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Edição nº 777 / 2014

01/07/2014 - 10:55:00

Os ociosos que trabalham e os intocáveis

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Preparei-me para escrever artigos que falassem menos do Legislativo de Alagoas. Mas, a Mesa Diretora não permite. Os escândalos se sucedem e é impossível deixar de lado assuntos tão palpitantes.   

 Recentemente foi publicada a folha de pagamento de maio da ALE no portal de transparência. Para iludir a opinião pública misturaram ativos, inativos e comissionados. Só nós, que somos da Casa, identificamos quem é quem no ¨Reino de Avilan¨.     

Aí, o povo vê aquilo e fica indignado por achar que a Assembleia tem mais de 2000 funcionários. Inteligentemente, a Mesa publica uma relação de 100 servidores ativos tidos como ociosos e coloca-os à disposição do Executivo. Logo em seguida, o presidente vai à imprensa e afirma: ¨Colocarei 400 aposentados no AL Previdência. Estou cometendo enxertos e fazendo gambiarra quando pago o salário dos inativos¨.     

Moço inteligente: ele recebe o desconto da Previdência que voltamos a pagar e foram retirados de nossos salários durante 30, 40 anos e quer que o Estado assuma o ônus. Para onde foi tanto dinheiro? Viramos mercadoria de negociação?     

Há no AL Previdência pensionistas do Legislativo que estão recebendo migalhas. A Mesa não repassa nada e o Executivo assumiu o caso, mas os salários foram congelados. Se não lutarmos pelos nossos direitos cairemos na mesma situação.   

 Outro item que nos assusta: é voz corrente nos corredores da ALE que existe uma folha paralela como havia antigamente. Os servidores tentam descobri-la para colocá-la na imprensa e o povo das Alagoas ver de que os deputados são capazes.   

 Dos 100 que vão para o Executivo, 35 trabalham. Aí vem a humilhação: procurar as entidades representativas para que provem aos eputados quem trabalha e quem não trabalha. Em seguida, a luta para que os reis atendam as ligações. Um joga para cima do outro: ¨Depende do Maurício¨ diz o presidente. O primeiro-secretário some, depois liga: ¨Falarei com você depois do São João¨.

E o prazo de apresentação se esgotou...Uma novela, um dramalhão mexicano... Enquanto isso a campanha ferve e os cabos eleitorais, pagos por nós, trabalham para reeleger o ¨seu deputado¨e não ¨perder a boquinha¨.     

Em nenhum momento, os donos da Casa falam nos comissionados. As medidas para sanear o Legislativo só atingem os ativos e inativos. Mas a ALE continua pagando, não há economia, há carnaval. Eles querem mostrar à opinião pública que estão saneando a Assembleia, livrando-a dos maus espíritos. E os intocáveis continuam livres de qualquer castigo.

E por que? Por dividirem com os patrões parte de seu salário.     Quem não se lembra da ¨Vassoura de ouro¨? Recebia R$ 29.000,00 juntamente com o marido e a filha. Pois bem, parte desse dinheiro foi depositado na conta da ALE. É mentira? Perguntem ao MP. Isto nos foi dito (a mim e a vários companheiros) numa reunião com o procurador-Geral de Justiça, em dezembro de 2013.

Mas a ¨Vassoura de ouro¨ continua como comissionada. É intocável.     

Até dezembro de 2014, a Mesa Diretora será a mesma, tomando decisões inaceitáveis, perseguindo ativos e inativos e pagando comissionados e bajuladores.   

 Nossa esperança é o Ministério Público! Precisamos que ele tome sérias medidas, denuncie os culpados à Justiça para que sejam castigados e parem de perseguir os inocentes.     

Nós vamos à Justiça, recuperamos nossos direitos, a Mesa diz que só corrige os erros dos que tiverem ação judicial, mas aplica as benesses, por nós resgatadas, aos filhos do rei e ainda publica o que faz.     

Estamos nas mãos de Deus. Somos ameaçados judicialmente para provar o que todo mundo sabe e os deputados estão por aí: leves, livres e soltos.

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