Acompanhe nas redes sociais:

12 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 778 / 2014

10/07/2014 - 11:54:00

O rombo da Previdência

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Tenho lido várias reportagens a respeito da previdência em Alagoas. Só se fala em rombo, em falta de dinheiro no AL Previdência. Ninguém fala no que foi descontado durante 40, 50 anos dos servidores dos três Poderes.     

Quando presidente do Sindicato participei de várias reuniões com técnicos do Estado e outros da área federal a respeito de uma nova previdência. Sempre que perguntava o que foi feito com tanto dinheiro que pagávamos ao Tesouro Estadual, não recebia resposta. A preocupação era com cálculos atuariais, ou seja, como guardar o que recebiam para pagar os aposentados futuramente. Ali começava o que deveria ser feito no passado.     

Mas eu sabia a resposta. Desde nova, via o Ipaseal gastar fortunas com conjuntos residenciais, assistência médica, empréstimos. Anos e anos de esnobação, jogadas de políticos distribuindo casas em tempo de eleição. Depois o dinheiro acabou e começou tudo de novo. Vamos pensar, diziam os técnicos, o que fazer para o futuro.     Eu sempre conversava com meu irmão Sabino: o futuro chegou e o rombo continua! Agora querem culpar o AL Previdência. Não, o problema vem de longe. São dezenas de anos em que dinheiro público foi usado para outros fins.     Como no Brasil há soluções para tudo, foram criadas novas leis, novos fundos previdenciários, novas saídas. Os políticos, sabidos como sempre, jogam a culpa no AL Previdência, acusando os responsáveis de terem causado distorções na nova maneira de administrar a vida de pensionistas e aposentados.     

O presidente do Legislativo, muito infeliz, fez declarações à imprensa dizendo que era ¨enxerto e gambiarra¨ pagar aos aposentados. Creio que o moço não sabe o crime praticado pela Assembleia durante vários anos: retirava os valores de nossos salários e não repassava ao Ipaseal. Até os  descontos   referentes aos empréstimos para a compra de imóveis não eram repassados; ficavam no Legislativo. Como sindicalista fui muito ao Ipaseal negociar dívidas de companheiros evitando a perda de imóveis.   

 Eu própria, fui vítima de tal calote: Tinha comprado uma casa pelo Instituto de Previdência e só não a perdi porque fui lá e paguei por fora. Houve oportunidade de negociar com o BNH e os servidores da ALE não puderam fazê-lo, por inadimplência do Legislativo. Com a palavra meu amigo Ivaldo!      

Depois de tantos desencontros, de tantos gastos desnecessários, os políticos atuais querem achar os culpados no governo do Téo. O importante para eles, parlamentares, é chamar a atenção da mídia. Mas não dizem a verdade. Para ser bem clara: Durante 30, 40 anos os descontos de milhares de servidores foram desviados para outros fins e hoje, nós, pensionistas e aposentados, vemos nossos salários ameaçados por falta de administradores sérios que pensassem no futuro.     

Vamos dar um exemplo concreto: a Previ, do Banco do Brasil. Sei que há diferença porque ela complementa os salários dos aposentados que contribuíram durante anos para a Caixa de Previdência. Há alguns anos atrás, a Previ pagou um valor aos servidores. Agora, em janeiro de 2014, retirou a ajuda. De vez em quando suspende os descontos e por aí vai tentando administrar.     

Mas, no Executivo, o pensamento é outro e no  Legislativo é muito pior. Quando penso nos pensionistas da ALE que estão com os salários congelados no AL Previdência, meu coração fica apertado. A pessoa trabalha 30, 40 anos e ao desaparecer, seus dependentes são humilhados e massacrados.   

 A solução que a Mesa Diretora da ALE achou foi ¨jogar¨ 400 aposentados no AL Previdência e brigar para não pagar uma diferença que segundo ela, não é obrigação do Legislativo. Acho que a ALE tem outros deveres mais importantes do que com os velhinhos, quais sejam: pagar a 900 comissionados, pagar a pessoas que moram fora do Estado, abrigar nos gabinetes os estáveis que não vão à ALE.   

 Quero deixar bem claro à sociedade alagoana: o rombo da previdência não é de hoje; vem de longas datas. Na época em que o Ipaseal vivia bem, nossos descontos eram usados para construir conjuntos habitacionais, para conceder empréstimos consignados, para a área da saúde e não para ser utilizado com vistas ao futuro do funcionalismo.     

Culpar o AL Previdência, querer punir pensionistas e aposentados dizendo que o Estado não tem dinheiro, é balela. Pagamos e continuamos descontando para a previdência um alto percentual de nossos salários para termos direito a uma vida tranquila.     

A pergunta é uma só: para onde foi tanto dinheiro?

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia