presta tal assistência”, disse Saldanha.  Ele garantiu que vai recorrer às Promotorias da Pessoa com Deficiência e dos Direitos Humanos para pedir que elas ajudem na causa. 


REPROVADOS

Os novos abrigos de ônibus instalados em Maceió têm irritado usuários do transporte coletivo. A principal reclamação por parte da população é que os equipamentos não protegem contra a chuva e o sol. Com cobertura inadequada, quando chove, quem está embaixo fica tão molhado quanto quem está de fora. Mas em dia ensolarado o transtorno se repete. Quem precisa utilizar o espaço à espera do coletivo também se irrita com a alta temperatura. A SMTT garante que o espaço segue a norma e o padrão nacional.

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