Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 777 / 2014

01/07/2014 - 09:48:00

JORGE OLIVEIRA

Dilma e Lula distantes

Rio - Já não sentam à mesma mesa Dilma, Gilberto Carvalho e Lula. Desde que o ex-presidente incentivou o “Volta, Lula” numa tentativa de dar um golpe e voltar ao poder que a Dilma não o respeita mais como o grande líder. Confidenciou a políticos mais próximos que o padrinho tentou apeá-la da cadeira de presidente usando de métodos golpistas e traiçoeiros. Acusa-o, inclusive, de incentivar o deputado André Vargas para liderar a campanha do “Volta, Lula” a quem ela deu o troco abrindo o inquérito da Polícia Federal, onde o parlamentar aparecia envolvido com a máfia dos doleiros.  

Vargas caiu em desgraça e com ele o “Volta, Lula” foi sepultado. Dilma, em uma de suas conversas com político de sua intimidade, chegou a dizer com a fúria que marca  a sua personalidade: “Quem ele pensa que é? A presidente sou eu. Dessa cadeira  ninguém me tira”. A criatura, acuada, virou-se contra o seu criador, coisa corriqueira em política.Os bons ventos deixaram de soprar no Palácio do Planalto desde que a presidente desceu ladeira abaixo nas pesquisas de opinião. Dos confortáveis 70% de aceitação na opinião pública para os hoje 34% e uma rejeição cavalar de 53%. Esse sintoma melancólico para uma candidata sem carisma torna-se mais grave quando se sabe que o PT está dividido.

Ela também não conta com significativa parcela do PMDB,  rachado,  na convenção que confirmou a aliança  à sua candidatura.  Lula escalou seu fiel escudeiro Gilberto Carvalho para falar com os blogueiros chapas-brancas e ocupar espaços na mídia. Na entrevista na rede social, patrocinada por empresas estatais, o ministro disse que a Dilma foi xingada e vaiada também pelo povão e não só pela “elite branca”, como acusou o ex-presidente, seu padrinho. Mas na verdade o que Carvalho queria dizer na entrevista, e disse com todas as letras, é o seguinte: o governo da Dilma é corrupto.

A avaliação de que o governo é corrupto, segundo ele, “pegou”. A tática do Gilberto é jogar no colo da Dilma todos os escândalos e descolar de Lula a responsabilidade pelo desmantelo do país, preservando sua imagem no caso de derrota da presidente nas eleições deste ano. Há muito tempo que as relações de Gilberto Carvalho com a Dilma azedaram.

Mas como a presidente não governa, não tem autonomia administrativa e virou um boneco de marionete nas mãos de Lula, não se sente encorajada a limpar o lixo, a herança maldita, que o ex-presidente deixou em Brasília, bandalheira da qual ela também foi cúmplice. Nos primeiros meses de governo ainda tentou fazer uma faxina ética, mas parou.

Foi obrigada a devolver os ministérios aos presidentes dos partidos, banidos do governo por chefiarem uma quadrilha, descoberta pela Polícia Federal, que roubava milhões de reais dos cofres públicos. Amarga, portanto, o dissabor de chefiar uma Nação de comando duplo.

Agora que a ficha caiu, tenta reagir mas é tarde. Perdeu o comando do país e vive como barata tonta viajando pelo Brasil atrás de voto. Sozinha, isolada, como impõe o poder àqueles que não sabem exercê-lo. Como não tem o traquejo político e foi puramente produto do marketing está mais perdida do que cego em tiroteio.

Ao se recusar a ir a convenção que indicou Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, a presidente não conseguiu disfarçar a insatisfação com Lula e a cúpula do partido, coisa de amador, que não sabe dissimular as mágoas como os políticos profissionais. O PT que construiu, é o mesmo que agora desconstrói a farsa. Mas não se engane, se a Dilma se recuperar nos programas eleitorais todos vão estar juntos novamente. É o instinto do escorpião, meu caro sapo. 

Convenção do PT 

É claro que você já viu essa cena:  o caixão passando pelo estreito corredor do cemitério e os parentes e amigos batendo palma para o defunto a caminho da sepultura. A convenção do PT, que formalizou a candidatura da Dilma em Brasília, tinha esse triste cenário. Com exceção do Lula, que parecia um animador de auditório, cabelos desalinhados, cara de noites mal dormidas e gestos nervosos, os companheiros não escondiam o que existe na realidade na cúpula do partido: profundo mal estar entre o Lula e a Dilma, reflexo de  um racha dentro do partido.  E não adianta disfarçar.

Daqueles tão festivos encontros do PT, quando milhares de militantes louvavam o partido da ética, agora não existe nem sombra. Muitos militantes, envergonhados, preferem ficar em casa a se expor com o que restou do PT que tinha como lema varrer os corruptos do mapa. Para evitar constrangimento aos presentes, dessa vez os mensaleiros, que dormem em minúsculas celas do presídio da Papuda, não tiveram a solidariedade dos companheiros em Brasília.


Apelos

A Dilma pediu que os apelos a sua reeleição chegassem aos ouvidos dos jovens que, segundo ela, não conhecem os feitos do PT. Conhecem, sim, excelência. Conhecem tanto que estão nas ruas pedindo a sua cabeça e mais saúde, mais educação e transporte público de qualidade. Ao contrário do que Vossa Excelência pensa, os jovens não querem mudança com a senhora no poder. Esses jovens que estão nas ruas não é a geração que se perdeu no crack por falta de amparo do seu governo que prometeu combater a droga desde os primeiros comerciais da propaganda eleitoral. Os contaminados estão alienados, doentes e perdidos, não pensam politicamente. Os que estão nas ruas protestando contra o desgoverno sabem dos seus direitos e lutam  por eles independente da repressão policial e das leis a toque de caixa que querem impedir a livre manifestação a pretexto de combater o vandalismo. 

Pá de cal

Alguns partidos já decidiram que não vão colocar a última pá de cal na cova do PT. O PTB, por exemplo, pulou fora. Levou uns minutinhos a mais para os tucanos ao se aliar a candidatura do Aécio. O PR ainda está em cima do muro. O presidente do partido, o senador Alfredo Nascimento, do Amazonas, ainda não decidiu. Ressente-se do tratamento que lhe foi dado pela Dilma quando o expulsou como corrupto do Ministério dos Transporte como primeiro ato do seu governo. Se aderir ao PT, Nascimento teria que juntar os cacos do partido, cujos deputados e filiados já demonstraram que a saída é pular fora do barco da reeleição da presidente. Além disso, Nascimento teria que levar a decisão da adesão à família, cujo filho também foi envolvido nos escândalos.


Esperto

Enquanto isso, Aécio, como mineirinho esperto, vai comendo pelas beiradas para aumentar o tempo nos programas eleitorais. Se passar dos cinco minutos viabiliza sua candidatura na TV, ao contrário do que vem ocorrendo com Eduardo Campos desde que se juntou a fundamentalista Marina Silva. Campos perdeu o comando do partido que tomou caminho diversos em alguns estados por falta de liderança. Em São Paulo aliou-se ao PSDB de Geraldo Alckmin e no Rio ao PT do Lindbergh, uma união esquizofrênica, segundo os socia-listas cariocas que não apoiam a aliança com os petistas.


Proveito

Nem mesmo acabou a Copa, a Dilma já está tentando tirar proveito dos jogos. Criticou aqueles que achavam que a Copa ia ser um fracasso. A presidente está equivocada. Os brasileiros criticaram as obras de infraestrutura inacabadas e os estádios superfaturados. Não tente confundir o povo, Dona Dilma.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia