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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 777 / 2014

01/07/2014 - 16:16:00

Biu e Eduardo Campos lançam dois usineiros na campanha em Alagoas

Acordo também prevê salvar da prisão o deputado Arthur Lira; já a esquerda segue rachada

Odilon Rios Repórter

A três dias do final do prazo das convenções partidárias, os usineiros de Alagoas consolidaram dois empresários do ramo na chapa do senador Benedito de Lira (PP): o deputado federal Alexandre Toledo (PSB) e o suplente de Biu, Givago Tenório, que assume, por quatro anos, a vaga de senador se Biu ganhar as eleições ao Governo de Alagoas.

A costura eleitoral ficou consolidada na semana passada, com a vinda do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Para ajudar a aliança “com açúcar e afeto”, o candidato a presidente da República, tascou um discurso que adoçou as relações com o setor, representado pela Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool no Estado: “A inflação voltou a crescer, com a economia com um crescimento pequeno, o que vem destruindo setores como o sucroalcooleiro.

Temos como meta reduzir essa insegurança que assola Alagoas e os demais estados dos Nordeste. Uma ação que não houve no governo Dilma”, disse.A vinda de Campos ajuda não só os usineiros, que enfrentam uma crise no setor e tentam cravar um candidato ao Governo para manter as portas abertas (como acontece na era Teotonio Vilela Filho) e se aproximar do Palácio do Planalto em busca das mordomias do passado. 

O ex-governador de Pernambuco é, também, o fiador da campanha do deputado federal Arthur Lira (PP), acusado em crimes que poderiam ser um passeio pelo Código Penal: lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro nacional, formação de quadrilha, peculato, Lei Maria da Penha. 

Se o filho-problema de Biu perder a vaga na Câmara, fica sem o foro por prerrogativa de função (antigo foro privilegiado). Daí pode ser preso, como foi, há quatro anos, Francisco Tenório (PMN), que discretamente apoiará a candidatura do deputado federal Renan Filho (PMDB). Mesmo com as acusações de assassinato contra o delegado aposentado por invalidez, este permanece bastante ativo em Brasília, tanto que tenta a reeleição também em busca da blindagem do mandato federal.


Acordo de gaveta funciona

O acordo entre Biu de Lira e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) continua guardado na gaveta e só será revelado no segundo turno. Mas, de antemão, prevê a manutenção dos cargos do senador no Governo, o que vem sendo seguido a risca. Nada de uma “limpeza” nas secretarias, apenas alterações pontuais, mostrando a encenação de um rompimento na ala do fogo amigo. Nesta época junina, na fogueira palaciana, ninguém se queima.

E Vilela ganhou mais um aliado: o PRB, de Galba Novaes. Inviabiliza a assunção do suplente do senador Fernando Collor (PTB), Euclydes Mello (PRB), vice presidente da legenda, mas Vilela terá de explicar, no palanque do procurador de Justiça e ex-secretário de Defesa Social, Eduardo Tavares (PSDB), como ficar lado a lado com Novaes, candidato a deputado estadual e denunciado, pelo Ministério Publico Estadual, instituição da qual Tavares Mendes faz parte. Galba era presidente da Câmara de Vereadores em Maceió quando recebeu entre 2006 e os quatro primeiros meses de 2011, R$ 138.669,23 de forma ilegal.

O redutor constitucional- que impede o funcionário receber mais que o teto definido pela lei- foi aplicado sem controle pelo parlamento-mirim na capital. Por isso o MP pede a devolução de R$ 1,2 milhão aos cofres públicos.

O PRB ganha a Secretaria da Pesca e Aquicultura, que era do PPS, mas os cargos devem ser mantidos para não melindrar as relações com o presidente estadual da legenda, Régis Cavalcante.

O acordo inclui mais uma secretaria e ajuda palaciana na campanha de Galba Novaes.Apesar de não participar da campanha neste ano- será coordenador do QG do senador Aécio Neves (DEM) no Nordeste- o vice-governador José Thomáz Nonô (DEM) ainda não decidiu para qual lado vai pender o Democratas. Mais provável é que nas convenções (será no dia 30) defina-se o lado de Biu de Lira. Nonô é aliado do empresário Givago Tenório (são sócios) e a chapa a deputado federal e estadual pode ter a chance de emplacar Jeferson Morais a estadual.


Esquerda dividida

Quanto à esquerda, segue sem unidade na disputa alagoana. O PCB deverá ter uma chapa puro sangue, lançando o historiador Golbery Lessa e o PSOL e PSTU com o engenheiro agrônomo Mário Agra ao Governo e a vereadora Heloísa Helena ao Senado - de todos deste lado da campanha, o nome mais forte. Enfrenta Collor.A convenção do PSOL será no próximo domingo. E Heloísa Helena não terá Marina Silva em seu palanque.

Filiada ao PSB, Marina - se vier a Alagoas - terá de estar com o deputado federal e usineiro Alexandre Toledo, dono do espólio de Eduardo Campos. De novo, a vereadora segue só em mais uma campanha.O PP/PSB apoia, ao Senado, o Democratas, com o ex-presidente da OAB, Omar Coelho de Mello, mais um dos ligados ao governador Teotonio Vilela Filho a emplacar espaço na chapa do senador Benedito de Lira, o “plano A” de Vilela na campanha deste ano.

E Eduardo Tavares segue a sua tarefa: ser a bucha de canhão para empurrar e explodir Biu de Lira no segundo turno, contra Renan Filho.

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