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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 778 / 2014

10/07/2014 - 11:56:00

Os tons da prática política

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

A política, na prática, de há muito abandonou aqueles princípios salutares desenvolvidos na obra de Aristóteles, que a entendeu como ciência do Governo e, em resumo, objetivaria a felicidade e bem-estar do cidadão. Lamentavelmente, a práxis política está hoje mais para a conceituação de HOBBES - citada pelo italiano BOBBIO - que a viu como “consistente nos meios adequados para a obtenção de qualquer vantagem”.

Desde recentemente o noticiário político alagoano vem dando conhecimento de suposta “traição” do presidente do PRB local, Galba Novais, ao suplente de senador Euclydes Mello, que com aquele adjetivo qualificou a atitude do vereador por Maceió, aliando o Partido ao PSDB, do Governador Téo Vilela e não à Frente de Oposição. O inconformismo do suplente de senador, segundo suas próprias palavras divulgadas sem oposição pela mídia, é porque, com o rompimento de compromisso e a consequente defecção do seu partido, não poderá ele, Euclydes, pleitear a continuidade de sua suplência do primo, o senador Fernando Collor, nas próximas eleições.

 Considerando os lamentos, choros e rangeres de dentes, o enredo é de “opera buffa”. Afinal, refletindo-se sobre a realística definição pretendida por HOBBES, acima referida, é de se concluir não serem nada incomuns as traições em política, o que faz com que os envolvidos, vez por outra, provem o amargo do seu próprio remédio. Afinal, em uma partidocracia – termo utilizado por BOBBIO – o móvel da atividade política dos partidos e, naturalmente, dos seus próceres, é a ambição de domínio do povo através do exercício do poder.

Eis então que a naturalidade com que o suplente de senador desfiou sua mágoa em relação ao outrora aliado é supinamente reveladora: Galbinha não é questionado por “traição” aos ideais partidários; a suposta deslealdade é meramente pessoal, pois inibidora das pretensões senatoriais de Euclidinho.

Tudo em um diminutivo, mais do que carinhoso, adequado. A reflexão sobre as atitudes dos dois políticos envolvidos no “affair” leva-nos à singular conclusão de que ambos têm razão, pois pretendem acostar-se ao lado que, segundo seus juízos, lhes dará mais vantagens, confirmando aquela verdade vista pelo filósofo inglês quanto à prática política. Enquanto isso, o Povo... Ora o Povo!   

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