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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 778 / 2014

08/07/2014 - 08:47:00

JORGE OLIVEIRA

Maluf rejeita Lula

Rio - O deputado Paulo Maluf não quer saber mais do PT em São Paulo. Está indignado com as acusações de envolvimento com a máfia financeira que pesam contra Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, candidato a governador, com quem Maluf havia prometido marchar junto. Padilha foi acusado por André Vargas, ex-petista, de também pertencer a quadrilha dos doleiros que roubou milhões de reais do ministério da Saúde quando ele estava à frente da Pasta. Maluf abandonou o PT e foi se encostar na campanha de Paulo Skaf, do PMDB, candidato favorito da Dilma. Padilha, que se arrasta nos 3% das pesquisas, tem ao seu lado agora o PR e PCdoB, pouco para quem é patrocinado pelo ex-presidente Lula.

Procurado pela Interpol em mais de cem países, mas em pleno mandato de deputado no Brasil, Maluf, sinônimo de corrupção nos dicionários políticos, abandona Lula, seu principal parceiro em São Paulo, para apoiar o candidato do PMDB, depois de abraçar a campanha de Padilha. O deputado tem confidenciado a amigos que está envergonhado com a conduta do PT e de seus expoentes que formam hoje a maior cadeia de corrupção do país.

Maluf não é apenas um político corrupto, condenado nos Estados Unidos, com quem tenta negociar para tirar sua fotografia de criminosos procurados em mais de cem fronteiras no  mundo, ele também é muito astuto. Não quer encerrar sua carreira política enrolado na bandeira do PT que caminha para o cadafalso. Não quer também passar para a história como um aliado incondicional do ex-presidente Lula, por isso pulou do barco para não manchar sua reputação e compro-meter seu eleitorado paulista que continua fiel as suas ideias e as suas propostas.

Segundo seus aliados, Maluf não gostou nem um pouco da subserviência do PT para o PR, cuja principal estrela, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção, cumpre pena no presídio da Papuda. Dilma devolveu as pessoas de confiança do partido o Ministério dos Transportes e, agora, por exigência da cúpula, entrega também o Dnit que gasta por mês 1 bilhão de reais em obras, bom aperitivo para os políticos do PR em época de campanha.Maluf, veja só!, acha que o PT está avacalhando o país, quando cede as pressões de partidos para fatiar os órgãos do governo mesmo sabendo que muitos deles não estão bem intencionados com o di-nheiro público.

Ele lembra aos amigos que a volta desses dirigentes ao comando dos ministérios desdizem as aulas de moral e cívica da Dilma que expulsou vários deles quando assumiu o governo, alegando que fazia uma faxina ética. Agora, em plena eleição, todos estão de volta. É a farra do boi.A Dilma, contudo, está rezando na cartilha do seu antecessor. O ex-presidente Lula vendeu a alma ao diabo quando ficou encurralado no seu primeiro mandato com a história do mensalão.

Distribuiu cargos e se aliou aos políticos mais conservadores para permanecer no poder. O que se viu depois foi a expansão da corrupção nos órgãos públicos e a condenação dos mensaleiros, seus principais conselheiros políticos. É por tudo isso que o Maluf está tirando o time de campo. Ele não pensa mais em fazer dobradinha com o PT como a que fez para eleger Haddad prefeito de São Paulo porque se sente envergonhado com tanta bandalheira. Enquanto a Interpol não o prender, Maluf promete disputar novamente as eleições, só que agora longe do Lula.

Presídio

A convenção que indicou Arruda para disputar o governo do DF deveria ter sido realizada em um presídio tal o número de políticos pendurados na Justiça.RasteiraDilma sofreu mais uma derrota e o PMDB tem agora um dissidente de peso. Paulo Hartung preferiu o palanque de Aécio no Espírito Santo. A convenção do partido que se realizou em Vitória oficializou o PSDB na vice de Hartung. É o Sudeste em peso se insurgindo contra o PT. Hartung conversou várias vezes com a Dilma e com o Lula, que apostava numa composição entre os peemedebistas e os petistas no estado tendo João Coser, ex-prefeito de Vitória, como candidato ao senado. Os entendimentos não deram certo. Outra dissidência de peso nesse imbróglio é a de Ricardo Ferraço, do PMDB. O senador decidiu, dessa vez, descolar de Hartung  e se juntar ao PSB do atual governador Casagrande.


Dissidência

Diante dessa (de) arrumação – que surpreendeu os capixabas – as eleições no Espírito Santo são incertas. Hoje não se conhece um favorito. Empatados tecnicamente, Casagrande e Hartung, antes aliados, vão se enfrentar nas urnas, numa eleição disputadíssima onde não existe um favorito. Hartung está há quatro anos sem mandato quando desistiu da candidatura ao senado para apoiar Casagrande numa aliança que lhe garantiu a vitória já no primeiro turno. Sua última aparição em campanha foi em 2012 no programa do candidato a prefeito Luis Paulo Vellozo, a quem apoiava, e teve seus apelos rejeitados pelo eleitor que preferiu votar em Luciano Rezende, apoiado porCasagrande.

Habilidade

Hartung escondeu o jogo durante muito tempo. Aos mais próximos confidenciava o desejo de disputar a eleição este ano, mas disfarçava nas conversas com Casagrande que apostou na aliança com o PMDB até ter a certeza a semana passada de que seu antigo aliado era agora o seu principal adversário. De peso, diga-se. Hartung formou uma aliança representativa com PSDB e DEM, deixando de lado o PT a quem até então fazia juras de amor. A coligação permite ao ex-governador disputar as eleições com sete a oito minutos de televisão, tempo ideal, conquistado com muito habilidade para quem está fora do poder.

Traição

O PT, traído por Hartung, decidiu ir de Roberto Carlos, deputado estadual, com o apoio de João Coser, ex-prefeito, que disputará a cadeira de senador. Coser não conseguiu fazer o sucessor em 2012 e entra na disputa desgastado. Além disso, o pouco tempo de televisão pode comprometer o seu desempenho nos programas. A disputa vai ser acirrada com Rose de Freitas, PMDB, na chapa de Hartung. 


Incapacidade

Essas alianças desconexas entre partidos no Brasil só vêm mostrar que o PT não tem coordenador político competente. E os que tem demonstram profunda incapacidade de fazer alianças. Veja o Rio, por exemplo. Aécio hoje é o preferido do PMDB depois que o Lula desastrosamente bancou a candidatura de Lindbergh. Na convenção que indicou seu nome, Pezão sequer falou no nome da Dilma a quem até pouco tempo jurava de pés juntos ser um aliado incondicional. 


Avanço

O quadro político cada dia que passa é mais desfavorável a Dilma, que assiste o Sudeste desaparecer da sua estatística. A região, o maior colégio eleitoral do país, tende a descarregar os votos no candidato tucano que já governou Minas Gerais por oito anos. Se Eduardo Campos, do PSB, for competitivo no Nordeste pode desmoronar a rede do Bolsa Família, maior reduto eleitoral do PT. É assim, garimpando, que os tucanos estão avançando no país. Além disso, tanto Aécio como Eduardo Campos começam a se beneficiar das dissidências. Na maioria das convenções, o nome da Dilma foi empurrado de goela abaixo pelos dirigentes partidários contra a base que, revoltada, promete vingança nas eleições.

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