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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 776 / 2014

25/06/2014 - 09:53:00

Aos 43 anos, Bar da Pata é reconhecido pela mídia como um dos melhores de Maceió

Além da famosa pata de uçá, Osvolúsia Pontes e Socorro Alves ampliaram o cardápio com o camarão da vó, receita herdada do Bar da Ostra

Maria Salésia [email protected]

Dizem que a vida começa depois dos 40. Este adágio pode ser aplicado  ao Bar da Pata que aos 43 anos vive um dos melhores  momentos de sua existência. Mas nem  mesmo sua fundadora,  Osvolúsia  de Andrade Pontes, a Lu, imaginava que aquele espaço, ainda sem nome,  criado por sua mãe em 1973 para vender sorvete da Kibon e algumas cervejas se transformaria em um dos mais famosos e tradicionais bares de Maceió.    

O empreendimento não parou no tempo e está sempre inovando. Hoje, a tradicional pata de uçá divide espaço e fama com o camarão do bar da Ostra, inspirado na receita que é pastrimônio cultural de Alagoas, agora, batizado como camarão da vó em homenagem a Osvolúsia que ainda com 30 e poucos anos passou a ser chamada assim pelos clientes.

As responsáveis pelo sucesso da dobradinha  (caranguejo-camarão) confessam que a receita de camarão servido por elas é a original e que precisaram usar lupa para decifrar os escritos. Com sorriso farto, se gabam que são as únicas a servirem o verdadeiro camarão do bar das Ostras. “Ás vezes surge um ciúme sadio quando um prato vende mais que o outro.

A pata é o carro chefe da casa, mas o camarão vende bastante”, comemora Socorro, que é acompanhada por Osvolúsia.Natural de São Miguel dos Campos, Lu relembra que aos seis anos veio morar na capital, mas todos os carnavais brincava na Terrinha. E foi nestas andanças que conheceu a também miguelense Socorro Alves  que em 1976 veio trabalhar em seu bar e em seguida tempo depois se tornariam sócias.Tímida e de poucas palavras, Lu começou o bate papo um tanto retraída, mas ao falar de sua paixão pelo bar os olhos brilharam  e a timidez deu lugar a uma mulher guerreira e orgulhosa do trabalho que abraçou.

Prova disso é que mesmo sem ser sócia continua no bar. Aquilo ali é sua vida, seu tudo.Ele explica que o nome do estabelecimento foi sugestão dos clientes e que o carro chefe da casa, pata de uçá servida vinagrete ou ao molho da casa, surgiu por acaso. Ainda como uma sorveteria, um cliente tomava cerveja e ouviu o  som de marteladas vindo de dentro da casa e quis saber do que se tratava. A mãe, dona Quitéria, disse que era a filha quebrando pata de caranguejo.  O homem  pediu para provar o crustácio, gostou e voltou no dia seguinte para repetir o feito.

De lá pra cá não parou mais  de frequentar o lugar, a notícia se espalhou e a fama da iguaria também.Sorridente e mais expansiva, Socorro fala da parceria e cumplicidade com Lú que se confunde com a criação do bar. Ela é só orgulho ao apresentar as diversas reportagens em que o bar da Pata foi a atração principal, os livros em que participaram  e mostra várias molduras na parede com textos da Revista Veja  onde foi eleito, por várias edições, como o lugar que tem a melhor patola de caranguejo. Foram notícia até na coluna do Anselmo Gois.

 “Finalmente, depois de tantos anos e batalha veio o reconhecimento”, comemorou Socorro.Ela fala do feito de duas mulheres tocarem o negócio há tanto tempo e conservar o ambiente limpo, acolhedor, com música de qualidade e uma clientela fiel que atravessa gerações. Ao assumir o negócio, Socorro diversificou o cardápio.

Filé de agulha, codorna na manteiga, arroz de camarão, filé de camarão e salada figuram na lista dos mais pedidos.Parar, nem pensar. Elas dizem que estão cansadas, mas contam com a ajuda de colaboradores e familiares. E se falam que vão fechar as portas os clientes não deixam.

Os boatos surgem, existem propostas de compradores, mas tudo não passa de conversa.Apesar do sucesso, elas se dizem triste com algumas mudanças no trânsito que vieram para causar transtorno. É que como a rua ficou sem estacionamento,  muitos clientes sumiram por falta de espaço e até para não serem multados.

Outra queixa é com a insegurança que por conta da violência trabalham assustadas e foram obrigadas a reduzir o horário de funcionamento. “Não temos mais medo porque a clientela nos protege”, desabafa.O diferencial da casa é que quando um cliente passa muito tempo sem frequentar o local, Socorro liga para saber o que aconteceu, diz das novidades e convida para retornar. Com tanto mimo não há quem resista. Não é a toa que o bar da Pata tem clientela fiel, das mais variadas profissões, que passa por várias gerações. Por este ambiente simples, acolhedor e de bom gosto já passaram milhares de pessoas.

Anônimas ou famosos todos levam a mesma impressão, além de voltar ainda trás outros clientes que terminam se apaixonando pelo bar e sua variedade de comidas e bebidas, recheados de uma boa música, todas da MPB. E fazendo um passeio pelo tempo, a proprietária relembra passagem das atrizes Tônia Carrero e  Bruna Lombardi, o cantos Lindomar Castilho, entre outros.Mas durante as mais de quatro décadas de existências, o estabelecimento passou por vários processos. Em 2001elas resolveram acabar a sociedade e o bar do Bairro do Farol fechou suas portas, dando lugar ao Cantinho da Pata, na Jatiúca, sob a direção de Socorro. O novo espaço fez o mesmo sucesso, pois os clientes foram transferidos para lá.

Em 2001/2002 Lu e Socorro resolveram voltar a sociedade e mais uma vez se fixaram no bairro do Farol. Tempos depois a sociedade acabou, mas a amizade não.No bar da Pata o cliente só tem o trabalho de degustar  o caranguejo. É que as patinhas já vem quebradas, mas se o cliente preferir elas são servidas inteiras.

O sucesso do prato é tanto que por semana são servidas até 1300 patolas. O segredo da especialidade da casa é guardado a sete chaves e as responsáveis pelo sucesso brincam que se desvendado perde a graça.Antes mesmo de vender seu peixe e convidar a mais pessoas para conhecer o estabelecimento, se enche de orgulho da clientela que tem e agradece aos amigos, é assim que os trata, por prestigiar o bar. Mas adianta que, como coração de mãe, sempre cabe mais um.  

Para conhecer a melhor pata de uçá de Maceió e o verdadeiro camarão do bar da Ostra basta se dirigir até o bar da Pata, na Rua Gonçalves Dias, 222, Farol- Maceió/AL.  Aberto de terça a quinta-feira, a partir das 15h e sexta e sábado, das 11 até a madrugada.Telefone:(82) 3326-1024/9981-4396 e 8814-3596.

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